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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Prana: o segredo da cura pelo Yoga




Do eu nasceu o prana. Assim como pode haver sombra quando ali está um homem, assim o prana está preso ao eu. Ele chega ao corpo devido às ações da mente.


Prasna Upanishad III.3

Meu interesse pela cura prânica deve-se ao meu problema nas costas, hereditário e crônico. Já vinha sofrendo de contínuas dores nas costas há mais de quinze anos quando encontrei meu primeiro mestre de cura. Havia ocasiões em que a crise me obrigava a permanecer vários dias na cama, mas, em geral, tinha de suportar uma dor constante na parte superior das costas.


Aos quinze anos, tomou-se evidente que eu tinha uma deformação na coluna, chamada cifoescoliose idiopática. Durante dois anos, usei um aparelho corretivo feito de aço e couro, para tentar endireitar a curvatura das costas. Isso ajudou um pouco, uma vez que eu podia, com algum esforço, manter a coluna ereta. A dor que me incomodou nos quinze anos seguintes era essencialmente muscular. Os músculos tinham de fazer o trabalho da coluna bem como o deles próprios, e isso gerava cansaço constante.


Músculos trabalhando em demasia, estressados e cansados – isso lhe parece familiar? Todos nós passamos por esse incômodo em algum momento de nossa vida. Para mim isso era uma constante.


Eu procurei inúmeros terapeutas corporais que utilizavam métodos com resultados os mais variados.


Seus métodos me deixavam todo cheio de escoriações. Mesmo um tratamento "leve" me era em geral bastante penoso. Meu alívio jamais durava mais do que um dia ou dois. Eu tentei tratamentos alopáticos (medicina ocidental) e estes apresentaram resultados limitados. Consultei acupunturistas, osteopatas, quiropráticos e psicoterapeutas, sem nenhum resultado.


Seguindo a recomendação de um amigo, fui visitar Ananda, um japonês, especialista em trabalho corporal, que fora originariamente um quiroprático. Ele levara adiante seu treinamento (feito no Japão) com técnicas que usavam o prana. Interessei-me em marcar uma sessão pois soube que seu tratamento costumava ser suave. No entanto, àquela altura, eu já não alimentava nenhuma expectativa de que alguém pudesse me ajudar. Descobri que eu estava redondamente enganado!


O primeiro tratamento me deixou curioso, insatisfeito e, depois de um dia, com mais dores do que antes.


Quando contei-lhe isso na visita seguinte, ele apenas me disse que isso era um bom sinal. Naquele momento, sua lógica não me convenceu: o fato de eu estar com mais dor era um bom sinal? A sessão consistia em ele me tocar delicadamente em determinados pontos e permanecer assim por longo período de tempo. Eu sentia uma estranha corrente elétrica atravessando meu corpo nessas ocasiões.


O segundo tratamento foi bastante parecido com o primeiro, só que então fiquei ainda mais insatisfeito.


Não sei ainda ao certo por que fui à terceira sessão; provavelmente porque já a havia marcado e eu não gosto de faltar a compromissos. E foi o terceiro tratamento que mudou a minha vida.


Trabalhar com o prana acaba se tornando um caso de amor. E de longe uma das coisas mais agradáveis da minha vida. Esse dia foi o começo desse contínuo caso de amor. Há algo tão belo acerca da energia pura, que é impossível descrever. Posteriormente, quando comecei a aprender com Ananda, era freqüente ele emudecer de repente e ficar com lágrimas nos olhos, tamanha é a beleza do prana.


Depois da terceira e da quarta sessão, meu corpo estava livre das dores. Ananda explicou-me que o primeiro e o segundo tratamentos haviam sido necessários para alterar os hábitos energéticos de minhas costas. Ao longo dos anos, nosso corpo desenvolve hábitos, assim como ocorre com nossa mente. Alguns desses hábitos são bons e outros são maus. Minha tensão era fruto de um problema físico, mas o resultado era o mau hábito de segurar a tensão (o que indica, na medicina energética, um prana bloqueado).


Já se passaram oito anos e posso afirmar com franqueza que as mudanças foram permanentes. Tenho dores nas costas quando as ignoro e insisto numa atividade que gera uma tensão excessiva nos músculos; mas a dor constante jamais voltou. Os padrões energéticos mudaram. Basta eu fazer alguns exercícios de yoga simples e a tensão imediatamente desaparece. Ou, na pior das hipóteses, uma boa noite de sono resolve o problema — problema que me aborreceu por mais de quinze anos.


Fiquei tão surpreso com o resultado do tratamento, que perguntei a Ananda o que ele estava fazendo, e se eu podia aprender a cuidar de mim mesmo. Ele respondeu que estava usando o prana (o que quer que aquilo significasse) e que eu podia, sim, aprender a me curar. Ele ia fazer um seminário no mês seguinte, disse, e eu seria bem-vindo.


Trabalhei durante um ano com suas técnicas e orientações. Quanto mais eu trabalhava com o prana, mais aumentava a minha sensibilidade. Minhas mãos começaram a sentir energias sutis fora do corpo físico e meu interesse aumentou. A essa altura, eu praticava meditação várias horas por dia, todos os dias. Eu fazia uma espécie de Vipassana, segundo a tradição budista. Lembrando agora o que houve, suponho que a prática da meditação acelerou minha capacidade de aprendizagem com o prana. Eu já tinha uma boa percepção da minha respiração e do hiato entre a inspiração e a expiração.


Há momentos-chave em nossa vida que podem mudar subitamente o sentido das coisas. Isso ocorreu comigo naquela ocasião: o começo do caso de amor interminável com aquela força desconhecida, o prana.


Durante muitos anos continuei meu aprendizado com outro professor, Swami Chidvilas, que trabalhava principalmente nos corpos sutis. Foi sob sua orientação que aprendi a arte da medicina energética.


Depois de alguns anos, comecei a ficar incomodado com questões que nenhum de meus professores sabia responder. Eu estava certo de que, enquanto não soubesse essas respostas, a cura, no sentido mais verdadeiro da palavra, não ocorreria. Certa ocasião, desiludido, parei o trabalho por quatro meses.


A vida veio em meu auxílio projetando-me um mestre espiritual, H.W.L. Poonja, discípulo direto de Ramana Maharishi.

Sri H.W.L. Poonja (Papaji)


Sri Ramana Maharshi


No decorrer do ano seguinte, ele respondeu a todas as minhas perguntas. Sob sua orientação, passei a pesquisar inúmeros textos dos antigos videntes da Índia. Tendo descoberto muitos dos segredos da cura yogue, mudei-me para a França e comecei a praticar a cura prânica.


Foi na França que uma senhora veio à minha procura com um cisto no ovário do tamanho de uma laranja. Ela estava sob cuidados médicos e submetera-se a uma série completa de exames. Estava determinada a se curar sem cirurgia. Essa não era uma decisão leviana; ela fora enfermeira num hospital por cerca de vinte anos. Seu médico apoiava sua decisão de tentar tratar-se usando métodos naturais; se eles não funcionassem, a única alternativa seria a cirurgia.


Enquanto eu examinava a região do ovário esquerdo, a minha mão cerca de oito centímetros acima do corpo dela, senti a congestão prânica correspondente a um cisto que parecia prestes a se romper. Comecei o tratamento ajudando o corpo a realizar sua função natural -- expulsar o invasor. Dei início a uma série de exercícios para purificar e revitalizar os chakras apropriados e o próprio ovário, e em seguida equilibrei seu corpo e revigorei-o com prana puro. O tratamento durou cerca de 25 minutos; em seguida, começamos a falar acerca das causas desse desequilíbrio em seu corpo.


Meu diagnóstico era bastante otimista em seu caso, principalmente em função da sua determinação de se curar. Simpatizei logo com essa senhora, que estava convencida de que a cirurgia lhe era desnecessária.


Tamanha convicção e determinação a levariam longe.


Marcamos uma sessão para seu marido, algo crucial em situações dessa natureza, de modo que eles pudessem abordar juntos a raiz do desequilíbrio que provocara a doença. Em seguida, recomendei uma decocção de ervas que ajudaria a dissolver o cisto se fosse tomada na forma de chá, três vezes ao dia.


Pedi que me ligasse dali a poucos dias e que voltasse em uma semana.

A mulher ligou dois dias depois para dizer que estava expelindo sangue misturado com uma substância estranha. Em seu caso, era um bom sinal. O corpo passara a expelir sem dor o cisto, de maneira natural.


Durante os dois meses seguintes, tivemos apenas quatro sessões antes que o cisto desaparecesse por completo e seu médico afirmasse que ela estava completamente curada. Com o apoio do marido, ela seguira as instruções que eu lhe dera e continuara a beber o chá de ervas por mim recomendado. Depois de nossa última sessão, seu corpo estava ainda livre de qualquer bloqueio no fluxo do prana. Todos os circuitos de energia fluíam bem, e sua constituição geral estava tranqüila.


