sábado, 8 de dezembro de 2007

TRÊS PIONEIROS NA SOCIOLOGIA DAS EMOÇÕES


Thomas J. Scheff

Este ensaio trata dos trabalhos sobre vergonha coletiva realizados por Norbert Elias (The civilizing process, 1994) e Richard Sennett (The hidden injuries of class, 1973), e o desenvolvimento do conceito de vergonha por Helen Lynd (Shame and the search for identity, 1958).

Inicio com Elias porque seu trabalho sobre vergonha surgiu primeiro, originalmente publicado em alemão, no ano de 1939. Os estudos sobre emoções tornaram-se importantes na sociologia quando estes três sociólogos se detiveram na análise sociológica de uma emoção específica. Antes do trabalho de Elias, de Lynd, e Sennett sobre o conceito de vergonha, os estudos sobre emoção pairavam apenas como uma sombra no pensamento sociológico. Durkheim, seguramente, deu proeminência ao que ele chamou de "emoção social". G. H. Mead, por seu turno, incluiu o conceito de emoção como um ingrediente importante da psicologia social. Parsons, por sua vez, promoveu a emoção para um dos quatro componentes básicos da ação social no seu esquema teórico (Parsons & Shils, 1955).

Parsons


A inclusão da emoção, porém, foi realizada de modo abstrato e virtualmente sem sentido. Nosso conhecimento sobre as emoções, até o presente momento, não é generalizado, mas específico para emoções particulares. Por exemplo, todos nós sabemos alguma coisa sobre a raiva. Não temos nenhuma dúvida de que o que nós pensamos que nós sabemos pode não ser a verdade. Mas muito do que nós sabemos é provavelmente preciso, ou pelo menos preciso o bastante para que, freqüentemente, possamos nos fazer entender e entender o que o outro pretende expressar. Sobre a raiva sabemos, ou acreditamos saber, sobre as fontes das quais ela surge, das diferentes formas e graduações que ela pode levar, e alguns dos resultados para os quais pode nos conduzir. Nós também temos tipos semelhantes de conhecimento e convicções sobre outras emoções primárias, como o medo, o pesar, a vergonha, o desprezo, a repugnância, o amor e a alegria. Nosso conhecimento comum sobre as emoções permite nossa comunicação sobre este assunto, e contém, nele incluso, vôos de fantasia. As diferentes emoções podem ter várias semelhanças subjacentes, mas muito mais óbvias são as grandes diferenças em suas origens, formas de aparecimento, e trajetórias. É por esta razão que as declarações gerais sobre as emoções, em alguns teóricos das Ciências Sociais, no abstrato, tenham tão pouco significado.

Algo do que Durkheim, Mead, e Parsons disseram sobre as emoções poderia parecer plausível quando aplicada a uma emoção particular como, por exemplo, sobre raiva ou o desprezo, mas não para a maioria das outras emoções. As fontes, as formas de aparecimento e as conseqüências da raiva e do medo, por exemplo, são diferentes o suficiente para que se as proíba de aparecerem juntas.

Em todo caso, Durkheim, Mead e Parsons não desenvolveram conceitos sobre as emoções, nem investigaram a ocorrência atual delas na vida real, nem coletaram dados que poderiam afetar algumas proposições sobre o papel das emoções na conduta humana.

Os três sociólogos, cujos trabalhos agora passo em revista, deram os primeiros passos para a investigação de uma emoção específica. Nos seus vários estudos aqui descritos, eles nem sempre nomearam a emoção de vergonha.

Sennett, por exemplo, no seu Hidden Injuries, não fez nenhum esforço para desenvolver um conceito sobre a vergonha, e a nomeou poucas vezes apenas. Como se pode verificar aqui, então, o ato de nomear é parte importante de uma investigação.

Todos os estudos sobre emoções , desenvolvidos por estes pioneiros, envolveram a emoção que chamo de vergonha. Por vergonha, eu compreendo uma grande família de emoções que incluem diversos cognatos e variantes, como o embaraço, a humilhação e relaciona-se a sentimentos que envolvem reações de rejeição ou sentimentos de fracasso e inadequação.

Estes três pioneiros agiram de forma independente um do outro, e de outros pesquisadores, nos seus estudos sobre emoção. No caso de Elias e Sennett, suas descobertas sobre a vergonha parecem, quase, que foram feitas ao acaso, como que forçadas pelos dados por eles observados ou levantados. Certamente, o trabalho de Elias sobre o limiar da vergonha, na história de quatro culturas européias, parece fazê-la surgir de todo e qualquer lugar. O livro de Lynd sobre a vergonha é contemporâneo com os primeiros escritos de Goffman sobre o embaraço.

