segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Prana: o segredo da cura pelo Yoga




Do eu nasceu o prana. Assim como pode haver sombra quando ali está um homem, assim o prana está preso ao eu. Ele chega ao corpo devido às ações da mente.


Prasna Upanishad III.3

Meu interesse pela cura prânica deve-se ao meu problema nas costas, hereditário e crônico. Já vinha sofrendo de contínuas dores nas costas há mais de quinze anos quando encontrei meu primeiro mestre de cura. Havia ocasiões em que a crise me obrigava a permanecer vários dias na cama, mas, em geral, tinha de suportar uma dor constante na parte superior das costas.


Aos quinze anos, tomou-se evidente que eu tinha uma deformação na coluna, chamada cifoescoliose idiopática. Durante dois anos, usei um aparelho corretivo feito de aço e couro, para tentar endireitar a curvatura das costas. Isso ajudou um pouco, uma vez que eu podia, com algum esforço, manter a coluna ereta. A dor que me incomodou nos quinze anos seguintes era essencialmente muscular. Os músculos tinham de fazer o trabalho da coluna bem como o deles próprios, e isso gerava cansaço constante.


Músculos trabalhando em demasia, estressados e cansados – isso lhe parece familiar? Todos nós passamos por esse incômodo em algum momento de nossa vida. Para mim isso era uma constante.


Eu procurei inúmeros terapeutas corporais que utilizavam métodos com resultados os mais variados.


Seus métodos me deixavam todo cheio de escoriações. Mesmo um tratamento "leve" me era em geral bastante penoso. Meu alívio jamais durava mais do que um dia ou dois. Eu tentei tratamentos alopáticos (medicina ocidental) e estes apresentaram resultados limitados. Consultei acupunturistas, osteopatas, quiropráticos e psicoterapeutas, sem nenhum resultado.


Seguindo a recomendação de um amigo, fui visitar Ananda, um japonês, especialista em trabalho corporal, que fora originariamente um quiroprático. Ele levara adiante seu treinamento (feito no Japão) com técnicas que usavam o prana. Interessei-me em marcar uma sessão pois soube que seu tratamento costumava ser suave. No entanto, àquela altura, eu já não alimentava nenhuma expectativa de que alguém pudesse me ajudar. Descobri que eu estava redondamente enganado!


O primeiro tratamento me deixou curioso, insatisfeito e, depois de um dia, com mais dores do que antes.


Quando contei-lhe isso na visita seguinte, ele apenas me disse que isso era um bom sinal. Naquele momento, sua lógica não me convenceu: o fato de eu estar com mais dor era um bom sinal? A sessão consistia em ele me tocar delicadamente em determinados pontos e permanecer assim por longo período de tempo. Eu sentia uma estranha corrente elétrica atravessando meu corpo nessas ocasiões.


O segundo tratamento foi bastante parecido com o primeiro, só que então fiquei ainda mais insatisfeito.


Não sei ainda ao certo por que fui à terceira sessão; provavelmente porque já a havia marcado e eu não gosto de faltar a compromissos. E foi o terceiro tratamento que mudou a minha vida.


Trabalhar com o prana acaba se tornando um caso de amor. E de longe uma das coisas mais agradáveis da minha vida. Esse dia foi o começo desse contínuo caso de amor. Há algo tão belo acerca da energia pura, que é impossível descrever. Posteriormente, quando comecei a aprender com Ananda, era freqüente ele emudecer de repente e ficar com lágrimas nos olhos, tamanha é a beleza do prana.


Depois da terceira e da quarta sessão, meu corpo estava livre das dores. Ananda explicou-me que o primeiro e o segundo tratamentos haviam sido necessários para alterar os hábitos energéticos de minhas costas. Ao longo dos anos, nosso corpo desenvolve hábitos, assim como ocorre com nossa mente. Alguns desses hábitos são bons e outros são maus. Minha tensão era fruto de um problema físico, mas o resultado era o mau hábito de segurar a tensão (o que indica, na medicina energética, um prana bloqueado).


Já se passaram oito anos e posso afirmar com franqueza que as mudanças foram permanentes. Tenho dores nas costas quando as ignoro e insisto numa atividade que gera uma tensão excessiva nos músculos; mas a dor constante jamais voltou. Os padrões energéticos mudaram. Basta eu fazer alguns exercícios de yoga simples e a tensão imediatamente desaparece. Ou, na pior das hipóteses, uma boa noite de sono resolve o problema — problema que me aborreceu por mais de quinze anos.


Fiquei tão surpreso com o resultado do tratamento, que perguntei a Ananda o que ele estava fazendo, e se eu podia aprender a cuidar de mim mesmo. Ele respondeu que estava usando o prana (o que quer que aquilo significasse) e que eu podia, sim, aprender a me curar. Ele ia fazer um seminário no mês seguinte, disse, e eu seria bem-vindo.