Será a cura prânica uma cura milagrosa para todas as doenças? Não, é apenas um método yogue conhecido há milhares de anos, que usa a energia vital do corpo, o prana, para ajudar e equilibrar o organismo como um todo. As vezes a cura é lenta, às vezes é milagrosamente rápida. Vejam o exemplo deste psicólogo de San Francisco. Antes de nos encontrarmos, ele já sofria de enxaqueca há vários meses. Elas o deixavam prostrado, impedindo-o de dormir bem ou de trabalhar. As enxaquecas eram acompanhadas de fortes dores ciáticas na parte superior da perna direita. Eu iria me ausentar da cidade por dois meses e estava já de partida, mas dei um jeito de atendê-lo antes de viajar. Ao voltar, fiquei agradavelmente surpreso ao saber que a dor de cabeça cedera 24 horas depois da sessão e não aparecera mais. O problema da ciática também desaparecera depois de um dia. Fiz uma sessão de reforço para o nervo ciático, alguns dias depois de minha volta, para ajudar a manter o fluxo das correntes prânicas do corpo. Quatro anos depois, seus problemas não haviam voltado nas mesmas proporções.





Ou tomemos o caso desta senhora, que vivia às voltas com uma dor na nuca tão forte, que há um ano não conseguia dormir nem ter atividades normais. Ela já tentara todos os métodos disponíveis e vivia desesperada. Depois de uma sessão, sua dor desapareceu. No dia seguinte, um amigo seu lhe fez uma massagem e a dor voltou. Fiz uma outra sessão com ela e a dor desapareceu. Ao longo dos últimos três anos, a dor tem voltado esporadicamente, mas jamais resistiu a uma boa noite de sono. Pensem nisso: um ano inteiro de dor, e ela desapareceu em trinta minutos!


O que é a força misteriosa chamada prana? E como ela pode realizar milagres como esses que acabo de descrever? Se ela existe há milhares de anos, por que só agora ouvimos falar dela? Seráesse um método científico? Existem perigos ou efeitos colaterais relacionados com esse método? Será preciso alguma capacidade especial ou talento para aprender o método? Quanto tempo leva para aprender? Quais as doenças que ele pode ajudar a curar?


Essas e muitas outras perguntas serão respondidas nas páginas seguintes. Escrevi este livro porque, nos meus estudos, jamais encontrei uma obra que mostrasse a origem da cura energética. As raízes acham-se na tradição da yoga. O dr. David Frawley, em seu ótimo livro Gods, Sages and Kings,1 apresenta evidências de que provavelmente a cultura da Índia é a mais antiga da Terra. Existem inúmeros textos indianos antigos ─ alguns datando de antes de 5000 a.C. ─ que descrevem como usar o prana, a energia vital, para guerra,

meditação ou cura.


Procurei apresentar minhas descobertas de forma clara, fácil de ler e extremamente prática. Os três primeiros capítulos não são fundamentais para o método de cura, e servem mais para compreender as origens do prana e da medicina energética.


Nenhum dos livros atuais acerca da cura energética baseia-se nos métodos científicos da yoga ou os seguem. Essas novas técnicas foram desenvolvidas neste século, ao passo que os métodos da yoga existem há mais de 7000 anos. Este livro procura desfazer muitos dos mal-entendidos que existem acerca da medicina energética mal-entendidos criados nas novas escolas de cura. O método que este livro apresenta foi testado por milhões de pessoas ao longo de milhares de anos. Ele ainda existe porque funciona.


Ainda que haja inúmeros métodos de medicina energética, estes são alguns dos benefícios exclusivos

da cura prânica yogue:


1. Se você é capaz de respirar, você é capaz de curar com prana.

2. Não existe um sistema preestabelecido ao qual as pessoas devam se ajustar.

3. É possível eliminar as substâncias impuras antes de se energizar com prana.

4. Você pode acumular uma quantia maior de prana para energizar os outros, em vez de usar o seu próprio prana.

5. Você pode purificar o seu próprio corpo eliminando as substâncias indesejadas ou impuras acumuladas em virtude de tratamentos ou de outras pessoas.

6. 0 prana é projetado do Coração através das mãos; dessa forma, o prana assume a qualidade do amor.

7. Não há necessidade de nenhuma iniciação ou ritual religioso.

8. A cura prânica complementa todas as outras formas de cura.

9. A cura prânica, parte do primeiro sistema de medicina holística, o Ayurveda, foi desenvolvida por sábios que viam o ser humano como uma totalidade.


A cura prânica proporcionou não apenas saúde, mas também uma vida melhor a centenas de pessoas que conheço.


Quero agora partilhar essa beleza com um número maior de pessoas.


Este livro é dedicado a todos os que sofrem, que podem e irão se beneficiar desse método de cura.





(Extraído do livro: "PRANA - O Segredo da Cura pela Yoga", Atreya - Editora Pensamento)


sexta-feira, 5 de março de 2010

Yoga Sutra : Contemplação do OM - Turya


Yoga Sutra, I:23-29: Contemplação do Om

Swami Jñaneshvara Bharati
09 de Fevereiro de 2010

O Om é um caminho direto

A vibração do som do AUM (ou OM), acompanhado de um profundo sentimento (não o conceito deste sentimento, a sensação por detrás deste sentimento com entrega, atenção, concentração e relaxamento ao mesmo tempo) para com o significado do que ele representa (1.28), traz a realização do Eu individual e a remoção dos obstáculos que normalmente impedem esta realização (1.29). De certa forma, esta prática é como um atalho pelo qual podemos ir diretamente para o coração do processo.

Passando sistematicamente pelos vários níveis de consciência: Esta prática conduz a um caminho direto para o interior, percorrendo sistematicamente os quatro níveis de consciência. Isto é feito com sinceridade e dedicação (1.23), visando a fonte criadora não contaminada, ou consciência pura (1.24), que é o que o AUM representa (1.27). Esta consciência contem a semente da onisciência (1.25), que é a fonte dos ensinamentos de todos os sábios antigos (1.26).

Lembre do significado: Para que isto funcione, deve haver um profundo sentimento para com o som do AUM e para com o significado do que ele representa (1.28).






1.23 Por um processo especial de devoção e entrega para a fonte criadora da qual nos emergimos
(ishvara pranidhana), a vinda do samadhi é iminente.
(ishvara pranidhana va)






* ishvara = fonte criadora, consciência pura, purusha, Deus, Professor ou Guru supremo
* pranidhana = praticar a presença, sinceridade, dedicação, devoção, render-se aos frutos da prática
* va = ou


Os resultados do samadhi vêm mais rapidamente através da prática sincera, dedicada, devotada e direcionada para a consciência pura, simbolizada pelo AUM e conhecida por palavras como purusha, Deus, ou Guru. Em outras palavras, a prática de acompanhar o AUM pelos níveis de realidade e consciência é uma espécie de atalho, significando uma rota direta para o centro da consciência.

Isto pode ser melhor entendido por uma leitura atenta do seguintes artigos: OM and the 7 Levels of Consciousness e OM and 7 Methods of Practice.

Significado de Ishvara

Nas Upanishads, a palavra Īśvara é usada para denotar um estado de consciência coletiva. Assim, Deus não é um ser que está sentado sobre um pedestal lá no alto, além do sol, da lua e das estrelas. Na verdade, Deus é um estado de Realidade Última. Mas devido a inexistência da experiência direta, Deus tem sido personificado e recebeu vários nomes e formas nas diversas religiões através das eras. Quando expandimos a consciência individual para a Consciência Universal, isto é chamado de Auto-realização, onde o eu individual realizou a integração ou a unidade da diversidade, o princípio fundamental absoluto, ou Eu Universal, que está por baixo de todas as formas e nomes. Os grandes sábios das Upanishads evitam as confusões relacionadas a conceitos de Deus e encorajam os estudantes a serem honestos e sinceros na busca pela Auto-realização. A filosofia das Upanishads fornece vários métodos para desvelar os mais elevados níveis da verdade, e também ajuda os estudantes a se tornarem capazes de solucionar os mistérios individuais e universais (extraído de What God Is from Enlightenment Without God de Swami Rama).










1.24 Esta fonte criadora (ishvara) é uma consciência especial (purusha) que não é influenciada pelas cores (kleshas), ações (karmas), ou o resultado das ações, ações estas geradas pelas impressões latentes que se manifestam.

(klesha karma vipaka ashayaih aparamristah purusha-vishesha ishvara)






* klesha = colorido, doloroso, aflitivo, impuro; a raiz klish significa causar problema
* karma = ações
* vipaka = frutos de, amadurecimento, maturação
* ashayaih = pelos veículos, local de descanso, traços ou pegadas ou sinais armazenados, tendência, acúmulo
* aparamristah = intocado, não manchado
* purusha-vishesha = consciência, purusha especial ou distinto (purusha = uma consciência; vishesha = especial, distinto)
* ishvara = fonte criadora, Deus, Professor ou Guru Supremo

A consciência pura, representada pelo AUM, não é colorida como os samskaras normalmente são (klishta, 2.3, 2.1-2.9, 2.10-2.11). Também não está sujeita as manifestações dos karmas, nem executa ações que gerem novos samskaras (2.12-2.25).






1.25 Nesta consciência pura (ishvara) a semente da onisciência alcançou seu desenvolvimento mais elevado, e não pode ser superada.

(tatra niratishayam sarvajna bijam)






* tatra = lá, naquele ( naquele purusha especial)
* niratishayam = não há superior a ele, não pode ser superado por outros, ilimitado
* sarvajna = tudo conhece (sarva = tudo; jna = conhecer)
* bijam = semente

A consciência pura identificada pelo AUM é também a semente do conhecimento puro ou onisciente. Este nível de conhecimento é alcançado pela prática do mantra OM.





1.26 Por esta consciência (ishvara) os professores mais antigos foram ensinados, posto que ela não é limitada pelo obstáculo do tempo.