E. Goffman

No seu livro houve uma citação do artigo de Goffman sobre os trabalhos da face, e nele percebeu que o ponto principal do trabalho facial era o da procura de uma significação para o rosto que evitasse o embaraço ou a vergonha.

Embora Lynd fosse uma socióloga, ela também estava interessada na teoria psicanalítica; o livro dela, também, faz um balanço da literatura psicanalítica sobre a vergonha. Eu não incluí, neste ensaio, Goffman como um dos pioneiros na sociologia da emoção, embora ele tivesse um íntimo contato com ela. Goffman nunca foi tão longe como Sennett ou Elias na compreensão da emoção vergonha, e certamente não tão longe como Lynd, embora ele tenha tido muitas oportunidades para assim o fazer. Em seus primeiros trabalhos sobre os tipos de apresentação e a idéia do EU e sobre o trabalho facial, os sentimentos de embaraço e ausência de embaraço estiveram na linha central do seu pensamento, porém sem nomeá-las. Nos seus estudos sobre estigma e asilos, a vergonha, mais uma vez, é o elemento chave, mas ele a menciona só de passagem. Há apenas um ensaio no qual a nomeia. É um breve capítulo sobre embaraço e controle social, contido no seu livro Interaction ritual (1967). Mas, aqui, ele está baseado no princípio da habilidade de manobra, o lado psicológico do embaraço que pode ser evitado.

Desde que reivindico (Scheff, 1997) que o conceito de emoção não pode ser entendido sem se evocar os seus componentes internos e externos, isto é, o envolvimento psicológico e social, me parece que este ensaio não avançou no sentido de uma sociologia da emoção, só sedimentou a idéia de que o comportamento humano pode ser entendido, em termos estritamente estruturais.

O trabalho de Sennett também sofreu um pouco de influência externa. Ele cita o livro de Lynd sobre vergonha em The Hidden Injuries of Class (1972), e possui um capítulo sobre vergonha no seu livro Authority (1980), no qual cita a tradução inglesa de Elias The Civilizing Process: A History of Customs (1978). A comparação e as conexões possíveis entre o trabalho de Elias e Sennett figurarão mais adiante em minhas anotações sobre Sennett, desde que podem nos ensinar algo sobre o nomear e sobre o anonimato de emoções específicas.

Como sugerirei, a vergonha é o ponto central do The Hidden Injuries, a primeira aproximação de Sennett para a noção de vergonha, embora não exista nenhum conceito de vergonha neste livro.

No caso de Elias, o contrário é a verdade; o conceito de vergonha é o fio condutor do The Civilizing Process (1939), mas quase desaparece em The Germans (1996), embora a vergonha seja ainda um assunto central e importante, também, neste último livro.

Norbert Elias

A vergonha no 'The civilizing process'

No primeiro livro, com o sub-título A Hitory of Customs, Elias empreendeu uma análise histórica do que ele chamou de o "processo civilizador". Ele localizou mudanças no desenvolvimento da personalidade e das normas sociais no processo formador da civilização moderna para o presente.
Semelhante a Weber, ele deu um grande destaque para o desenvolvimento da racionalidade. Distinto de Weber, contudo, ele também deu igual importância à mudança emocional, particularmente, para as mudanças presentes no constructo do limiar da vergonha:

"Uma característica do processo civilizador, com força equivalente a do conceito de racionalização, é a da forma peculiar assumida na direção da economia do que nós chamamos de vergonha e repugnância ou de embaraço." (Elias, 1982: 292)

Elias esboçou uma teoria da modernidade, usando trechos de manuais de aconselhamento em um plano histórico muito longo, os últimos cinco séculos. Ao examinar os conselhos relativos a etiquetas, especialmente sobre os modos de mesa, sobre o funcionamento do corpo, sobre a sexualidade, e sobre a raiva, ele sugere que o aspecto central da modernidade envolve uma verdadeira explosão da vergonha.
Embora ele use uma terminologia um pouco diferente, a tese central de Elias relativa a modernidade está próxima da minha própria questão (Scheff, 1990).
Em minha análise da modernidade, eu aponto o que considero ser as conseqüências alienantes da modernidade: a diminuição do limiar da vergonha no momento da ruptura das comunidades rurais, e a diminuição do reconhecimento da vergonha, que também pode ter tido conseqüências poderosas nos níveis da consciência e do autocontrole.
Eu citarei apenas um único dos muitos trechos dos manuais de aconselhamento usados por Elias.
Ele primeiro apresenta um longo trecho de um manual do século XIX, intitulado A Educação das Meninas (Von Raumer, [fim da página 117] 1857), que aconselha para as mães como devem responder a perguntas sexuais.
Como resposta para a questão "De onde vêm os bebês?", Von Raumer sugere "que as Crianças devessem permanecer o maior tempo possível com a convicção de que um anjo trazia os pequenos seres para a mãe...".
Se o assunto surgisse novamente, a criança deveria ser duramente advertida: "Não é bom para você saber tal coisa, e você deve tomar cuidado para não escutar mais nada sobre isto".
Von Raumer conclui esta passagem com um conselho que chama a atenção para a vergonha da mãe e lhe aconselha que envergonhe a filha:
"Uma menina verdadeiramente educada sentirá vergonha dali em diante de ouvir coisas deste tipo".
Este conselho sugere três quebra-cabeças diferentes:

1. Por que o autor, Von Raumer, oferece para a mãe um conselho tão absurdo?
2. Por que a mãe segue o seu conselho (como a maioria o fez)?3. Por que as filhas o seguem (como a maioria o fez)?
A Teoria feminista moderna poderia responder à primeira pergunta afirmando que o conselho de Von Raumer surge a partir de sua posição de poder: ele buscou dar continuidade a supremacia masculina, aconselhando a mãe que agisse segundo o modelo consoante com o papel das mulheres como subordinado ao dos homens: o papel da mulher é kirche, kueche, kinder (igreja, cozinha, crianças).
Mantendo as mulheres ignorantes da sexualidade e da reprodução poderia, talvez, assim, ajudar a dar continuidade a este sistema.
Esta formulação provavelmente é parte de uma resposta completa, mas não atende às outras duas perguntas.
Por que as mães e as filhas submetem-se a ignorância?
A formulação de Elias provê uma resposta para todas as três perguntas, sem contradizer a resposta feminista.
Cada uma destas pessoas, o homem e as duas leitoras hipotéticas, a mãe e a filha, são detentores da mesma vergonha, em relação a questão da sexualidade, para pensarem claramente sobre ela.
Poderia ser verdade que o conselho de Von Raumer fizesse parte de uma posição chauvinista masculina dele, mas é também verdadeiro que ele se encontrava bastante envergonhado para pensar no significado do seu conselho também.
Pensamentos e emoções são partes de uma mesma cadeia causal.
O estudo de Elias sugere, assim, um modo de compreensão sobre a transmissão social do tabu sobre a vergonha.
O adulto, o autor Von Raumer neste caso, se encontra não só envergonhado sobre a questão sexual, mas se encontra, principalmente, envergonhado de se encontrar envergonhado e, provavelmente, envergonhado da vergonha que ele despertará no leitor dele.
A mãe, respondendo ao texto de Von Raumer, por sua vez, reagirá, provavelmente, de um modo semelhante, e se envergonhará, e ficará envergonhada de estar envergonhada, e ficará envergonhada de causar mais adiante vergonha na filha.
O conselho de Von Raumer é, deste modo, parte de um sistema social no qual o esforço para um tipo de delicadeza civilizada resulta em uma reação em cadeia infinita de vergonha não nomeada, anônima.
A reação em cadeia se dá, ao mesmo tempo, no interior das pessoas e entre elas, uma espécie de "triplo espiral": uma espiral dentro de cada outra, e entre elas mesmas (Scheff, 1990).
Elias mostrou que havia muito menos vergonha no que diz respeito aos costumes e as emoções, na primeira parte do período por ele estudado, do que havia no século XIX, e então, deduzo, muito menos vergonhas entrelaçadas.
No final do século XVII e começo do XVIII, uma mudança começou a acontecer nas formas de aconselhamentos sobre costumes e maneiras. O que era dito abertamente e diretamente no passado começa a ser apenas indicado, ou não completamente dito.
Além disso, justificações abertas são cada vez menos dadas. Uma pessoa é cortês porque é a coisa certa a fazer. Qualquer pessoa decente será cortesã; a intimação deixa de ser direta. As más maneiras não estão apenas erradas pela ação e demonstração pessoal, mas tornam-se indizíveis, de agora em diante. Este é o início da repressão.
As mudanças que Elias documenta são graduais mas de caráter inexorável. Em uma continua sucessão de pequenos desenvolvimentos, os manuais vão se tornando silenciosos sobre a confiança de costumes, de estilos e de identidade sobre o respeito, a honra e o orgulho, e sobre a ausência da vergonha e do embaraço.
No final do século XVIII, a base social do decoro e da decência tinha ficado virtualmente indizível. Distinto de Freud ou de qualquer um outro, Elias documenta, passo a passo, a sucessão de eventos que conduziram à repressão das emoções na civilização moderna. No século XIX, segundo Elias, novos modos são inculcados, de adulto para adulto, através de um discurso verbal no qual justificações são oferecidas. A socialização modifica-se pouco a pouco, passa das mudanças lentas e conscientes realizadas por adultos durante séculos, para uma doutrinação rápida e silenciosa das crianças, desde a mais tenra idade. Nenhuma justificação é oferecida à maioria das crianças; a cortesia tornou-se absoluta.
Além disso, qualquer a pessoa decente não teria que ser contida, como foi sugerido no texto interpretado acima. Nas sociedades modernas, a socialização da maioria das crianças, automaticamente, inculca e reprime a vergonha.
Embora a análise de Elias da mudança do limiar da vergonha na história européia agora pareça extraordinariamente importante, foi a última vez que ele explicitamente se referiu a este processo. Nenhum dos seus muitos trabalhos subseqüentes retornou a uma análise explícita da vergonha.
Na próxima seção, comparando a sua experiência com a de Sennett, sugerirei uma explicação.