Trabalhei durante um ano com suas técnicas e orientações. Quanto mais eu trabalhava com o prana, mais aumentava a minha sensibilidade. Minhas mãos começaram a sentir energias sutis fora do corpo físico e meu interesse aumentou. A essa altura, eu praticava meditação várias horas por dia, todos os dias. Eu fazia uma espécie de Vipassana, segundo a tradição budista. Lembrando agora o que houve, suponho que a prática da meditação acelerou minha capacidade de aprendizagem com o prana. Eu já tinha uma boa percepção da minha respiração e do hiato entre a inspiração e a expiração.


Há momentos-chave em nossa vida que podem mudar subitamente o sentido das coisas. Isso ocorreu comigo naquela ocasião: o começo do caso de amor interminável com aquela força desconhecida, o prana.


Durante muitos anos continuei meu aprendizado com outro professor, Swami Chidvilas, que trabalhava principalmente nos corpos sutis. Foi sob sua orientação que aprendi a arte da medicina energética.


Depois de alguns anos, comecei a ficar incomodado com questões que nenhum de meus professores sabia responder. Eu estava certo de que, enquanto não soubesse essas respostas, a cura, no sentido mais verdadeiro da palavra, não ocorreria. Certa ocasião, desiludido, parei o trabalho por quatro meses.


A vida veio em meu auxílio projetando-me um mestre espiritual, H.W.L. Poonja, discípulo direto de Ramana Maharishi.

Sri H.W.L. Poonja (Papaji)


Sri Ramana Maharshi


No decorrer do ano seguinte, ele respondeu a todas as minhas perguntas. Sob sua orientação, passei a pesquisar inúmeros textos dos antigos videntes da Índia. Tendo descoberto muitos dos segredos da cura yogue, mudei-me para a França e comecei a praticar a cura prânica.


Foi na França que uma senhora veio à minha procura com um cisto no ovário do tamanho de uma laranja. Ela estava sob cuidados médicos e submetera-se a uma série completa de exames. Estava determinada a se curar sem cirurgia. Essa não era uma decisão leviana; ela fora enfermeira num hospital por cerca de vinte anos. Seu médico apoiava sua decisão de tentar tratar-se usando métodos naturais; se eles não funcionassem, a única alternativa seria a cirurgia.


Enquanto eu examinava a região do ovário esquerdo, a minha mão cerca de oito centímetros acima do corpo dela, senti a congestão prânica correspondente a um cisto que parecia prestes a se romper. Comecei o tratamento ajudando o corpo a realizar sua função natural -- expulsar o invasor. Dei início a uma série de exercícios para purificar e revitalizar os chakras apropriados e o próprio ovário, e em seguida equilibrei seu corpo e revigorei-o com prana puro. O tratamento durou cerca de 25 minutos; em seguida, começamos a falar acerca das causas desse desequilíbrio em seu corpo.


Meu diagnóstico era bastante otimista em seu caso, principalmente em função da sua determinação de se curar. Simpatizei logo com essa senhora, que estava convencida de que a cirurgia lhe era desnecessária.


Tamanha convicção e determinação a levariam longe.


Marcamos uma sessão para seu marido, algo crucial em situações dessa natureza, de modo que eles pudessem abordar juntos a raiz do desequilíbrio que provocara a doença. Em seguida, recomendei uma decocção de ervas que ajudaria a dissolver o cisto se fosse tomada na forma de chá, três vezes ao dia.


Pedi que me ligasse dali a poucos dias e que voltasse em uma semana.

A mulher ligou dois dias depois para dizer que estava expelindo sangue misturado com uma substância estranha. Em seu caso, era um bom sinal. O corpo passara a expelir sem dor o cisto, de maneira natural.


Durante os dois meses seguintes, tivemos apenas quatro sessões antes que o cisto desaparecesse por completo e seu médico afirmasse que ela estava completamente curada. Com o apoio do marido, ela seguira as instruções que eu lhe dera e continuara a beber o chá de ervas por mim recomendado. Depois de nossa última sessão, seu corpo estava ainda livre de qualquer bloqueio no fluxo do prana. Todos os circuitos de energia fluíam bem, e sua constituição geral estava tranqüila.