(purvesham api guruh kalena anavachchhedat)





* purvesham = do primeiro, prévio, cedo, antigo
* api = também
* guruh = professor
* kalena = pelo tempo
* anavachchhedat = não limitado pelo (tempo), sem quebra ou divisão, contínuo

Esta consciência pura, sendo eterna por natureza, é o professor direto de todos os professores antigos e ensinou até mesmo o primeiro professor de toda a humanidade. Em outras palavras, os primeiros professores da humanidade aprenderam diretamente desta consciência pura, e não de uma linhagem professor-estudante, na qual existe apenas uma passagem de informação. O aprendizado direto desta fonte suprema sempre esteve e continua a estar disponível, embora a ajuda das pessoas no aprendizado seja útil, se não essencial.





1.27 A palavra sagrada que designa esta fonte criadora é o som OM, chamado pranava.
(tasya vachakah pranavah)





* tasya = daquele
* vachakah = designador, aquilo que explica, indicador, termo
* pranavah = o mantra AUM ou OM





O AUM possui uma qualidade vibracional e vários significados, um dos quais é ser um termo para denominar a consciência pura referida nos sutras acima. A palavra pranavah é traduzida literalmente como “zunir”.


A parte mais baixa da curva representa o estado ou nível Denso, Desperto, chamado Vaishvanara.

O centro da curva representa o nível Sutil, Inconsciente e Sonho, chamado Taijasa.

A parte superior da curva representa nível Causal, Subconsciente e Sono Profundo, chamado Prajna.

O ponto, ou bindu, representa o quarto estado, a consciência absoluta, que abrange, permeia e é as outras três, chamado Turiya.

O arco abaixo do ponto simboliza a separação do quarto estado, que permanece acima, apesar de sempre ser parte dos outros três. (Nota do tradutor: para uma descrição detalhada dos quatro estados, ou níveis, de consciência, leia o artigo “Yoga Nidra, Sono Profundo Consciente do Yoga”, também disponível neste site: http://www.yoga.pro.br/).





1.28 Este som é lembrado com um sentimento profundo para com o significado do que ele representa.

(tat japah tat artha bhavanam)





* tat = seu
* japah = lembrança repetida
* tat = seu
* artha = significado
* bhavanam = entendendo com sentimento, absorvendo, enfatizando

É importante lembrar não só da vibração (japa), mas também do significado profundo do mantra, e não fazer apenas repetições mentais, como se um papagaio fosse.









1.29 Desta lembrança vem a realização do Eu individual e a remoção dos obstáculos.
(tatah pratyak chetana adhigamah api antaraya abhavash cha)






* tatah = daí
* pratyak = individual
*chetana = consciência
* adhigamah = entender, realizar, alcançar
* api = também
* antaraya = de obstáculos ou impedimentos
* abhavash = ausência, desaparecimento, remoção
* cha = e, também


Dois benefícios diretos vêm da prática apropriada do mantra OM:

1. Os obstáculos serão removidos (1.30-1.32).

2. É uma rota direta para a Auto-realização.

Se alguém é capaz de praticar sinceramente, devotadamente e intensamente o mantra AUM na profundidade de seus significados, esta então é uma pratica completa por si mesma.



Próximos sutras: Yoga Sutras 1.30-1.32: Obstáculos e Soluções.
Sutras Anteriores: Yoga Sutras 1.19-1.22: Esforços e Compromissos.


Traduzido pelo yogi Rogério Maniezi do original “Yoga Sutras 1.23-1.29: Contemplation on AUM (or OM)”, de autoria de Swami Jñaneshvara Bharati, disponível em http://www.swamij.com/.




Veja ainda neste Blog: Yoga Nydra: Sono Profundo Consciente do Yoga


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Yoga Nidra: sono profundo consciente do yoga




Swami Jñaneshvara Bharati



O Yoga Nidra é uma ferramenta universalmente conhecida como Sono Profundo, onde não há imagens na mente. Se houver imagens, então é o estado Desperto ou Sonho, não o estado de Sono Profundo. O Yoga Nidra está relacionado ao Sono Profundo consciente. Nidra significa Sono Profundo e não Sonho. Sonhar e NÃO sonhar não são a mesma coisa.

Yoga Nidra Avançado: O tipo de Yoga Nidra descrito neste artigo pode ser chamado de Yoga Nidra Avançado. Em anos recentes, o Yoga Nidra tem sido distorcido de modo semelhante ao Yoga. Desafortunadamente, quase qualquer prática guiada que traga um mínimo de relaxamento é chamado Yoga Nidra. Agora é essencial que usemos outro termo, tal como Yoga Nidra Autêntico, Yoga Nidra Tradicional ou Yoga Nidra Avançado. Neste artigo optei pelo termo Yoga Nidra Avançado.


O Yoga Nidra traz calma, tranqüilidade e clareza incríveis. O Yoga Nidra é uma das meditações mais profundas, levando a consciência dos vários níveis do processo mental para um estado supremo de imobilidade e discernimento. As descrições no texto abaixo podem ser difíceis de entender. Com paciência e leitura completa, o entendimento recompensará o esforço, permitindo que se veja a imensa profundidade do Yoga Nidra, que está muito além do simples relaxamento. Diz-se que uma imagem é melhor do que mil palavras. Algumas vezes são necessárias mil palavras para que aconteça o 'aha' interno do entendimento. O mais importante é que é a prática persistente que traz o resultado real do Yoga Nidra, assim como em todas as práticas úteis na vida e no Yoga.


Yoga Nidra significa Sono do Yoga. É um estado de Sono Profundo consciente. Na Meditação, permanecemos no estado Desperto de consciência e gentilmente focamos a mente, enquanto permitimos que padrões de pensamentos, emoções, sensações e imagens surjam e desapareçam. Entretanto, no Yoga Nidra, deixamos o estado Desperto, passamos pelo estado do Sonho e vamos para o Sono Profundo, permanecendo sempre acordados. Embora o Yoga Nidra seja um estado muito relaxante, é usado pelos yogis para purificar os Samskaras, as impressões profundas, que são a força motriz por traz do Karma (leia o artigo Karma).



O Yoga Nidra é conhecido a milhares de anos pelos sábios e yogis. Dos três estados de consciência, o Desperto, o Sonho e o Sono Profundo, como exposto nas Upanishads, em especial na Mandukya Upanishad, o Yoga Nidra se refere a atenção consciente no estado de Sono Profundo, referido como Prajna no Mandukya Upanishad. Este é o terceiro dos quatro níveis de consciência do mantra AUM, relacionado ao estado representado pelo M do AUM. Os quatro estados são: Desperto, Sonho, Sono, e Turiya. O estado do Yoga Nidra, Sono Profundo consciente, está além ou é mais sutil do que as imagens e processos mentais dos estados Desperto e Sonho. Sendo o estado de consciência Sono Profundo, o Yoga Nidra é um princípio universal, e não é um domínio exclusivo de qualquer professor ou tradição mais recente.




No Yoga Nidra, deixamos o estado Desperto,

passamos pelo estado do Sonho,

e no estado de Sono Profundo,

permanecemos totalmente acordados.




Meditação: Imagine que estamos no estado DESPERTO, com todas as distrações tão comuns neste estado de mente. Sistematicamente, fazemos algo com o direcionamento da nossa atenção. Estamos praticando concentração e desapego, que nos conduz para a meditação. Os pensamentos e imagens do estado SONHO começam a vir para a superfície, embora ainda estejamos no estado DESPERTO. Gradualmente, as distrações desaparecem, nossa mente se torna focada e estamos tendo uma bela meditação. Estamos profundamente relaxados e ainda estamos no estado DESPERTO de consciência, que é a natureza da meditação.


Yoga Nidra: Agora, imagine que em algum momento nos DESCEMOS, CAIMOS ou ESVAZIAMOS, ou outra palavra qualquer, para o ESTADO de SONO PROFUNDO, muito parecido com o que faríamos normalmente na cama quando não estamos sonhando. Entretanto, desta vez, descemos todo o caminho ATRAVÉS do estado Sonho e paramos no estado Sono Profundo, apesar de, paradoxalmente, permanecermos despertos e alertas. Este é o nível ABAIXO dos estados DESPERTO e SONHO, e abaixo também de todos os pensamentos e impressões que estão associados com estes dois estados. Agora, estamos no ESTADO de SONO PROFUNDO CONSCIENTE. Este é o estado do YOGA NIDRA.. Yoga Nidra se refere a um estado de consciência e não somente aos métodos que conduzem até lá. Nidra significa sono e não sonhar, e Yoga significa união, onde todos os pensamentos e impressões retrocedem para o campo unificado do qual emergiram.





Swami Rama descreve 'sono insone'

e é mais profundo do que as ondas cerebrais alfa

da reportagem de 1973.


'Um termo comum que está surgindo da pesquisa da mente é o de ondas alfa. Novamente, Swami observa um erro comum e diz enfaticamente: 'Ondas alfa e meditação não são a mesma coisa. Ondas alfa são criadas pelo relaxamento. Não é um estado elevado. Certa vez, quando coloquei meu cachorro pastor alemão na máquina de biofeedback ele gerou 75% de ondas alfa.''







Veja também o artigo: Bindu: Pinnacle of Yoga, Vedanta and Tantra.





