
2. Sobre a nova organização social da ilusão
“... a força dos fantasmas está justamente em sua irrealidade” (Eco e Martini, 2000)
2.1. O suporte material no fetichismo: do valor trabalho ao valor da experiência
O termo“fetichismo da mercadoria” já é amplamente consagrado na teoria sociológica marxista, sendo tomado especialmente como ponto de partida para sua crítica à Economia Política do século XIX, no período de consolidação do capitalismo industrial. A construção do conceito deu-se, portanto, a partir de uma interpretação da realidade da época, enfocando aspectos objetivos e subjetivos ligados à nova forma social estabelecida pelo capitalismo vigente. Portanto, a uma organização social da produção, poderíamos dizer que Marx respondeu com uma“organização social da ilusão”.Dos muitos aspectos trabalhados no“fetichismo da mercadoria”, um em especial ainda se sustenta (e não por acasoprecisa ser retomado em uma discussão sobre o novo estatuto do fetichismo na sociedade de consumo contemporânea): de que o valor da mercadoria não está no próprio corpo da mercadoria. Para Marx, ele é produto de uma organização social: da que produz a mercadoria (força-trabalho/valortrabalho/mais-valia) e da que consome a mercadoria, que mediante valores culturais da época, também passa a valorizar a mercadoria (valor-desejo/valor-de-gozo). Portanto, em Marx, o fetichismo da mercadoria indicava uma espiritualização do corpo-mercadoria, embora a mercadoria ainda fosse vendida como aquilo que era: algodão, café etc.Com o desenvolvimento tecnológico a partir dos anos 1960 e a criação da imagem de marca, a mercadoria ganhou uma alma, aquela alma que Walter Benjamin ainda se perguntava, 50 anos depois dos escritos marxistas. Se a mercadoria tivesse uma alma,“aquela alma com a qual Marx ocasionalmente faz graça –, ela seria a mais plena de empatia já encontrada no reino das almas, pois deveria procurar em cada um o comprador a cuja mão e a cuja morada se ajustar” (1989, p. 52).Pois essa forma de organização social da ilusão pela imagem foi proveniente de transformações tecnológicas, desafios concorrenciais (diferenciar produtos homogêneos pela imagem de marca), sociais (sociedade da abundância do pós-segunda guerra) e culturais (busca de ilusões, suspensão da descrença). Com isso, começou a se dar um descolamento maior da imagem. Esta começou a ser veiculada sem ter, muitas vezes, nenhuma relação com o produto em questão. Algo que já começou a ficar patente no final dos anos 1960, quando Guy Debord denominou a sociedade como“do espetáculo”, tendo em vista a força da imagem, não apenas do ponto de vista de seu consumo social, mas especialmente de sua força produtora de valor.Este descolamento da imagem começou a se operar de maneira tal, que nos anos 1980 começou-se, na literatura crítica, a elaborar um pensamento sobre uma forma de anúncio publicitário que não fazia sentido, a chamada“propaganda nonsense” (Lipovetsky, 1989).Portanto, já não se tratava mais de acusar os meios de comunicação de massas de promoverem uma forma“idealizada” de imagens que“alienariam” o telespectador-consumidor diante da telinha. De alguma maneira, a nova configuração sócio-cultural dada pela imagem chegou ao ponto de permitir que o mercado“jogasse” com essa exposição absoluta da ilusão, e a ela correspondesse uma forma de consumo na qual o sujeito“sabe que consome ilusões, mas age como se não soubesse”.De lá para cá, portanto, vivemos um recrudescimento do fetichismo, ao que denominei de“fetichismo das imagens”, procurando entender como nossa atual realidade social está sendo produzida, veiculada e apreendida a partir de uma lógica da produção globalizada de imagens, no sentido do que isso altera em termos de nossa subjetividade. Pois“nossas crenças precisam de um suporte, de uma certa materialidade”, portanto, a uma organização social da ilusão corresponde sempre uma organização social da produção.Como já disse, anda em curso um