Richard Sennett

Richard Sennett

Embora The Hidden Injuries of Class (1973) traga uma mensagem poderosa, não é um livro fácil para resumir. A sua narrativa é desenvolvida através de citações e trechos de entrevistas, e as interpretações do autor sobre os significados destas citações. Ele não constrói um esquema conceitual e um método sistemático para análise das entrevistas e observações. O leitor é levado, por isso, a construir o seu próprio esquema conceitual, como o que irei fazer agora.

O livro está baseado em um ano de observação participante (iniciado em julho de 1969) em comunidades, escolas, clubes locais e bares, e 150 entrevistas com membros masculinos, brancos, da classe trabalhadora, principalmente italianos e judeus, na cidade americana de Boston (p. 40-41).

As Hidden Injuries que Sennett e Cobb descobriram pode ser parafraseado do seguinte modo: seus informantes sentiam que, primeiro, por causa de sua classe e posição ocupacional, não foram a eles outorgados o respeito que deveriam ter obtido de outros, particularmente dos seus professores, chefes, e até mesmo de suas próprias crianças.

Segundo, um dano mais sutil: estes homens também sentiam, de algum modo, que a sua classe e sua posição ocupacional eram, pelo menos em parte, produto de suas próprias faltas. Sennett e Cobb sustentam que a classe social é a responsável para ambos os danos. Eles acreditam que os seus trabalhadores não adquiriram o respeito que mereciam por causa de sua classe social, e que o segundo dano, a ausência de um auto-respeito, também é falta da classe a que pertencem, em lugar de uma falta dos homens, como a maioria deles pensam.

Sennett e Cobb discutem que na sociedade americana, o respeito que a pessoa recebe está, em grande parte, baseado na realização individual da pessoa. A extensão das realizações dá uma identidade que os destaca da massa.

O papel das escolas públicas no desenvolvimento de formas de habilidades é um dos eixos centrais do argumento de Sennett e Cobb. Aos seus informantes faltou o auto-respeito, afirmam os autores, porque a instrução de meninos da classe trabalhadora não faz com que se desenvolvam os talentos individuais de cada um, de modo que lhes permitisse estar de fora da massa quando adultos. Na língua da sociologia da emoção, eles carregam um fardo de sentimentos de rejeição e inadequação, que são, pode-se dizer, a baixa auto-estima crônica e o sentimento de vergonha.

Sennett, que fez a parte de observação participante do estudo, reportou-se completamente a uma escola particular, a Watson School, que ele observou. Ele sugere que "os professores atuam sobre as suas expectativas sobre as crianças de modo a tornar estas expectativas em realidade" (p. 81).

Uma de suas observações concerne a uma turma de segundo grau: nesta turma haviam duas crianças, Fred e Vincent, cujas "roupas foram costuradas e pareciam de melhor formato" do que as demais roupas infantis:
"Em uma classe de crianças italianas, em sua maior parte escuras, eles foram logo notados. De início, o professor separou as duas crianças (...). Para elas, ele falou com um calor especial na voz. Ele nunca as louvou abertamente (...) mas uma mensagem que eles eram diferentes, e melhores, foi espontaneamente espalhada." (p. 81)


Sennett e Cobb discutem que os professores elegem para atenção e elogio apenas uma porcentagem muito pequena dos estudantes, normalmente estudantes que são talentosos ou de classe média, ou mais próximos em ações e aparência da classe média. O elogio e a atenção permitem aos estudantes desenvolver o potencial para sua realização. A maior parte dos meninos, contudo, são ignorados e, de modo sutil, rejeitados:


"(...) quando as crianças completam dez ou onze anos a divisão entre os muitos e os poucos já é, como que, esperada e existe uma expectativa ‘para que eles façam algo por eles mesmos’ lá fora, ao ar livre (...). [A massa dos] meninos na ação de classe, parece como se eles estivessem servindo um tempo, como se o trabalho escolar e turmas tivessem se tornado em algo vazio, como um hiato, um espaço em branco nas vidas que eles esperam sobreviver (...)." (pp. 82-83)

Esta declaração é uma acusação condenando as escolas públicas. Existem apenas alguns poucos meninos da classe trabalhadora que alcançam e desenvolvem o seu potencial em virtude do seu talento acadêmico ou atlético superior.

A grande massa, porém, não o faz. Para estes últimos, antes que haja uma abertura do mundo da cultura e da realização pessoal, as escolas públicas fecham esta possibilidade. A educação, em lugar de se tornar uma fonte de crescimento pessoal e cultural, provê apenas vergonha e rejeição.

Para a maioria dos estudantes das escolas públicas, sobrevivendo dia após dia, a educação significa uma constância de sentimentos de vergonha e embaraço todos os dias. Estes estudantes aprendem, em torno do segundo ou terceiro grau, que é melhor ficar calado na classe do que correrem o risco do ridículo ou da humilhação de uma resposta errada. Até mesmo os estudantes que possuem as respostas corretas tem que lidar com a pronúncia certa, a vestimenta ou a aparência física apropriada. Para a maioria dos estudantes, o processo de educação é um vale de vergonha.

Vergonha Nomeada e Anônima

Embora Elias tenha dito claramente no The Civilizing Process que a análise sobre a vergonha é o elemento chave da sua argumentação, esta informação encontra-se muito menos clara no seu estudo (com Scotson), intitulado The Established and the Outsiders (1965).

Neste estudo, a vergonha não é a sua preocupação central, mas se encontra indiretamente presente na idéia de que os estranhos, ou os de fora, são estigmatizados.

No seu trabalho denominado de The Germans (1996), mais uma vez de modo não explícito, os jogos de vergonha desempenham um forte papel. Embora a palavra vergonha e suas variantes (embaraço, humilhação, baixa auto-estima, falta de autoconfiança, entre outras) apareça centenas de vezes literalmente, Elias sempre não explicita, nestes outros trabalhos, que a noção de vergonha seja o conceito chave, como ele fez em The Civilizing Process.

Em uma contagem da palavra em um índice remissivo de The Germans, encontrei mais de quinhentas referências sobre o termo vergonha e seu cognatos. Por razões que não são imediatamente óbvias, nos últimos dois livros a palavra vergonha foi demovida de um conceito para uma palavra vernácula.

O argumento de Elias no seu recente livro é que os alemães, como pessoas e como nação, historicamente estiveram impossibilitados de responder a humilhação de qualquer outro modo que não lutando. O argumento dele é bastante semelhante a minha análise (Scheff, 1994) da fúria pela humilhação, surgida durante o período das três guerras Franco-Alemães (1870-1945). Propus que, por causa da derrota francesa em 1871, a vergonha indizível foi um elemento chave, no lado francês, para a direção rumo a Primeira Guerra Mundial, e seguindo a sua derrota em 1918, sobre o lado alemão, levou à Segunda Guerra Mundial.

Neste estudo e em outros publicados por Retzinger (1991) e Scheff e Retzinger (1991), definimos a vergonha e a vergonha/raiva como conceitos técnicos para documentar suas ocorrências em textos específicos, como os telegramas trocados entre os chefes de estado durante a Primeira Guerra Mundial.

Com o sucesso de Elias em analisar a vergonha, em seu livro The Civilizing Process, por que ele não desenvolveu mais tarde uma concepção técnica sobre a vergonha, e a deslocou para uma concepção técnica de interdependência? Não há nenhum modo seguro de responder esta pergunta, mas uma possibilidade concerne na resposta da audiência a este livro.

A menos que eu esteja enganado, não houve resposta para a sua análise sobre a vergonha, embora esta represente um papel central em sua tese. A única menção eu pude achar está em Sennett (1980), que reconheceu a aplicabilidade da análise sobre a vergonha de Elias para o problema do controle social: Sennett argumenta que a vergonha e a dependência sócio-econômica estão entrelaçadas (pp. 45-49), e que a vergonha representa um papel central, como ferramenta de disciplina de trabalhadores, pela administração e empresas (pp. 92-97).