Companheiros no Objetivo Mais Elevado: Este ainda não é o elevado objetivo do sadhana (práticas espirituais), que é experimentar a consciência em si, independente de qualquer falsa identificação menos sutil, etc... Podemos chamar isto de purusha, atman, ou a experiência do estado de turiya, o quarto estado, mas é algo diferente e está além do nível do Sono Profundo consciente que é o objetivo do Yoga Nidra. Entretanto, Meditação e Yoga Nidra trabalham em conjunto, como companheiros de prática, na preparação para tal experiência elevada.


(Leia também os artigos sobre os Níveis de Consciência: OM and the Seven Levels of Consciousness, 4 Levels and 3 Domains of Consciousness e Mandukya Upanishad,)



Yoga Nidra e Meditação do Yoga São Companheiros



Na Meditação, permanecemos no estado de consciência Desperto e gradualmente permitimos que os níveis inconsciente e subconsciente se manifestem, expandido o estado Desperto com a concentração direcionada e sem apego aos fluxos de impressões que transbordam no campo da mente.


Estado Desperto

A do AUM






No Yoga Nidra, deixamos o estado de consciência Desperto e vamos para o estado de consciência Sono Profundo, ainda que paradoxalmente permaneçamos totalmente despertos. Este é um estado extremamente relaxante nos quais os samskaras do apego e da aversão, a força motriz por traz do karma, têm sua força atenuada.



Estado Sono Profundo

M do AUM






O sonhar acordado, que é experimentado entre os estados Desperto e Sonho, como quando acordamos algumas vezes de manhã com uma agradável sensação de estar meio desperto e meio sonhando, não é Yoga Nidra. Este sonhar acordado é com freqüência o objetivo do relaxamento e dos exercícios de visualização, mas o Yoga Nidra é muito mais profundo.


Transição/Sonhar Acordado


O Yoga Nidra permite o acesso ao nível latente ou subconsciente da mente, que está abaixo até mesmo do nível da mente que processa, fantasia e imagina. Este nível latente é a entrada para o nível causal da realidade, do qual brota o plano sutil, psíquico, astral da realidade, que por sua vez causa, ou faz nascer, o nível denso.



Meditação e Yoga Nidra trabalham juntos, como companheiros de prática, através do qual purificamos os níveis mais profundos da mente e expandimos o estado de consciência para incluir o que era previamente inconsciente. Finalmente, a expansão inclui a realização da consciência pura que permeia todos os níveis.

Turya


***

Yoga Nidra é um estado de consciência
e não os métodos que conduzem para este estado.



A Consciência Recua no Yoga Nidra



Estado Desperto: No estado Desperto de consciência, os três níveis estão ativos e sendo usados. A mente Consciente está evidentemente sendo usada. A mente Inconsciente também está processando, apesar de comummente não ser percebida, semelhante a um microprocessador ativo de um computador (durante a Meditação ela é percebida). O Subconsciente também está ativo e assim seus dados estão disponíveis quando necessários, semelhante aos dados de um harddisk de um computador. (Muitas vezes os nomes Inconsciente e Subconsciente são invertidos. A escolha das palavras não é importante; o significado por traz delas é o que conta).


Estado Sonho: No estado de consciência Sonho, o nível que chamamos de funcionamento Consciente recuou para o campo da mente de onde emergiu. Somente o processo Inconsciente permanece, junto com a fonte de armazenamento do Subconsciente. As impressões do Subconsciente se movimentam e se tornam parte do processo de sonho que está acontecendo no nível Inconsciente da mente.


Estado Sono Profundo: No estado de consciência Sono Profundo, os níveis Consciente e Inconsciente recuaram para o campo da mente de onde originalmente emergiram, onde as memórias estão armazenadas. Somente o nível Subconsciente ainda está ativo. No nível Subconsciente as memórias estão em uma forma sem forma, e não há imagens como no estado de sonho. O nível subconsciente é aquele que dá nascimento as imagens. Neste nível também não há a manifestação de pensamentos e ações do estado Consciente. Esta profunda imobilidade está no domínio do Yoga Nidra, quando experimentado conscientemente e não de modo inerte, como no sono comum.


Processo de Recuo: A importância deste processo de recuo não deve ser supervalorizada. Tornou-se muito comum em modernos círculos do Yoga pensar que o Yoga Nidra é somente outra terminologia para exercícios de relaxamento, o que não é. Quase todos os exercícios de relaxamento funcionam quando estamos no estado Desperto ou quando estamos sonhando acordados entre os estados Despertos e de Sonho. Alguns praticantes modernos sonham conscientemente, um processo que ficou conhecido como Sonho Lúcido. Embora isto possa ser útil como um exercício de Meditação, particularmente se usado para desenvolver o desapego (vairagya), isto também não é Yoga Nidra. (Desapego ou vairagya é um de dois princípios básicos do Yoga. Leia Yoga Sutras 1.12 -1.16).


Sono Profundo Consciente: Repetindo, Yoga Nidra é o estado de Sono Profundo consciente. Está além, ou mais profundo, do que outras práticas, não importa quão útil estas outras práticas possam ser.


Yoga Nidra - Sono Profundo Consciente




Compatível e Não Contraditório: É fácil cair na armadilha de pensar que, devido ao estado de consciência do Yoga Nidra estar além ou ser mais profundo (ver acima) do que outras práticas, significar necessariamente que é uma prática melhor. Devemos procurar e fazer o que é percebido como sendo a melhor prática, evitando o que é percebido como sendo uma prática de menor valor. Não levando em consideração quais nomes ou termos são usados, tal como Yoga Nidra, Dhyana (meditação), ou Smriti (lembrança), as práticas com os estados Desperto, Sonho e Sono Profundo são compatíveis e não contraditórias. Para o Yogi, as práticas são feitas com os três níveis, não importando quais nomes sejam dados para estes níveis e para os métodos praticados. Isto ainda seria verdade se o nome Yoga Nidra nunca tivesse sido usado para qualquer prática ou estado de consciência.


O Yogi explora conscientemente o estado Desperto.
O Yogi explora conscientemente o estado Sonho.
O Yogi explora conscientemente o estado Sono.
O Yogi procura experimentar os três ao mesmo tempo.
O Yoga procura experimentar o Absoluto além destes três estados.


Pensamentos sem Forma: Para entender o Yoga Nidra, é imperativo entender que os pensamentos estão em uma forma sem forma. Literalmente não há imagens e palavras como existem nos estados Desperto e Sonho. Não há experiência visual de qualquer tipo, incluindo os aspectos físicos do próprio corpo, ou de qualquer seqüência de sonhos. Mesmo assim, há um conhecimento verdadeiro, mais profundo do que qualquer conhecimento que esteja nas palavras ou imagens. Este nível tem sido chamado de depósito infinito de conhecimento, ou de biblioteca infinita (Sono Profundo, Prajna).






Berço dos Sonhos: Enquanto não houver imagens neste nível, a atenção pode se voltar levemente para o exterior, assim iniciando a saída do Yoga Nidra através do estágio de transição entre os estados de Sono Profundo e Sonho. Aqui, o nascimento de imagens conduzindo a sequências de sonhos e processos mentais é experimentado. Na ciência da Meditação do Yoga, este estágio de transição é chamado de Aladani, um pouco parecido com a estória da lâmpada de Aladin, onde o gênio que estava em forma latente (como em Sono Profundo) vai para o estágio de transição ao se tornar uma pequena nuvem antes de adquirir uma forma parecida com a humana (primeiro no nível Sonho ou sutil e então no nível denso ou Desperto).


Além dos Arquétipos: Algumas escolas de psicologia se referem às impressões profundas como arquétipos. Entretanto, estes arquétipos são mencionados como tendo forma. No contexto destes arquétipos, o Yoga Nidra está tocando o nível causal, que antecede, ou está abaixo, dos arquétipos. É o nível da semente, ou bija, a partir do qual os arquétipos e subsequentes dramas emergem.


Atenuando o Karma: É por causa deste acesso ao nível da semente, ou bija, que é possível atenuar diretamente os samskaras, ou impressões profundas que dirigem o karma, ou ações.





A Consciência Está Presente 24 horas por Dia: Outra maneira de ver este processo é que a consciência no nível mais sutil existe 24 horas por dia. Algumas vezes esta consciência vem para fora, se expressando no nível sutil, psíquico ou astral, o qual comummente conhecemos como o estado de Sonho. Em outras vezes a consciência vem ainda mais para fora, se expressando no plano denso, no mundo externo, através do corpo físico. Visto desta maneira, é fácil entender como os sábios disseram que a morte, Sono Profundo e samadhi são muito parecidos ou estão relacionados como irmãos.






É uma ferramenta universalmente conhecida como Sono Profundo onde não há imagens na mente.

Se há imagens, então é o estado Desperto ou Sonho, não o estado Sono Profundo.

Yoga Nidra se refere a Sono Profundo consciente.

'Nidra' significa 'Sono Profundo' não 'Sonho'.

Sonhar e não Sonhar NÃO são a mesma coisa.




Não é Yoga Nidra

A profundidade do Yoga Nidra foi quase perdida em anos recentes, tal como aconteceu com o Yoga em geral. Aqui estão alguns pontos que podem ajudar a clarear a natureza do Yoga Nidra.