processo que tem gerado um deslocamento do valor, pois esse passa a se colar cada vez mais na imagem do produto. Com isso, o valor começa a flutuar em torno de uma comunidade de informação – conforme apontado no excelente texto de Harvey (2003). Não que o valor trabalho tenha perdido seu sentido – pelo contrário, as fábricas terceirizadas comprovam isso – mas certamente perdeu sua força na“nova organização social da ilusão”. Quando Lacan, por exemplo, diz que Marx“inventou o sintoma”, Zizek (1991) vai procurar interpretar tal frase a partir de uma análise mais apurada do fetichismo da mercadoria. Pois no fetiche nós temos uma mercadoria-exceção que sustenta (e nega) um discurso universal de liberdade e igualdade – o trabalhador –; e mediante um saber sobre a mais-valia surge um sintoma: a luta de classes (que é onde a verdade reprimida volta). Uma luta que se sustentou em cima da questão do valor. Porque é isso que produz efeito, onde“a realidade resiste”. A luta foi, portanto, do interior do sistema, de algo que o sistema produziu: mercadoria-exceção/força de trabalho.Voltando: no fetichismo das imagens embaralha-se essa questão do valor. Hoje houve um descolamento tal da imagem de seu produto e uma hiper-valorização tão absoluta da imagem, que o fetichismo da imagem inverte a busca pela espiritualização do corpo (tão característica do fetichismo da mercadoria), e pelo contrário, o que vemos é a tentativa de materialização desse espírito (imagem), que anda à solta, em uma mercadoria. Hoje é a mercadoria que depende inteiramente da imagem. O fetichismo da imagem dá, então, um passo a mais, e para me referir a isso vou parafrasear Slavoj Zizek (2003) afirmando que o fetichismo da imagem“torna manifesta a estrutura fantasmática” da mercadoria.E é nesse tornar-se manifesta que percebemos o passo a mais que é dado em relação ao fetichismo da mercadoria de Marx. Pois essa“cena fantasmática” interpretada do ponto de vista da realidade social indica antes de tudo que a mercadoria (o corpo mercadoria) passa a ser vista como desnecessária (assim como a mercadoria-exceção: o trabalhador). A imagem é que passa a ser compreendida como fonte de desejo, e portanto, de valor.Sem dúvida, o suporte materialista para pensarmos os desdobramentos do fetichismo está na questão do valor, pois ele é o“Real da ilusão” no qual estamos enredados. E foi em busca dessa compreensão, a partir de uma análise interna aos mecanismos do marketing na sociedade de consumo contemporânea, que constatei o estágio atual do fetichismo das imagens“coincidindo” com um momento do desenvolvimento econômico no qual dá-se início a uma nova etapa comercial em que a mercadoria torna-se, de fato, desnecessária. Trata-se da“economia do acesso” – uma forma de economia que promove o acesso a serviços e experiências, a fim de que se possa deles gozar, sem que se obtenha a propriedade do serviço. Ou seja: o capitalismo está entrando em uma nova fase na qual o acesso a um bem ou serviço passa a ser mais importante do que a compra/propriedade desse serviço. E isso altera radicalmente a noção de propriedade, um dos elementos centrais do capitalismo industrial e do contrato social moderno. Assim como a questão do valor: veicula-se agora o valor da experiência.Convém ressaltar, antes de qualquer coisa, que a assunção do consumo da experiência não é uma novidade absoluta nos nossos dias. Desde os princípios da indústria cultural a mercadoria foi veiculada como o acesso a uma experiência de diversão, entretenimento, gozo, fruição. A novidade agora está em este modelo tornar-se hegemônico para outras áreas da economia, especialmente em um momento no qual o fetichismo das imagens já vem acusando uma sobreposição da imagem à mercadoria.Pois em uma“economia do acesso” investe-se no“uso dos prazeres”, para usarmos a expressão foucaultiana. Ou, como indicam as novas pesquisas de mercado de tendências culturais, o próximo“desejo fundamental” estará atrelado a uma busca por experiências psicoespirituais e pela ressensibilização do corpo (pela via sensorial), seja em que campo mercadológico for. Portanto, seja mediante o“acesso” (sem que ocorra a propriedade do serviço), ou através da compra de alguma mercadoria, o que está em jogo é“o valor da experiência”, especialmente atrelada a uma experiência psicoespiritual ou sensorial.O“valor da experiência” torna claro algo que, segundo Bauman – baseado no estudo de Goux (1990) –, já estava presente desde o início da formação da sociedade de consumo avant la lettre:
quando a teoria do valor trabalho de Smith/Ricardo/Marx/Mill foi confrontada pela teoria da utilidade marginal de Menger/Jevons/Walras: quando se disse, em alto e bom som, que o que dá valor às coisas não é o suor necessário à sua produção (como diria Marx), ou a renúncia necessária para obtê-las (como sugeriu Georg Simmel), mas um desejo em busca de satisfação; quando a antiga disputa sobre quem seria o melhor juiz do valor das coisas, se o produtor ou o usuário, foi resolvida em termos não ambíguos em favor do usuário, e o problema do direito de emitir um juízo competente se misturou com a questão dos direitos da autoria do valor. Quando isso aconteceu, ficou claro que (...) para criar valor, basta criar, por qualquer meio, uma intensidade suficiente de desejo e que o que em última análise cria o valor excedente é a manipulação do desejo excedente (2003, p. 117-118).
O porque disso só ficar evidente no estágio contemporâneo tem claramente a ver com a forma como se maneja o valor na“organização social da ilusão” em sua relação com o modo social de se produzir. Somente quando chegamos ao estágio no qual um certo desenvolvimento tecnológico, econômico e cultural permitiu tornar exposta a“cenafantasmática da mercadoria” é que o valor dá o seu salto qualitativo. É a partir daqui que podemos nos perguntar: como se organiza a ilusão a partir desse instante em que a própria ilusão se torna manifesta? O que significa, então, um mundo – uma sociedade – no qual a fantasia apresenta-se em estado puro, torna-se aparente? Isso nos impõe pensarmos em outra questão central do fetichismo: a ilusão.
2.2. O estatuto da ilusão no fetichismo: Marx, Freud e desdobramentos contemporâneos
A relação estabelecida entre fetichismo e ilusão, no projeto de pesquisa de pós-doc, resultou dos achados da pesquisa de doutorado sobre“o fetichismo das imagens”, nos quais me deparei com uma forma de consumo na qual o sujeito sabe que as imagens que consome são ilusórias, mas age como se não soubesse. Portanto, essa questão foi o ponto central que me levou a estabelecer um diálogo entre a teoria marxista e a teoria psicanalítica, pois é exatamente no ponto em que fetichismo e ilusão se atrelam nesses dois campos do conhecimento que podemos compreender onde está a diferença fundamental no uso do termo.E ela está no fato de que, enquanto para Marx, no fetichismo da mercadoria, a ilusão estava relacionada a um“falso saber”, uma falsa consciência a ser esclarecida, portanto, a um momento de ocultamento de uma verdade a ser descoberta (a ideologia seria esse mecanismo do poder que possibilitaria um ocultamento da verdade a ser revelada); na psicanálise freudiana o fetichismo revela-nos uma forma de ilusão mais complexa, que tem seu momento de verdade. Ou seja, há uma ilusão que não deixa de negar uma certa realidade. Daí, o desmentido:“eu sei, mas...” (Zizek, 1996).Porém em Freud, a perspectiva do fetichismo é a da clínica, a partir de uma psicopatologia que o vincula a certos quadros perversos específicos. Seria necessário fazer um trabalho de passagem de uma ilusão típica de uma clínica da perversão para uma forma de“ilusão socialmente necessária”. Trabalho este primeiramente empreendido pelos autores da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, que baseados em uma realidade de época traçaram um paralelo entre Marx e Freud, a partir do ponto no qual era preciso