Embora a vergonha seja o dano principal nos primeiros estudos de Sennett e Cobb, The Hidden Injuries of Class (1971), os autores não a conceituaram como tal. Embora eles se refiram ao livro de Lynd (1958) sobre a vergonha (pág. 127), seu estudo sobre homens da classe trabalhadora é expresso, em grande parte, nas próprias expressões do vernáculo masculino. Estes homens falaram do sentimento do que não tinham conseguido, como uma falta deles, que deveria haver algo errado com eles, que lhes faltavam o auto-respeito. A frase "falta de auto-respeito" freqüentemente acontece, se não universalmente, no conjunto das reclamações dos homens sobre eles mesmos.

Sennett e Cobb não classificaram estas várias respostas como pistas para a compreensão do sentimento de vergonha, como eles poderiam ter feito (Retzinger, 1990; 1995). Ao invés, eles usaram os mesmos códigos dos seus informantes, para continuar escondendo a já escondida impossibilidade de nomeação.

Aparentemente, com a publicação de The Civilizing Process em inglês (1978), com sua conceituação aberta sobre a vergonha como um componente chave do processo civilizatório, Sennett sentiu-se encorajado para apontar para o sentimento de vergonha diretamente e abertamente em seu livro intitulado Authority (1980). Porém, da mesma maneira que não houve virtualmente nenhuma resposta para a análise da vergonha em Elias, também não houve nenhuma para Sennett. Da mesma maneira que Elias, Sennett não desenvolveu um conceito técnico de vergonha, e esta emoção desapareceu no seu mais recente trabalho.

Espero não estar levantando um ponto para uma conclusão de que Elias e Sennett ficaram envergonhados e em silêncio pelo silêncio de suas audiências. Minha explicação é que a habilidade misteriosa de Elias e a sua perspicácia o conduziu a uma análise do processo subjacente em nossa civilização que também se encontrava avançado em sua audiência.

Nas sociedades ocidentais, como Elias demonstrou, o limiar para a vergonha tem avançado por centenas de anos mas, ao mesmo tempo, a consciência desta emoção tem declinado.

Como a sua própria análise poderia ter predito, em nossa sociedade o nível de consciência sobre a vergonha é tão baixo que só os treinados para descobri-la, de forma não nomeada, anônima, poderiam entender a análise que Elias estava produzindo.

Porque Retzinger e eu fomos guiados pelo trabalho de Lewis (1971), ficamos habilitados para compreender a análise sobre a vergonha em Elias. Nós desenvolvemos um conceito técnico sobre a vergonha e um método que permitem descobri-la nos textos nos quais ela se encontra escondida ou disfarçada (Scheff 1990; Retzinger 1991; Scheff & Retzinger, 1991; Scheff 1994).

Nós definimos vergonha como uma extensa família de emoções com muitos cognatos e variantes, alguns, dos quais não são negativos (como na palavra francesa puedeur (3)). Nós também localizamos o modo no qual a vergonha regula e amplia outras emoções, como na vergonha-ira de braços dados com a fúria-humilhação.

Para nossa surpresa, achamos depois que nosso conceito técnico de vergonha é muito semelhante à concepção de vergonha em muitas sociedades tradicionais (4). Em Maori e mandarim, o léxico ‘emoção’ é muito maior do que nos idiomas europeus, e muito mais central. A vergonha e a vergonha/ira são idéias familiares nestes idiomas, e constantemente aludiu-se para o discurso ordinário. Especialmente em Maori, os efeitos destrutivos da vergonha não nomeada, anônima, estão claramente estampada, como em Elias e nas formulações de Scheff e Retzinger.

A compreensão de Scheff e Retzinger sobre a vergonha está associada ao desenvolvimento do conceito de Lewis sobre a vergonha. Mas o trabalho de Lewis também serviu de guia para Helen Lynd (1961).

Na próxima seção, eu procurarei fazer um esboço de suas contribuições.


Helen Lynd

Helen Lynd

Helen Lynd foi uma socióloga muito conhecida durante a sua vida. Com o seu marido, também sociólogo, Robert Lynd, ela publicou o primeiro estudo sobre uma comunidade americana, intitulada Middletown and Middletown in Transition. Lynd, porém, também estava profundamente interessada em desenvolver uma experiência interdisciplinar entre as ciências humanas. No seu estudo On Shame and the Search for Identify (1958), ela buscou trabalhar com os lados social e psicológico da vergonha. Ela também nomeou claramente a emoção e seus cognatos, e locou o seu estudo previamente no interior de um campo de estudos sobre a vergonha.

Embora o próprio Freud tenha diminuído a importância do sentimento vergonha para os adultos, enfatizando ao invés a ansiedade, a culpabilidade, e a raiva, tem sido realizado um número significante de estudos sobre a vergonha no campo da tradição psicanalítica.