Não é Mero Relaxamento: Tornou-se popular usar o termo Yoga Nidra para qualquer método que ajude a induzir relaxamento. Yoga Nidra não é mero relaxamento, não importa o quão útil exercícios de relaxamento possam ser. Yoga Nidra é um estado específico de consciência, relacionado a experiência consciente sem sonho, o Sono Profundo. Pode parecer sem importância, mas se não há o discernimento da diferença entre o relaxamento e o Yoga Nidra, a imensa profundidade do Yoga Nidra pode ser completamente perdida. É melhor ver esta diferença, usufruir do relaxamento pelo seu próprio valor e então prosseguir para a profundidade do Yoga Nidra quando se estiver preparado para esta experiência profunda.

Não é Imaginação Ativa: O processo de imaginação ativa não é Yoga Nidra. Imaginação ativa pode ser uma prática muito útil e pode ser usada como preparação para o Yoga Nidra, mas não é Yoga Nidra. Na profundidade do Yoga Nidra, os aspectos da mente usados para a visualização recuaram, como descrito na seção anterior.




Imaginação ativa não é Yoga Nidra.

Afirmações não são Yoga Nidra.

Música não é Yoga Nidra.

Yoga Nidra não é recente.



Não é Afirmação ou Auto-sugestão: Yoga Nidra também não é uma prática de auto-sugestão, como afirmar pedidos de característica pessoal ou desejar objetos mundanos. Também não é um processo de afirmação verbal. Se estamos em um nível de consciência onde fazemos afirmações orais de qualquer tipo, então definitivamente não estamos no estado sutil de Yoga Nidra. Neste caso, a consciencia, o estado de mente Desperto, ainda não recuou para a causa da qual emergiu.


Não é a Lei da Atração: Há um movimento popular, algumas vezes denominado como 'a lei da atração', segundo o qual várias visualizações ou intenções são programadas na mente de tal forma a manifestar ganhos materiais como dinheiro, carro novo ou relacionamentos. Este tipo de 'sankalpa' ou 'intenção' atualmente é usado em alinhamento com o Yoga Nidra. Alguns dos assim chamados professores destas novas técnicas de 'Yoga Nidra' estão ganhando grandes quantias de dinheiro ao ajudar pessoas a aprenderem como, em troca, a manifestarem o mesmo. Os sábios usaram este estado profundo de consciência como um meio de queimar os desejos para transcendê-los, não para afirmá-los e traze-los a existência. O processo foi efetivamente revertido em 180 graus.


Não é Música: Yoga Nidra também não é música, não importa o quão relaxante música possa ser para a mente consciente. Música não é uma experiência ruim. Pode ser uma experiência muito prazerosa, mas simplesmente não é Yoga Nidra. Não importa o quanto se queira, não fará com que seja verdade. Yoga Nidra é a experiência do Sono Profundo consciente (Prajna) e isto não ocorre enquanto estamos ouvindo música.




Não é Yoga Nidra




Não é 'Alfa' ou Sonhar Acordado: Entre os estados Desperto e Sonho há um estágio de transição que com freqüência é chamado 'sonhar acordado'. De fato, de vez em quando, todos experimentamos este estado de transição relaxante, intrigante, compreensível e útil quando acordamos do sono. Este estado de consciência é com freqüência desenvolvido em treinos de relaxamento e está relacionado as ondas cerebrais alfa. Não importando quão útil e prazeroso possa ser, NÃO é o estado de Sono Profundo, que é a característica do verdadeiro Yoga Nidra. Infelizmente, tornou-se comum usar o termo 'Yoga Nidra' para qualquer tipo de relaxamento.



Não é Yoga Nidra






Não é Visualização ou Sonho: O estado de Sono Profundo consciente é um estado sem formas, onde não há imagens ou palavras. Explorar as imagens da mente é muito útil, senão essencial, parte da meditação. Entretanto, uma dentre as características exclusivas do Yoga Nidra é que ele é experimentado além dos processos densos e sutis da mente. As vezes é exasperador continuar explicando, mas esta é uma ferramenta universalmente conhecida como Yoga Nidra onde não há imagens. Entender isto é muito difícil para estudantes modernos devido ao crescente número de artigos, livros, seminários e palestras que incorretamente declaram que o Yoga Nidra é explorar imagens. Novamente, estes são processos úteis, mas ao falhar em entender a profundidade do Yoga Nidra, esta profundidade nunca será experimentada. É imperativo entender que Sonhar e Não-Sonhar (Sono Profundo) são dois processos ou níveis de consciência diferentes. Algumas fases da meditação lidam com imagens no nível do Sonho, mas o Yoga Nidra está relacionado ao Sono Profundo consciente.


Não é Novo: Yoga Nidra é um processo universal mais antigo do que qualquer outro que tenha sido inventado ou descoberto em anos recentes, ao contrário do que é reivindicado por alguns. Esta prática era conhecida pelos sábios do Himalaia há muito tempo. Com alguma reflexão sobre a natureza do Yoga Nidra como sendo Sono Profundo (Prajna) consciente, fica evidente que é um processo universal. Estes níveis de consciência são comentados em toda a Upanishads, em particular a Mandukya Upanishad.


Não é uma Prática 'Marca Registrada': Muitos dos assim chamados 'estilos' modernos de Yoga possuem o nome de alguém na frente, com se aquela pessoa tivesse inventado o Yoga. Infelizmente, o mesmo tem acontecido com o Yoga Nidra, com o nome de alguém sendo colocado na frente das palavras 'Yoga Nidra'. O egotismo e arrogância dos assim chamados professores modernos não conhece limites.


Não é Marca Comercial: Quando se percebe que Yoga Nidra se refere a sono profundo consciente, a noção da marca comercial 'Yoga Nidra' soa como um absurdo. Como o yogi dorme? Conscientemente, que é o Yoga Nidra. Como alguém pode estar tão confuso ao ponto de pensar que é possível registrar a marca comercial do 'sono'? Parece pouco razoável, mas é o que está acontecendo. Somente os praticantes mais dedicados abandonarão esta luta de egos para ter a experiência universal do sono profundo consciente, ou Yoga Nidra.


Este é o domínio do Yoga Nidra :




Yoga Nidra Significa Sono Yogico: É um estado de Sono Profundo consciente. Na meditação permanecemos no estado Desperto de consciência e gentilmente focamos a mente, enquanto permitimos que padrões de pensamentos, emoções, sensações e imagens aflorem e desapareçam. Entretanto, no Yoga Nidra, deixamos o estado Desperto, passamos o estado de Sonho e vamos para o Sono Profundo, ainda permanecendo acordados.


A Profundidade Vem com o Tempo: O que fazer se estamos praticando Yoga Nidra mas ainda não alcançamos o estado de Yoga Nidra? As práticas que levam até o Yoga Nidra são muito úteis. É bom usufruir do relaxamento e treino da mente. Em certo ponto, as práticas se aprofundam, talvez apenas por um momento, como um flash, quando experimentamos o profundo do Yoga Nidra. Pode acontecer logo, ou demorar, mas com certeza vai acontecer, com paciência e prática.



As Ondas Cerebrais estão em Delta


Correlação com as Ondas Cerebrais: Embora os objetivos do Yoga Nidra sejam a experiência e o discernimento espirituais, e não apenas mudar as atividades físicas do cérebro, existe alguma correlação com os padrões de ondas do cérebro, resumido abaixo:



Beta 14 a 30 Nível comum das atividades mentais diárias, alertas, ativas. Também é o nível de atividade associada com a tensão ou estresse.


Alfa 8 a 13 Relaxado, passivo, perder-se em pensamentos, com freqüência considerado o objetivo dos exercícios de relaxamento. Embora seja um estado muito relaxante e útil de ser praticado, algumas vezes é considerado incorretamente como sendo o objetivo do Yoga Nidra.


Teta 4 a 7 Normalmente considerado como sendo inconsciente, talvez sonolento, ou meio adormecido. Algumas vezes este nível também é incorretamente considerado como o nível do Yoga Nidra, onde ainda existem experiências com imagens e fluxos de pensamentos.


Delta 0,5 a 3,5 Considerado como sendo o inconsciente, sem sonho, Sono Profundo (Prajna). No Yoga Nidra, as ondas cerebrais estão neste nível, enquanto o praticante permanece em Sono Profundo consciente, além das atividades experimentadas nos outros níveis.


O Relaxamento Deve Vir Primeiro: Quando se pratica Yoga Nidra pela primeira vez, há uma boa chance de não experimentar o estado de Yoga Nidra. Os praticantes podem estar muito relaxados, com ondas cerebrais diminuindo de Beta para Alfa ou Teta, mas não diminuindo para o nível Delta. Outra possibilidade, que com freqüência acontece no início, é cair no sono no nível Delta, perdendo a atenção consciente e assim não experimentando o verdadeiro Yoga Nidra.


Seja Paciente: É importante ser muito paciente ao se praticar Yoga Nidra. O relaxamento que acontece nos níveis Alfa e Teta pode ser muito útil para a saúde física, emocional e mental. Não é ruim que não experimentemos inicialmente a profundidade do Yoga Nidra e não entremos conscientemente no Sono Profundo e em Delta. Estas experiências relaxantes são uma parte muito legal da vida e nos preparam para as experiências profundas do Yoga Nidra.