compreender uma subjetividade forjada por uma forma social fetichista, no sentido preciso de que estaríamos vivendo uma“perversão total da cultura”.Por conta do dispositivo fascista de propaganda política, estendido para o econômico, esses autores estenderam sua análise para a realidade histórica americana – como a indústria cultural e um de seus correlatos: a propaganda –, que representava o modelo mais acabado de uma forma social que produz homens capazes de reagir a“estímulos, dos quais, inclusive, sentem necessidade” (Adornoe Horkheimer, 1973, p. 185-192), e onde o fetichismo passa a ser compreendido como o momento no qual a ideologia torna-se realidade de si mesma. Esses autores estavam se dando conta dos primórdios da sociedade de consumo de massas, com seus fenômenos correlatos de homogeneização e de total equivalência dos objetos tornados mercadoria, quando já começava a se tornar necessária uma nova organização social da ilusão, que viria a se dar pelas imagens.Denunciar uma fetichização total da cultura e insistir em uma releitura do fetichismo da mercadoria a partir da adequação entre os fatores objetivos e subjetivos do desenvolvimento capitalista foi um avanço enorme na teoria crítica existente, empreendimento que Adorno faz de maneira excepcional ao propor que a“própria mudança das relações de produção depende largamente do que se passa na ‘esfera do consumo’, mera forma de reflexão da produção e caricatura da verdadeira vida: na consciência e na inconsciência dos indivíduos” (1992, p. 8).Mas tal empreendimento ainda deixava problemas com relação à subjetividade. Na crítica a uma“perversão da cultura” ainda havia nos autores frankfurtianos um projeto utópico de reconciliação entre“moções pulsionais e estrutura social”, especialmente a partir de um“fortalecimento do eu” (Adorno). Como mostra Safatle (2004), a“expropriação do inconsciente pelo controle social que se imporia devido à fraqueza do eu”, denunciada por Adorno, encontra algo muito similar ao dito lacaniano de que estaria havendo uma“assimilação social do indivíduo levada ao extremo”, com a exceção de que para Lacan“o eu não é exatamente uma instância de mediação, mas já é desde sempre construção reificada de imagens socialmente ideais”. Daí porque seria fadado ao fracasso um projeto que visasse evitar a expropriação social do inconsciente mediante o fortalecimento do eu. Algo que ficou evidente quando, no final dos anos 1960, as formas contraculturais que se assentavam nessa promessa utópica impossível de realizar-se, foram rapidamente assimiladas pelo mercado, resultando em um campo infinito de novas produções para consumo, como nos mostra tão bem os estudos de Frank (1997).Daí porque, conforme apontei no tópico anterior, o próprio mercado joga com o fim da crença nessa adequação entre desejo e realidade, sem perda de prejuízo diante de um consumidor que sabe, mas age como se não soubesse. Por que isso ocorre? Do ponto de vista da análise social, o que pude constatar é que os consumidores de imagens apresentam uma subjetividade forjada por uma nova configuração sóciocultural marcada pelo esvaziamento das suas formas simbolicamente produzidas, colocando um problema muito sério de uma ausência de formação de ideais que marcara a sociedade até então no processo de estruturação identitária, e colocando a todos em um vazio identificatório que a imagem vem responder como uma“ilusão de forma”.Inteirando-me mais da literatura psicanalítica, fica evidente o quanto essa forma social se parece com um tipo específico de supereu, cujo imperativo – Goza! – é impossível de ser satisfeito:
O caráter insensato desse puro gozo fica evidente se pensarmos que toda escolha empírica de objeto é inadequada a um gozo que procura afirmarse em sua pureza de determinações (...). Ele só pode se realizar no“infinito ruim” do consumo e da destruição incessante dos objetos, que nada mais faz do que atualizar um excedente de gozo (Safatle, 2004).
