quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A crise é uma só


Como seriam vistos os programas de incentivo ao desenvolvimento se enfocasse desde a falta de alimentos, água e energia? Os políticos têm as ferramentas necessárias para fortalecer a posição dos países que sofrem tal escassez? Setenta e cinco especialistas de agências oficiais, laboratórios, fundações, empresas e organizações não-governamentais dos Estados Unidos se reuniram em busca de resposta a estas perguntas, a convite do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

A reportagem é de Zarrín Caldwell, da IPS, e publicada pela Agência Envolverde, 07-10-2009.

O fórum procurou traçar um panorama completo da escassez de recursos e de suas consequências, tanto para o Norte industrial quanto para o Sul em desenvolvimento. Howard Passell, da equipe da Sandia National Laboratories – instituição operada pelo grupo aeronáutico Lockheed Martin e vinculado ao Departamento de Energia – considerou errôneo concentrar-se em alguma escassez em particular, porque, segundo disse, é preciso atender a “crise ecológica planetária” no sentido amplo, “da qual alguns sinais são fala de água, de energia e de alimentos, os problemas climáticos e as epidemias”.

Passell alertou que “lidar com estas crises como se fossem independentes umas das outras é um erro que deriva em desperdício de dinheiro e esforços, ineficácia e consequências não previstas”. Portanto, recomendou enfoques “integrados, multidisciplinares e multissetoriais” de caráter mundial. Segundo o Fórum Econômico Mundial (FEM), quase quatro bilhões de pessoas viverão em 2030 em países que sofrem tensão por causa da água se os governos e indivíduos não usarem este recurso com mais responsabilidade. A agricultura representa 70% do uso de água doce, que leva a um vínculo claro entre sua escassez e a de alimentos. O estudo do FEM estima que a demanda por comida crescerá entre 70% e 90% até 2050.

Por sua vez, a Agência Internacional de Energia prevê que a demanda energética mundial aumentará 45% até 2030, e que metade desse aumento corresponderá a China e Índia. Os conflitos pelos recursos persistem entre países em desenvolvimento e dentro de suas fronteiras. O uso que dão aos cursos de água internacionais (como o rio Ganges, que corta Índia, Nepal, Bangladesh e China) é apenas um exemplo. “Na medida em que estes países continuarem crescendo e mudando suas aspirações de desenvolvimento e suas dietas, aumentará a demanda por água do Ganges e de outros sistemas fluviais internacionais e nacionais”, alertou em agosto o Instituto Nicholas de Soluções em Política Ambiental da Universidade de Duke (EUA). Existem numerosos antecedentes de acordos bilaterais sobre os 260 rios internacionais do mundo, mas poucos fóruns regionais que atendem sua situação.

No fórum do CSIS também foram analisados os vínculos entre recursos e segurança no Sul em desenvolvimento. “Possibilidades de mudanças abruptas e catastróficas ameaçam a segurança de todas as nações”, afirmou Carol Dumaine, subdiretora de Energia e Segurança Ambiental do Departamento de Energia dos Estados Unidos. A crise financeira mundial deixou ainda mais tensa a questão da escassez dos recursos, alertou.

Sharon Burke, vice-presidente encarregada de Segurança Natural do Centro para uma Nova Segurança Norte-americana, defendeu a análise desses vínculos dentro dos Estados Unidos. “Este país envia muitos minerais para o exterior para refinação, mas pouquíssimos veem as implicações estratégias deste fluxo ou o que significa para as dependências da economia nacional ou da indústria da defesa”, afirmou. O fórum revelou uma valorização maior do trabalho internacional.

As forças armadas norte-americanas, por exemplo, ampliaram sua própria definição de segurança para além de sua tradicional avaliação de capacidade bélica. Um sinal disso é que dão mais atenção à situação de comunidades que sofrem as consequências da mudança climática. O Departamento da Defesa agora inclui em suas análises questões como o impacto das migrações e da delinquência na segurança nacional, por exemplo.

O Fórum realizado no último dia 1º deixou evidente a sensação de urgência predominante entre funcionários, cientistas e especialistas. Mas, todos eles constataram dificuldades na divulgação das conclusões de especialistas entre os políticos. O problema está, em parte, na complexidade inerente aos modelos computadorizados relativos à escassez de recursos. A compilação e a análise de dados em múltiplos setores são especialmente difíceis. “Agora temos a capacidade de enfrentar essa dificuldade, com sistemas que não tínhamos há 10 ou 15 anos”, disse Passell.

Para as instituições, o desafio é “manejar a complexidade, assumi um enfoque de longo prazo, construir confiança” e, em última instância, escolher entre “cooperação e conflito”, afirmou Alexander Evans, do Centro de Cooperação Internacional da Universidade de Nova York. O fórum sugeriu a criação de um “índice de vulnerabilidade de recursos” de caráter mundial, ou de um órgão como o Grupo Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), encarregado de elaborar um informe periódico a respeito.

Um comentário:

Raphael de Souza Araujo Lima disse...

falta de amor fraterno e sabedoria de saber que eu só posso estar bem enquanto não ferir outro alguém... enfim não tenho nenhuma novidade só o peito cheio de esperanças no final.

Brigado pelo seu trabalho irmão!

Até