Ondas Cerebrais Delta, Não Alfa: Existe alguma confusão sendo divulgada sobre o Yoga Nidra e ondas cerebrais. Possivelmente devido ao fato de que muitas experiências tem início no nível Alfa, muitos ensinam que Alfa é o objetivo do Yoga Nidra. Embora os níveis Alfa e Teta possam ser passos muito úteis no caminho, o objetivo final do Yoga Nidra é experimentar o Sono Profundo consciente (Prajna), que está relacionado com as ondas cerebrais Delta. A prática verdadeira do Yoga Nidra, no fim das contas, conduz a atenção consciente além de qualquer nível de funcionamento físico do cérebro.





Yoga Nidra significa Sono Yogico, não Sonho Yogico.

Yoga Nidra significa Sono Yogico, não Sonho Yogico.

Yoga Nidra significa Sono Yogico, não Sonho Yogico.




Sono Yogico, Não Sonho Yogico: Lembremos, o aspirante quer alcançar o Yoga Nidra, Sono Profundo consciente, onde os samskaras, que são a força motriz por trás do karma, podem ser purificados em sua forma sem forma, latente. Este processo acontece além, ou abaixo, de toda a atividade dos estados mentais Desperto e Sonho. Yoga Nidra significa Sono Yogico, não Sonho Yogico.


Yoga Nidra e Pára-Quedismo


O Estado de Consciência Versus os Métodos: Os métodos usados pelo Yoga Nidra treinam a mente a focar no interior cada vez mais sutil, até, finalmente, a atenção mergulhar na imobilidade e na ausência total de objetos. Os métodos não são o Yoga Nidra, apenas levam até ele. O Yoga Nidra é um estado de consciência, não os métodos que nos conduzem até este estado. Esta é uma questão que causa confusão e necessita um pouco de reflexão para compreender.


Os Métodos São a Preparação: Pense em pára-quedismo. Entramos em um avião, que alça vôo e ganha altitude. O piloto posiciona o avião no lugar certo e diminui a velocidade. Então, finalmente, pulamos para fora do avião e iniciamos o pára-quedismo. Nenhum dos passos que levou até o pára-quedismo é o pára-quedismo, nem o avião por si está relacionado diretamente com o pára-quedismo. O avião e as ações de decolar, ascender e voar eram somente a preparação para o momento onde podemos executar a parte denominada de pára-quedismo.


Variedade dos Métodos: Existem muitos tipos e tamanhos diferentes de aviões dos quais podemos saltar de pára-quedas. Podemos também saltar de pára-quedas de um penhasco, prédio ou ponte altos. Estes são os métodos que nos levam ao ponto de salto para o pára-quedismo. O mesmo é verdade para os vários métodos que nos levam para o 'ponto de salto' para o estado de Yoga Nidra.


Pulando para Fora: Entrar em Yoga Nidra é como pular para fora do avião. Há muitos métodos que podemos usar para treinar a mente a mover a atenção de tal forma que possamos pular para fora dos estados de consciência Desperto e Sonho, para a experiência de consciência plena do Sono Profundo (Prajna). Esta é a experiência do Yoga Nidra.




O Yoga Nidra está além de qualquer visualização ativa

que possa nos levar na direção do Yoga Nidra.



Busque o Profundo Além da Imaginação: Existe uma razão pela qual é tão importante reconhecer que o Yoga Nidra é um estado e não um método. É muito fácil praticar as técnicas, mas também é fácil pensar, de modo incorreto, que o objetivo é somente o relaxamento através da visualização ativa. Visualização ativa por si pode ser um prática muito útil, mas ao permanecer em suas águas rasas perdemos o profundo valor do Yoga Nidra. Podemos praticar visualização ativa por muitos anos e não estarmos cientes da profundidade do Yoga Nidra. Lembremos da metáfora do pára-quedas, e que embora visualizações ativas possam ser úteis nas práticas que nos conduzem ao Yoga Nidra, o Yoga Nidra real surge ao irmos além da imaginação.


Esvaziando: Estando ciente das diferenças dos níveis dentro da prática, podemos trabalhar conscientemente para alcançar a finalidade da prática, o momento de 'pular para fora do avião', para a prática esvaziante que é o Yoga Nidra. Este processo de esvaziamento será descrito mais adiante neste artigo.


Purificando os Samskaras, os Padrões Profundos de Hábitos


Examinando: O Yoga Nidra é um estado muito relaxante e também é extremamente útil para práticas espirituais. Os yogis usam o Yoga Nidra para examinar padrões de pensamentos em sua forma latente, não ativa.



O yogis usam o Yoga Nidra

para atenuar os samskaras,

a força motriz por trás do karma.




Samskaras: Este nível de consciência é o lugar para onde vão os pensamentos, emoções, imagens e sensações quando terminam sua atuação nos estados Desperto e Sonho. Estas formas sem forma, ou profundos padrões de pensamentos, são chamados samskaras e são a força motriz das ações, ou karma.


Reduzindo Hábitos Profundos: Assim, o Yoga Nidra é uma ferramenta para examinar, atenuar e eliminar padrões de hábitos, ou samskaras, os quais não são úteis. Ações negativas habituais, que normalmente emergem destas impressões profundas, podem assim ser reduzidas e eliminadas através da prática do Yoga Nidra.


Não Ser Distraído pelo sem Forma: No estado Desperto, padrões de pensamentos podem ser um problema. No estado Sonho, podem formar seqüências de pensamentos que parecem nos arrastar. Entretanto, imagine que podemos observar nossos padrões de pensamentos quando não estão ativos, quando estão em uma forma dormente, latente, enquanto nós estamos despertos. Assim eles não podem nos perturbar ou distrair. É isto o que acontece no Yoga Nidra. O paradoxo é que embora eles não estejam na forma ativa, ainda assim permanecem lá. Pode ser frustrante tentar conceituar, mas isto é o mais próximo que podemos chegar, ao tentar dizer que eles estão em uma forma sem forma.


Pensamentos Sutis com Pouca Carga: Imagine uma foto na tela do computador. Pode ser uma imagem que achemos agradável ou ofensiva. Entretanto, imagine que vemos uma tela com os números binários, com zeros e uns que matematicamente formam aquelas imagens no disco do computador. Não haveria reação alguma. Haveria apenas um agrupamento de números, sem qualquer carga emocional. É isto o que acontece quando testemunhamos samskaras, as impressões profundas que dirigem o karma, ou ações, enquanto estamos no Yoga Nidra. Podem haver traços sutis de emoções, mas são muito, muito sutis e não parecem ter a capacidade de ativar desejos, quereres, gostos, ou aversões.


Transformação dos Samskaras: Pela observação dos samskaras no estado de Yoga Nidra, uma certa transformação acontece. Eles começam a perder as cores da aversão e atração. Começam a enfraquecer e são cada vez menos capazes de, posteriormente, controlar nossos pensamentos e ações. Desta forma, usamos o Yoga Nidra para reduzir ou suavizar a influência de nossos samskaras que se manifestam como karma.


Quem Eu Sou: Através do Yoga Nidra, há uma progressiva constatação de que 'aquele que eu sou é diferente de meus pensamentos'. No Yoga Nidra, experimentamos a consciência abaixo ou anterior a toda a atividade do processo mental consciente e daquela atividade que é normalmente inconsciente. Inicialmente, estar desperto neste lugar, abaixo ou atrás do processo de pensamento, pode ser muito estranho e confuso. Gradualmente, traz crescente paz na mente e inspiração sobre a natureza de quem nos verdadeiramente somos.


Além da Entrada: No Yoga Nidra encontramos a entrada para a consciência que opera além de todos os níveis da mente, que nos conduz para a percepção do centro da consciência, ou Eu.


Leva Tempo: Mais uma vez, podemos alcançar ou não o estado de Yoga Nidra no início. Isto não tem importância. A experiência profunda do Yoga Nidra pode acontecer cedo, ou mais tarde, mas com certeza virá com a prática. De qualquer modo, certamente vamos achar o Yoga Nidra como sendo uma parte muito relaxante de nossas vidas.



Yoga Nidra é como o Pano de Fundo de um Cenário


Perdido em Pensamentos: Imagine que estamos sentados no auditório de um teatro. As cortinas estão fechadas, assim não podemos ver o palco. É semelhante ao estado Desperto. A cortina do palco forma o estado de sonhar acordado ou de estar perdido em pensamentos, que fica entre os estados Desperto e Sonho. Embora não ouçamos mais o barulho da rua movimentada, ainda estamos no estado desperto quando sentamos no teatro com as cortinas ainda fechadas. É como entrar em um local silencioso onde vamos praticar Yoga, um local como nossa sala privada de Meditação ou uma aula de Yoga. Estar sentado em um teatro, longe da rua, descansando em um estado agradável, é parecido com muitas das práticas de relaxamento, mas isto não é a verdadeira Meditação, que penetra nos estados sutis. Nem é Yoga Nidra.


Um Passo a Meio Caminho: Gradualmente as cortinas de abrem, e vemos os objetos no palco e os atores. É como estar vendo o estado de consciência Sonho, a mente inconsciente. É um local de Meditação, onde permanecemos no estado Desperto, permitindo que o véu se abra e que o subconsciente se apresente, enquanto permanecemos focados. Entretanto, Meditação e Yoga Nidra são duas coisas diferentes. Algumas vezes, pode parecer que o Yoga Nidra é o estado a meio caminho entre os estados Desperto e Sonho, mas não é assim. Este local a meio caminho entre os dois estados é apenas um passo ao longo do caminho.