Portanto, um“supereu perfeito” para a sociedade da descartabilidade absoluta dos objetos na qual vivemos. Diante de uma forma social assim configurada é que o fetichismo das imagens torna manifesta sua“cena fantasmática”. Mas, se do ponto de vista subjetivo, a fantasia é uma proteção contra a angústia da falta de objeto, melhor dito, da inadequação do desejo aos objetos empíricos – nesse sentido a fantasia é o que estrutura a determinação do valor dos objetos (Safatle, 2003) – compreendemos toda a impossibilidade da“falsa consciência” na ilusão fetichista de Marx, pois a cena fantasmática tornada manifesta pelo fetichismo das imagens tem, em nossos dias, gerado mais fetiche.Mas isso significaria o fim ou o império da ilusão, a ponto de chegarmos no puro cinismo? Certamente que o sujeito consumidor de imagens compreende o mundo todo como uma ilusão, antes de tudo, porque ele vive em um mundo onde, de fato, estar na imagem é existir. E a própria maneira como se veiculam as mercadorias no mundo contemporâneo também sustenta isto: já não há nenhuma intenção de uma apresentação do produto que“faça sentido”. Então, embora saibamos das ilusões contidas nas promessas de gozo pela via da mercadoria ou de sua imagem, consumimos assim mesmo.Mas não se trata de um puro cinismo, como ausência total decrença. É Slavoj Zizek – na tradição de Marx e da Teoria Crítica, bem como no resgate de uma abordagem política da psicanálise – quem vai refazer o empreendimento frankfurtiano (da junção objetividade e subjetividade; ou se quiser, marxismo e psicanálise) a fim de compreender a ilusão inconsciente que sustenta o agir da posição cínica. E é nesse ponto em que podemos re-estabelecer a relação entre fetichismo e alienação: no“sabe, mas age como se...” há um saber (que poderíamos até identificar como o oposto da“falsa consciência” marxista), que mesmo revelado, não consegue promover a emancipação. Isso porque há um desconhecimento que se manifesta no agir (Zizek diz que a realidade é o lugar da ilusão) – portanto, fruto de uma forma de alienação ligada a configurações históricas específicas e a uma forma de poder que a elas corresponde. Neste caso específico que é o nosso, embora saibamos que existimos para além da imagem, estamos enredados em um modelo social no qual só nos inserimos como sujeitos mediante a imagem.Como lêem bem o desejo e respondem a ele com fetiche, não surpreende que as novas pesquisas de mercado indiquem uma busca pelo“retorno ao corpo” – pela via sensorial –, e no avesso disso,indiquem também a procura pela experiência“psicoespiritual”. É de novo Zizek quem vai mostrar como a chamada“espiritualidade new age” funciona como um grande fetiche dos nossos tempos. Pois essas formas modernas de espiritualidade estampam uma experiência intensa da materialidade, no sentido dessa relação com o corpo – aquele corpo“indestrutível e não criado, que persiste para além da deterioração do corpo físico (...) uma corporeidade imaterial do corpo sem corpo (...) na sua materialidade sublime” (1991, p. 137).A relação constitutiva entre corpo e alienação – tão presente nas teorias marxista e psicanalítica – precisa ser retomada a partir dessa nova perspectiva dada pela realidade social na qual nos encontramos: chegamos a um estágio tal de descartabilidade, desterritorialização, descontinuidade temporais, que o fetiche ganha um estranho formato nessa nova era tido como“do acesso”: de não haver mais um objeto a ser consumido, mas apenas gozado – o que coincide com o que foi dito por Zizek em sua palestra no Brasil em 2004 – que os lacanianos já estão se dando conta de um“estranho fenômeno: o fetichismo sem objeto”.É preciso buscar, portanto, onde está o Real da ilusão nessa nova forma de organização social da ilusão. Ou seja: o lugar onde o sujeito busca“dar consistência à sua identidade fora dos ‘títulos’, dos referenciais que o situam na rede simbólica universal, uma maneira de presentificar (...) sua fantasia” (Zizek, 1991, p. 149-150).
Referências Bibliográficas
ADORNO, T; HORKHEIMER, M. (1973). Temas básicos em sociologia. São Paulo: Cultrix.
ADORNO, T. (1992). Mínima Moralia: reflexões a partir da vida danificada. São Paulo: Ática.
ARANTES, P. (2004). Dossiê capitalismo e propriedade. Reportagem da Oficina de Informações. V (58).