Lynd, contudo, modificou e estendeu o estudo de vergonha desenvolvendo um conceito, e integrando seus componentes sociais e psicológicos.

Nos primeiros dois capítulos do seu estudo sobre a vergonha, Lynd introduziu o conceito de vergonha e usou exemplos retirados da literatura, freqüentemente discursos, como forma de clarificar cada afirmação expressa. Na seção seguinte, ela elaborou um comentário critico sobre os usos em vigor sobre as noções de emoção e comportamento na psicologia e nas ciências sociais. Ela manteve-se especialmente crítica em relação a psicanálise ortodoxa e as tendências quantitativas convencionais. Buscou, então, introduzir algumas idéias extraídas de tendências menos conhecidas e demonstrou como elas poderiam vir a solucionar algumas das dificuldades na compreensão e análise sobre a vergonha. Finalmente, ela ampliou a discussão para o conceito de identidade, sugerindo que este conceito poderia servir para unificar as tendências existentes nas ciências sociais, através da integração dos conceitos de EU, de ego, e de papel social sob a idéia analítica e compreensiva mais ampla contida no conceito de identidade.

A pesquisa de Lynd sobre a vergonha é muito mais analítica e consciente do que a de Elias ou Sennett. Elias e Sennett trataram ainda a vergonha como uma palavra vernácula, em lugar de um conceito. Para eles, a vergonha apresentou-se, e foi apresentada, como um elemento que pulou para fora dos seus dados, como algo inevitável.

Lynd, porém, aproximou-se do sentimento vergonha deliberadamente, como parte integrante de sua busca compreensiva e da sua exploração analítica sobre identidade. Primeiro ela buscou explicar o seu desconforto com o uso e domínios técnicos em uso nas tendências analíticas existentes:


"(...)as técnicas existentes para o estudo da natureza humana nunca foram tão abundantes; nunca houveram tantas pessoas ocupadas com seus usos. Se a compreensão da identidade... poderia ser realizada por tais meios, [o problema de identidade] teria assegurado a sua solução. Mas como todo modo de ver também é um modo de não ver, a mesma multiplicação de categorias e a mesma precisão, de técnicas podem também... atuar como barreiras (...). Certas experiências, não facilmente etiquetadas, diluíram-se, completamente, através das categorias ou, se informaram uma localização e um nome, circunscreveram-nas de tal um modo que o seu caráter essencial ficou perdido... Entre estas experiências, encontram-se... a vergonha, a ansiedade, a alegria, o amor, o sentimento de honra, a admiração, a curiosidade, o desejo, o sentimento de orgulho, o respeito próprio. Destas, apenas a ansiedade foi assunto de um amplo e especializado estudo." (1958: 16)


Note-se que a lista de Lynd contém três outros tópicos, além da vergonha, que estão estreitamente relacionados ao ato de envergonhar.

São eles: o sentimento de honra, o sentimento de orgulho, e o auto-respeito.

Os estudos sobre emoções entre-culturas, realizados por Paul Ekman (1972), são um bom exemplo do que ela está dizendo sobre o sentimento de vergonha. Este conceito perdendo-se, analiticamente, sufocado pela rede de técnicas em uso. Embora a vergonha seja, obviamente, uma emoção central em todas as culturas e eras históricas, Ekman e o seu grupo de trabalho a omitiram completamente, como muitos outros estudiosos da emoção.

Lynd explica que a vergonha, seus cognatos e emoções a ela relacionadas, foram deixados de fora dos estudos porque se encontram profundamente silenciadas, mas estão, também, e ao mesmo tempo, tão intricadas nos negócios humanos quanto pode ser sentida a relação da água para o peixe. Ela afirma este ponto de muitos modos, mas, aqui particularmente, através da sua distinção cuidadosa entre o sentimento de vergonha e o de culpabilidade.

Ela nota que a culpabilidade é normalmente sentida como extremamente específica e se encontra perto da superfície; envolve atos específicos feitos, ou não realizados. A culpabilidade, desta forma, está próxima ao que uma pessoa fez. A vergonha, por seu turno, se encontra sobre o EU, sobre o que a pessoa é. A culpabilidade, também, envolve sentimentos de que o ego é forte e intacto: a pessoa é poderosa o bastante para ferir o outro, e a pessoa também é poderosa o bastante para fazer indenizações.

A vergonha, por contraste, apresenta-se através de um sentimento de fraqueza e de dissolução do ego, ou mesmo através do anseio interior de sufocação e desaparecimento do EU. A culpabilidade é uma emoção altamente individualista, reafirmando a centralidade da pessoa isolada. A vergonha é uma emoção social e reafirma a interdependência emocional das pessoas.