Será a cura prânica uma cura milagrosa para todas as doenças? Não, é apenas um método yogue conhecido há milhares de anos, que usa a energia vital do corpo, o prana, para ajudar e equilibrar o organismo como um todo. As vezes a cura é lenta, às vezes é milagrosamente rápida. Vejam o exemplo deste psicólogo de San Francisco. Antes de nos encontrarmos, ele já sofria de enxaqueca há vários meses. Elas o deixavam prostrado, impedindo-o de dormir bem ou de trabalhar. As enxaquecas eram acompanhadas de fortes dores ciáticas na parte superior da perna direita. Eu iria me ausentar da cidade por dois meses e estava já de partida, mas dei um jeito de atendê-lo antes de viajar. Ao voltar, fiquei agradavelmente surpreso ao saber que a dor de cabeça cedera 24 horas depois da sessão e não aparecera mais. O problema da ciática também desaparecera depois de um dia. Fiz uma sessão de reforço para o nervo ciático, alguns dias depois de minha volta, para ajudar a manter o fluxo das correntes prânicas do corpo. Quatro anos depois, seus problemas não haviam voltado nas mesmas proporções.





Ou tomemos o caso desta senhora, que vivia às voltas com uma dor na nuca tão forte, que há um ano não conseguia dormir nem ter atividades normais. Ela já tentara todos os métodos disponíveis e vivia desesperada. Depois de uma sessão, sua dor desapareceu. No dia seguinte, um amigo seu lhe fez uma massagem e a dor voltou. Fiz uma outra sessão com ela e a dor desapareceu. Ao longo dos últimos três anos, a dor tem voltado esporadicamente, mas jamais resistiu a uma boa noite de sono. Pensem nisso: um ano inteiro de dor, e ela desapareceu em trinta minutos!


O que é a força misteriosa chamada prana? E como ela pode realizar milagres como esses que acabo de descrever? Se ela existe há milhares de anos, por que só agora ouvimos falar dela? Seráesse um método científico? Existem perigos ou efeitos colaterais relacionados com esse método? Será preciso alguma capacidade especial ou talento para aprender o método? Quanto tempo leva para aprender? Quais as doenças que ele pode ajudar a curar?


Essas e muitas outras perguntas serão respondidas nas páginas seguintes. Escrevi este livro porque, nos meus estudos, jamais encontrei uma obra que mostrasse a origem da cura energética. As raízes acham-se na tradição da yoga. O dr. David Frawley, em seu ótimo livro Gods, Sages and Kings,1 apresenta evidências de que provavelmente a cultura da Índia é a mais antiga da Terra. Existem inúmeros textos indianos antigos ─ alguns datando de antes de 5000 a.C. ─ que descrevem como usar o prana, a energia vital, para guerra,

meditação ou cura.


Procurei apresentar minhas descobertas de forma clara, fácil de ler e extremamente prática. Os três primeiros capítulos não são fundamentais para o método de cura, e servem mais para compreender as origens do prana e da medicina energética.


Nenhum dos livros atuais acerca da cura energética baseia-se nos métodos científicos da yoga ou os seguem. Essas novas técnicas foram desenvolvidas neste século, ao passo que os métodos da yoga existem há mais de 7000 anos. Este livro procura desfazer muitos dos mal-entendidos que existem acerca da medicina energética mal-entendidos criados nas novas escolas de cura. O método que este livro apresenta foi testado por milhões de pessoas ao longo de milhares de anos. Ele ainda existe porque funciona.


Ainda que haja inúmeros métodos de medicina energética, estes são alguns dos benefícios exclusivos

da cura prânica yogue:


1. Se você é capaz de respirar, você é capaz de curar com prana.

2. Não existe um sistema preestabelecido ao qual as pessoas devam se ajustar.

3. É possível eliminar as substâncias impuras antes de se energizar com prana.

4. Você pode acumular uma quantia maior de prana para energizar os outros, em vez de usar o seu próprio prana.

5. Você pode purificar o seu próprio corpo eliminando as substâncias indesejadas ou impuras acumuladas em virtude de tratamentos ou de outras pessoas.

6. 0 prana é projetado do Coração através das mãos; dessa forma, o prana assume a qualidade do amor.

7. Não há necessidade de nenhuma iniciação ou ritual religioso.

8. A cura prânica complementa todas as outras formas de cura.

9. A cura prânica, parte do primeiro sistema de medicina holística, o Ayurveda, foi desenvolvida por sábios que viam o ser humano como uma totalidade.


A cura prânica proporcionou não apenas saúde, mas também uma vida melhor a centenas de pessoas que conheço.


Quero agora partilhar essa beleza com um número maior de pessoas.


Este livro é dedicado a todos os que sofrem, que podem e irão se beneficiar desse método de cura.





(Extraído do livro: "PRANA - O Segredo da Cura pela Yoga", Atreya - Editora Pensamento)


Um comentário:

Arthur D'mello disse...

Olá, tem um selo para seu blog, se encontra em meu blog: www.arthurmelo.sintoonize.com
Abç.