Além dos Sonhos: Imagine que as cortinas do teatro estão completamente abertas, mas ao invés de olharmos para os atores e para o cenário, olhamos para além, para o pano de fundo atrás deles. Levantamos da cadeira, passamos pelo palco e pelo atores e vamos para os fundos do palco, ignorando completamente o cenário e os atores. Olhamos, mas não conseguimos ver algo. É como se o teatro tivesse se transformado em um deserto em uma noite sem lua. Ali, atrás dos atores, como um oceano de vácuo, sentimos, estranhamente, que não está vazio. É como se estivesse totalmente cheio de potencial ou existência, mas sem uma forma específica. Esta é a natureza do Yoga Nidra. É como estar no estado Sono Profundo (Prajna), e mesmo assim estar totalmente consciente. Não há sonho sendo encenando, nem fantasias, nem mundo sutil.


Sono Profundo sem Forma: O Yoga Nidra não está entre os estados Desperto e Sonho, está além deles. Equivale ao estado Sono Profundo, onde não há imagens, nem dramas sendo encenados. Há somente uma profunda imobilidade permanente que é rica em consciência. É como estar consciente do pano de fundo infinito e imóvel que existe atrás dos atores no palco vazio. É um estado onde se começa a ver o potencial puro da existência sem forma. Ainda não é o samadhi, ou turiya, que fica além destes quatro estados de consciência, mas está muito próximo.


Yoga Nidra é um Processo de Esvaziamento


Saltando para a Imobilidade e o Silêncio: No Yoga Nidra a mente não está vagando. Não há imaginação guiada, nem exploração e nem esforço de qualquer tipo para ficar atento a um objeto ou a uma parte do próprio corpo ou ser. Ao invés, vamos para um profundo estado de esvaziamento. Os outros processos e práticas são usados para gentilmente guiar a atenção para dentro, cada vez mais, até que a atenção finalmente escorregue, deslize ou pule para a consciência imóvel, profunda e silenciosa do Sono Profundo (Prajna), ou Yoga Nidra.


Na hora de 'saltar' para o Yoga Nidra, aqui está o que acontece:


Na prática do Yoga Nidra, convidamos nossa atenção para ir fundo na imobilidade e silêncio, no espaço no meio do peito.


Enquanto avançamos no estado do Yoga Nidra, queremos 'esvaziar, esvaziar, esvaziar' o campo da mente.


Podem haver pensamentos na mente no estado Sonho, mas continuamos indo para o Yoga Nidra. Assim como nossa atenção deixa as atividades do mundo exterior, também deixa o estado de mente Sonho, e vamos mais profundo.


Deste excelente ponto de observação, toda a atividade mental é externa e não é percebida.


Neste local, abandonamos totalmente qualquer palavra, pensamento, imagem e impressões na mente, que está completamente vazia.


É este esvaziamento que nos leva ao Yoga Nidra, ao Sono Profundo consciente.


Focamos nossa atenção no espaço no meio do peito e vamos aprofundando e aprofundando no Yoga Nidra.


Investigue o que é, Não Fique Fantasiando: Lembremos, usamos muitos métodos para nos mover para o estado de Yoga Nidra. Mesmo podendo usar visualizações para relaxar o corpo e focar a mente, o que é recomendado é a exploração dos aspectos de si mesmo que já estão ali, ao invés de criar uma nova fantasia. Por exemplo, se visualizamos uma praia ou uma floresta, ou imaginamos sons de animais na natureza, estamos criando uma alucinação na mente. Se exploramos sistematicamente pontos interiores, ou o fluxo de energia da respiração, estamos examinando aspectos de algo que realmente encontramos e assim podemos ir além.


Relaxamento Versus Sono Profundo: Falando de forma diferente, podemos dizer que há dois usos comuns do nome Yoga Nidra. Primeiro, o Yoga Nidra é um exercício de relaxamento, no qual há imaginação ativa. Segundo, o Yoga Nidra é o estado Sono Profundo consciente (Prajna), sem qualquer imagem, que é o significado verdadeiro do Yoga Nidra.


Vazio no Espaço ao Invés de Vazio no Chakra: As descrições acima sugerem que esvaziamos o espaço no meio do peito. Embora possamos descrever como o esvaziamento do chakra que existe neste local, isto poderia sugerir alguma forma de visualização, como se estivéssemos tentando ver ou experimentar um objeto chamado chakra. O uso da palavra espaço sugere que não estamos procurando por um objeto. Em outras práticas com certeza devemos procurar por algum objeto, mas no Yoga Nidra queremos esvaziar o espaço. É por conveniência e clareza que o ponto de partida deste esvaziamento interior último é descrito como o esvaziando do espaço no meio do peito.

Corpo e Respiração São Deixamos para Trás: É importante ressaltar que ao entrar no Yoga Nidra, o estado de Sono Profundo consciente, a consciência do corpo e da respiração foram deixados para trás. A atenção se moveu muito para dentro, muito além da consciência de qualquer aspecto do corpo físico, da respiração ou imaginação da mente. Este é um processo sucessivo de se mover para dentro: primeiro o corpo, depois a respiração, depois a mente e então o vazio do Yoga Nidra, o Sono Profundo consciente.


O Yoga Nidra é o Destino, Não a Jornada



As Três Cidades: Imagine que estamos em um país chamado Alfabetolândia, deixamos a cidade A em nosso carro, passamos a cidade B e chegamos na cidade C, nosso destino final. A cidade A está na planície, a cidade B está perto das montanhas e a cidade C esta perto do oceano. Após a viagem, contamos tudo sobre nossa viagem pelo telefone para nossos amigos.


Podemos dizer para eles que a cidade C tinha lindas planícies e pastos, mesmo que estas sejam qualidades da cidade A?


Podemos dizer para nossos amigos que a cidade C tinha lindas florestas, montanhas e rios, mesmo que estas sejam descrições da cidade B?



Não. Quando contamos a eles sobre a cidade C, contaríamos para nossos amigos sobre as belas praias e o oceano, que são uma parte da natureza da cidade C. Certamente, diríamos sobre as outras cidades no caminho, mas não confundíamos o destino com as cidades e paisagens que encontramos ao longa da viagem. Não atribuiríamos qualidades e experiências das cidades A e B para a cidade C.


Distinção Entre a Jornada e o Destino: Igual a confundir as cidades ao longo do caminho com o destino, é muito comum comentar ou perguntar sobre o Yoga Nidra, mas na verdade se estar falando sobre experiências dos estados Desperto e Sonho. O estado Desperto é como a cidade A, o estado Sonho é como a cidade B e o estado Sono Profundo é como a cidade C. Embora o conteúdo, experiências e atividades dos estados Desperto e Sonho (ou sutil) sejam investigados através da Meditação, a exploração destes dois estados ou níveis não é o objeto do estado de consciência Sono Profundo (Prajna) ou Yoga Nidra.


É muito útil para o praticante de Meditação e Yoga Nidra estar ciente destas diferenças. Como comentado no início deste artigo, a Meditação e o Yoga Nidra são companheiros de prática. Práticas de Yoga nos estados Desperto, Sonho e Sono Profundo certamente são complementares, mas com certeza também são diferentes.


Práticas com Impressões Ativas e Latentes: Saber que existem várias camadas ou níveis ajudará muito a lidar com práticas de Yoga. Um dos motivos principais é que desta forma temos duas linhas gerais para trabalhar com as práticas. Uma é trabalhar com processos, imagens ativas e impressões (se nos estados Desperto e Sonho). A outra é trabalhar com as impressões no estado latente, sem forma, e isto, gostemos ou não, é outro nível de realidade, que está abaixo dos estados Desperto e Sonho. É neste nível que os samskaras, a força motriz por trás do karma, estão armazenados.

Meditação em ação e Meditação sentada, que exploram os estados Desperto e Sonho (sutil), lidam com os níveis de impressões e imagens ativas, até que se expandam para a Meditação profunda ou samadhi. O Yoga Nidra trabalha diretamente com o nível de consciência latente, que está relacionado com o nível Sono Profundo. Mais uma vez, os nomes destes níveis e práticas não importam tanto quanto entender que os aspectos ativo e latente existem. Trabalhar com ambos, cada qual a sua maneira, é muito útil no caminho da Auto-realização.


Quarto Local e Ótimo Ponto de Observação: Na metáfora do pais chamado Alfabetolândia, devemos ressaltar que há outro ótimo local de observação, que é dentro de um avião voando alto. Deste local elevado, podemos olhar para baixo e ver as três cidades (sendo um pais metafórico pequeno). É, de certa forma, como o quarto estado de consciência, chamado Turiya, que se refere a consciência pura que permeia os outros três estados. Veja as seções sobre Turiya nos artigos sobre o Mantra OM e os Níveis de Consciência. (Nota do tradutor: textos ainda não traduzidos, sendo seus nomes em inglês 'OM Mantra' e 'Levels of Consciousness').


Nomes Realmente Importam?: De certa maneira, nenhum destes nomes realmente importam. Faz diferença se chamamos de Meditação ou Yoga Nidra? Importa se dizemos que o Sonhos e o mundo sutil estão em Taijasa ou que o Sono Profundo está relacionado com o nível Prajna?


O que importa, e muito, é que lembremos que não estamos apenas falando de dois níveis de consciência: o visível e o invisível, o material e o espiritual, aqui e lá, etc. Não estamos falando apenas de um único nível de consciência que está além do nosso estado típico de consciência, o estado Desperto do dia-a-dia. Existem dois níveis principais de consciência, ou realidade, ou qualquer outro nome que queiramos usar, que estão além de nosso nível de consciência comum do dia-a-dia.