O trabalho de Lynd, junto com Lewis (1971), provê a consolidação de um campo científico para o estudo sobre o sentimento vergonha, e um jogo de direções e diretrizes para a sociologia e a psicologia da emoção.

O desenvolvimento de um conceito para o sentimento vergonha, que inclui definições analíticas e operacionais, é de uma importância crucial para o estudo científico desta emoção. Pode parecer que os testemunhos subjetivos sobre os estados da vergonha não sejam válidos. A maioria dos estados da vergonha não são experienciados conscientemente, mas se encontram no inconsciente ou não são nomeados. São evitados ou se encontram em formas latentes, como uma vergonha indiferenciada, aqui utilizando a terminologia de Lewis (1971). Por esta razão, estudos que confiaram apenas em testemunhos subjetivos dos informantes, ao invés de observações aprofundadas contidas nestes discursos, foram hábeis em omitir, na maior parte deles, a vergonha.

Também não está claro que relatos dos testemunhos dos informantes são sobre sua própria vergonha e não de outros, e de que outros relatos são necessários. Novos estudos são fundamentais para que se estabeleça a validade destes relatos subjetivos sobre a vergonha. Um possível projeto terá de basear-se nos relatos subjetivos das experiências com o sentimento vergonha do EU e dos outros, em um diálogo que possa ser gravado em vídeo. Deste modo, a validade das narrativas poderia ser conferida e contrastada com avaliações de especialistas.

Retzinger (1991) descobriu que, quando mostrou aos seus informantes o vídeo de suas disputas, a maioria deles pode identificar a raiva nas suas próprias faces, até mesmo quando não tinham sido chamados a atenção para isso, na ocasião. Mas nenhum deles pode identificar vergonha nas suas próprias faces e gestos. Este e outros trabalhos sugerem, assim, que ainda é prematuro basear estudos sobre o sentimento vergonha apenas tendo por base as narrativas dos informantes.

Para continuar o seu desenvolvimento, a sociologia e psicologia da emoção devem seguir os parâmetros desenhados por Elias, Sennett, e Lynd. Se pudéssemos concordar com um método fidedigno e válido para o estudo da vergonha, poderíamos começar testando as hipóteses chaves sobre a vergonha coletiva estabelecida por estes pioneiros, de que a vergonha está aumentando nas sociedades modernas mas, e ao mesmo tempo, a consciência sobre a vergonha está diminuindo, e, de que, os membros da classe trabalhadora e das classes baixas encontram-se tocados pelo sentimento de vergonha pelo seu próprio status.

Há muitas possibilidades de testes de hipóteses implicadas em Lynd (1961). Uma centralmente importante é a do efeito de reconhecer a vergonha no laço, na rede de onde emerge: ela propôs que um laço estará seguro pela extensão do reconhecimento da vergonha entre os participantes. Esta idéia também foi central para os trabalhos de pesquisa desenvolvidos por Lewis (1971) e pela sua prática altamente estimulante em psicanálise, mas ainda tem que ser testada objetivamente.

Referências Bibliográficas


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Notas

1) Traduzido pelo prof. Mauro Guilherme Pinheiro Koury (PPGS-UFPb, Campus I, João Pessoa), com permissão do autor, do original em inglês, "Three pioneers in the sociology of emotion", datado de 14/ ago./ 1997. Disponível em: http://sscf.ucsb.edu/~scheff/2.html. Acesso em: 24/ abr./ 1998.

2) Professor emérito do Departamento de Sociologia da University of California at Santa Barbara, EUA.

3) Que possui o significado de timidez, modéstia, e em grego clássico, temor.

4) Para o caso de mandarim chinês, veja Shaver et al (1992); para o léxico envergonhar dos Maori, ver Metge (1986).




ABSTRACTTHREE PIONEERS IN THE SOCIOLOGY OF EMOTION

Emotions became important in sociology when three sociologists dealt with a specific emotion. This essay deals with the work on collective shame by Norbert Elias (The Civilizing Process, 1994) and Richard Sennett (The Hidden Injuries of Class, 1973), and the development of the concept of shame by Helen Lynd (On Shame and the Search for Identity ,1958). KEYWORDS: Emotion and Society; Sociology of Emotion; Collective Shame; Norbert Elias; Richard Sennett; Helen Lynd.

2 comentários:

EliseLindy disse...

adorei a sociologia das emoções.

carlosbarros666 disse...

Excelente conteúdo. Parabéns pelo Blog. Carlos Barros