quarta-feira, 15 de abril de 2009

Origem dos atos


Por: Chogyam Trungpa

A ligação entre pequenos pensamentos e grandes pensamentos é muito importante. Por exemplo, dramas repentinos - como assassinar alguém ou provocar imenso caos - começam no nível de conceitos minúsculos e pequeninas flutuações de atenção. Algo grande está sendo ativado por algo bem pequeno.

A primeiro indicação de desgosto ou atração por alguém eventualmente evolui e termina em uma escala muito maior de drama emocional. Então tudo começa em uma escala minúscula, no começo, e então se expande. [...] Embora emoções sejam aparentemente bastante pesadas, extensas e viscerais, elas tem origem em movimentos sutis que acontecem em nossa mente constantemente. [...] Vivenciamos o surgimento de tais pensamentos agora mesmo, e todo tempo.

Ver esse padrão é possível para pessoas que estejam praticando meditação e estudando os ensinamentos, que são abertas e se intrigam. Se você tem praticado, você de algum modo está cru e aberto, o que é bom. Ser capaz de lidar com as sutilezas das variações mentais se liga ao princípio de prestar atenção a todas atividades em doses menores que fazemos.


Chogyam Trungpa (Tibete, 1939 - Canadá, 1987)
"The Power of Flickering Thoughts"
em "The Truth of Suffering and The Path of Liberation"
(Ocean of Dharma Quotes of the Week, 06/03/2009)


Pensamento que vira obsessão


Por: Dilgo Khyentse Rinpoche

Para tomar a fortaleza não-criada da natureza da mente, você precisa ir à fonte e reconhecer a exata origem de seus pensamentos. Do contrário, um pensamento fará surgir um segundo, então um terceiro e por aí vai. Rapidamente, você será assaltado pelas memórias do passado e pela ansiedade quanto ao futuro, e o puro estado desperto do momento presente será completamente obscurecido.

Há uma história sobre um praticante que estava alimentando pombos com o arroz que tinha oferecido em seu altar, quando subitamente se lembrou dos numerosos inimigos que tinha antes de se devotar ao Dharma. Um pensamento surgiu para ele: "Há tantos pombos em minha porta agora. Se eu tivesse isso tudo de soldados naquela época, poderia facilmente ter eliminado meus inimigos".

Essa idéia o obcecou até que ele não pôde mais controlar sua hostilidade e deixou seu retiro. Reuniu um bando de mercenários e foi guerrear com seus antigos inimigos. As ações negativas que ele cometeu depois começaram todas com um simples e iludido pensamento.

Se você reconhecer a vacuidade de seus pensamentos, ao invés de solidificá-los, o surgimento e desaparecimento de cada um irá clarear e fortalecer sua realização da vacuidade.




5 comentários:

Kin disse...

Por que ainda não me contaram que tinha um blog desses?
Voltarei mais vezes.
Quanto às minhas considerações e posições sobre o texto...
... esse texto em particular prefiro não comentar, já que daria muito pano pra manga e certamente poucas pessoas se disponibilizariam a dar continuidade ao debate.
Mas o blog é um dos mais supimpas que eu já li por aí.

Rapha disse...

muito bom.
bom demais.
o melhor para se ouvir-ler.
grato pela bondade do texto.
bom.
mesmo.
abraco e apreco!

jholland disse...

Muuuuito obrigado !
Vcs não sabem como é importante ter esse incentivo !
É bom saber que a energia positiva com que essas postagens são publicadas se transfere para os leitores !
Um grande abraço a todos vcs

Hermeticum disse...

Outro excelente artigo.
A história que contas reflecte na perfeição a vacuidade dos pensamentos (o pensamento do conjunto de mercenários surgiu praticamente do nada) e de como podem ser "escalados" por uma mente destreinada.
O teu post é um verdadeiro ensinamento.

jholland disse...

Os textos dos mestres budistas são como jóias preciosas que não podem ser roubadas !
Em relação à "origem dos atos", lembrei-me de um outro artigo que li há alguns meses, infelizmente não aproveitado por mim e que talvez não consiga recuperar. Tratava-se de uma descrição de uma pesquisa científica acerca de como surgem as decisões em nossa mente, de como surgem os pensamentos. Por exemplo, uma simples decisão de levantar um braço etc. Achei interessante, porque essa pesquisa enveredava também por aspectos filosóficos e, pelo que me lembro, concluía por uma certa indeterminação sobre "como" ou "por que" tomamos nossas decisões...