BAUMAN, Z. (1999). Globalização: as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
___________. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
___________. (2003). Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
BENJAMIN, W. (1989). Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense. vol. 3. (Obras Escolhidas).
CLAVREUL, J. et al. (1990). O desejo e a perversão. Campinas: Papirus.
DEBORD, G. (1997). A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto.
EAGLETON, T. (1993). A ideologia da estética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
ECO, H.; MARTINI, C.M. (2000). Em que crêem os que não crêem? Rio de Janeiro: Record.
FONTENELLE, I. (2002). O nome da marca: McDonald’s, fetichismo e cultura descartável. 2.ed. São Paulo: Boitempo/Fapesp.
FRANK, T. (1997). The conquest of cool: business culture, counterculture, and the rise of hip consumerism. Chicago: The University of Chicago Press.
FREUD, S. (1927 [1931]/1974a). Fetichismo. In: ___. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago. vol. XXI.
________. (1937 [1939]/1974b). A divisão do ego no processo de defesa. In: ___. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago. vol. XXIII.
GOLDESTEIN, G.T. (1990). Comportamento do consumidor e estudos de tendências. São Paulo: Núcleo de Estudos e Publicações da Fundação Getúlio Vargas. (Série Textos Didáticos, II).
GORZ, A. (2005). O imaterial: conhecimento, valor e capital. São Paulo: Annablume.
GOUX, J.J. (1990). Symbolic Economies: after Marx and Freud. New York: Cornell University.
GROSS, N. et al. (1995). The technology paradox: how companies can thrives as prices dive. Business Week. 06 de março. p.77.
HARVEY, D. (2003). A arte de lucrar: globalização, monopólio e exploração da cultura. In: MORAES, D. (org). Por uma outra comunicação: mídia, mundialização cultural e poder. Rio de Janeiro: Record.
JAMESON, F. (1996). Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo: Ática.
LACAN, J. (1995). O Seminário, livro 4: a relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
LIPOVETSKY, G. (1989). A era do vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo. Lisboa: Relógio d’Água.
MANONNI, O. (1969). Clefs pour l’Imaginaire ou l’Autre Scène. s.l.: Éditions du Seuil.
RIFKIN, J. (2001). A era do acesso: a transição de mercados convencionais para networks e o nascimento de uma nova economia. São Paulo: Makron Books.
ROZITCHNER, L. (1989). Marx e Freud: a cooperação e o corpo produtivo. A expropriação histórica dos poderes do corpo. In: SILVEIRA, P.; DORAY, B. (orgs). Elementos para uma Teoria Marxista da Subjetividade. São Paulo: Vértice/Ed. Revista dos Tribunais. (Enciclopédia Aberta da Psique; 4).
SAFATLE, V. (2003). A política do real de Slavoj Zizek (Pósfacio). In: ZIZEK, S. Bem-vindo ao deserto do Real! São Paulo: Boitempo. (Coleção Estado de Sítio!).
___________. (2004). Um supereu para a sociedade de consumo: sobre a instrumentalização de fantasmas como modo de socialização. (artigo inédito).
SENNETT, R. (1988). O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. São Paulo: Companhia das Letras.
ZIZEK, S. (1991). O mais sublime dos histéricos: Hegel com Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Transmissão de Psicanálise; 18).
________. (1992). Eles não sabem o que fazem: o sublime objeto da ideologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
________. (1996). O espectro da ideologia. In: _____. (org). Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto.
________. (2003). Nada de sexo, por favor, somos pós-humanos! Clique: Revista dos Institutos Brasileiros de Psicanálise do Campo Freudiano. (2): 36-43. ago.
Notas
I-Extraído de http://scielo.bvs-psi.org.br/#Ia">
I-Psicóloga; Doutora em Sociologia (USP); Pós-doutorado em Psicologia Social (PUC-SP); Professora de Psicologia da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV).
1- A esse respeito ver: Freud, 1974a, p. 175-185; Freud, 1974b, p. 307-312; Clavreul, J., et al.,1990; Manonni, 1969; e Zizek, 1992.
Nenhum comentário:
Postar um comentário