Isto totaliza três níveis de consciência. O 'quarto' nível, é claro, está além destes três. Um destes três níveis principais está relacionado com as impressões latentes, que não estão se expressando de alguma forma. Os outros níveis estão relacionados com a expressão ativa das ações ou pensamentos (se no estado Desperto ou Sonho). Este processo multi-nível é discutido no artigo 'Realization Beyond the Gross and Subtle.






Yoga Nidra e os Chakras



Chakras: Os estados de consciência Desperto, o Sonho e o Sono Profundo (Prajna) funcionam, de modo predominante, a partir de três chakras distintos. É relativamente simples perceber que nosso estado Desperto funciona a partir da área do chakra Ajna. Perceba que esta é a área da face com a qual pensamos, vemos, ouvimos, cheiramos, etc., quando estamos no estado Desperto. Também podemos dizer que caímos no sono nos chackas inferiores, quando entramos nos estados Sonho e Sono Profundo.


Estado de Consciência / Chakra Dominante

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Desperto Ajna / Sobrancelha

Sonho Vishuddha / Garganta

Sono Profundo Anahata / Coração


Chakra do Coração e o Esvaziamento: O Yoga Nidra é praticado com o esvaziamento do espaço no meio do peito, o chakra do coração.


No estado desperto, a consciência opera a partir do centro da sobrancelha, como o centro de comando para os processos mentais e sensoriais.


No estado Sonho, o centro da garganta é o local a partir do qual a consciência opera. O chakra da garganta é descrito com freqüência como o centro da criatividade, e esta criatividade é manifestada, em parte, como seqüências de sonhos.


No estado Sono Profundo, a consciência opera a partir do espaço no meio do peito, o centro do coração.


Movendo a Atenção Através dos Três Centros: Assim, na prática do Yoga Nidra, uma das partes mais efetivas do processo é sistematicamente trazer a atenção dos níveis Desperto e Sonho para o nível de consciência Sono Profundo (Prajna) ao mover a atenção pelos três centros, método descrito mais adiante neste texto:

Processo Interior Sistemático do Yoga Nidra :


Desperto > Sonho > Sono Profundo Consciente

Centro do Intercílio > Garganta > Espaço no Meio do Peito




Vazio no Centro do Coração: É importante ressaltar que a questão dos chakras no Yoga Nidra é totalmente diferente de escolher qual centro focamos na Meditação. Nossa predisposição ao nível da personalidade pode ser, por exemplo, de sentimentos no coração ou pensamentos no centro da sobrancelha. Na Meditação, podemos seguir uma destas predileções como o local para se concentrar. Entretanto, nas profundezas dos três níveis de consciência, todas as pessoas são construídas da mesma forma, e assim o espaço no meio do peito é o espaço para ser esvaziado no Yoga Nidra. É o local natural onde a consciência repousa durante o Sono Profundo. Também é importante notar que, em qualquer chakra que possamos estar praticando Meditação, pode haver um momento, um instante, em que a atenção entre no canal sutil chamado brahma nadi, que liga o centro da sobrancelha ao chakra da coroa, acima. Algumas vezes isto é descrito como ver uma luz no fim do túnel. Este processo não deve ser confundido com questões de predisposições para Meditação, nem com o esvaziamento no coração do Yoga Nidra.



O Tantra e os Três Níveis






Tripura: Tri significa três e pura significa cidade. Tripura é a consciência que opera nas cidades Desperto, Sonho e Sono Profundo, assim como nos aspectos Consciente, Inconsciente e Subconsciente da mente. Algumas vezes conceitualizado como o feminino divino (Shakti), comparado ao masculino divino (Shiva), ela permeia as três cidades do mundo Denso, do plano Sutil e da realidade Causal. Tripura também permeia muitas outras trindades, como a existência inerente no passado, presente e futuro. Isto é uma tradução Tantrica dos três níveis de consciência mapeados pelo símbolo do Mantra OM e seus níveis Vaishvanara, Taijasa e Prajna. Dedicação, devoção, amor e entrega para esta fonte criadora ou Mãe divina é uma dos aspectos mais refinados do Tantra como um traçado direta para a Realização. Alguns conceitualizam Tripura como uma deidade antropomórfica, enquanto as práticas mais sutis são dirigidas para o Tripura sem forma, o quarto estado além das três cidades. O Bindu de Sri Yantra é o símbolo desta elevada Realidade transcendente. A qualidade das três cidades é um aspecto do Mantra OM, Gayatri Mantra e Mahamrityaunjaya Mantra.






Veja os artigos : Kundalini Awakening ,Three Schools of Tantra e Bindu.


Os Métodos São Muitos e Simples


Do Denso ao Sutil: Existem muitos métodos que levam ao ponto de onde podemos 'pular' para o estado de Yoga Nidra. A idéia destes métodos preparatórios é que comecemos com nossa atenção nos aspectos mais densos de nosso ser, como por exemplo o corpo físico, e sistematicamente movemos a consciência para dentro, para os níveis mais sutis.


Atenção Interior Progressiva: Por exemplo, mover a consciência da respiração para cima e para baixo como um fluxo de luz na espinha é mais sutil, profundo e interior do que mover a atenção interior através de partes do corpo físico. Progressivamente, a atenção vai se interiorizando naquele local interno último, de onde se 'pula' para o silêncio e imobilidade do Yoga Nidra.


Muitos Caminhos: Assim, por exemplo, por quantos caminhos podemos mover a consciência através do corpo físico? Muitos! Por quantos caminhos podemos trabalhar com a consciência da respiração? Muitos! Por quantos caminhos podemos explorar os fluxos sutis de energia? Muitos!



Yoga Nidra é um estado de consciência,

embora haja uma variedade de métodos

usados para alcançar este estado.




Estados Versus Métodos: O ponto, mais uma vez, é que embora os vários métodos sejam extremamente úteis para sutilizar cada vez mais a atenção, o Yoga Nidra é um estado de consciência e não os métodos que nos levam para este estado. O Yoga Nidra é o estado de consciência Sono Profundo (Prajna).


Métodos Simples Levam ao Esvaziamento: Os vários métodos são muito simples, já que todos envolvem o desvio da atenção não direcionada para caminhos sempre mais sutis. A dificuldade, se pode ser assim chamada, está na ação determinada e deliberada de se deixar levar pelo esvaziamento, que conduz ao Yoga Nidra. Mas isto também acontece com a prática.


Universal: Mais uma vez é importante ressaltar que o estado de Yoga Nidra é universal, independente de termos ouvido alguma vez o nome Yoga Nidra. Yoga Nidra, como tal, é conhecido pelo yogis a milhares de anos, embora algumas pessoas divulguem incorretamente que o Yoga Nidra foi inventado a poucas décadas atras por um único professor moderno.


Métodos de Prática do Yoga Nidra


Métodos: A seguir estão esboços de alguns métodos que conduzem ao Yoga Nidra. O detalhamento das práticas estão em páginas web individuais e podem ser impressas para facilitar a revisão e a prática. A duração das práticas podem variar de 10 a 20 minutos, de 50 a 60 minutos ou mais. * (Nota do tradutor: os métodos ainda não foram traduzidos).




Yoga Nidra é um estado de consciência,

não os métodos que nos levam para este estado.





O Estados Vêm Após os Métodos: Enquanto revemos e praticamos estes métodos, lembremos que o Yoga Nidra é o estado de consciência Sono Profundo (Prajna) que vem após ou como o resultado destes métodos, através do esvaziamento do conteúdo de imagens e impressões. Há um CD de Yoga Nidra guiado disponível em inglês, que é similar ao Método 1, que também pode ser gravado com a própria voz para fazer uma prática guiada.


Método 1 envolve as práticas de:

Relaxamento completo
61 pontos
Respiração na espinha dorsal
Consciência nos Chakras
Yoga Nidra


Método 2 envolve as práticas de:

Relaxamento completo
61 pontos
Prolongada respiração na espinha dorsal
Consciência nos Chakras
Yoga Nidra


Método 3 envolve as práticas de:

61 pontos
Respiração na espinha dorsal
Chakras
Yoga Nidra


Método 4 envolve as práticas de:

61 pontos
Yoga Nidra


Método 5 envolve as práticas de:

Respiração na espinha dorsal e no centro do umbigo
Yoga Nidra


O Yoga Nidra Começa a Acontecer Naturalmente


Começa a Acontecer Naturalmente: Quando a vida inteira de alguém se torna uma com a Meditação, o Yoga Nidra começa a acontecer naturalmente. A natureza do sono diário começa a mudar. Se torna mais consciente quando se quer que seja assim. Os sonhos são vistos com mais vivacidade e há com freqüência uma sensação de estar dormindo na cama, embora ainda desperto. A consciência facilmente vai para a estabilidade e silêncio que ficam além dos sonhos, no Sono Profundo consciente.


Testemunha e Determinação: Como isto acontece, do Yoga Nidra acontecer naturalmente? Como gradualmente adquirimos a posição de uma testemunha sobre tudo o que é externo e interno, vai ficando mais fácil pôr de lado conteúdos mentais com um simples ato de determinação, o sankalpa shakti. De certa forma, simplesmente vamos para lá, esvaziando e entrando no Yoga Nidra.


Leia também o artigo: Bindu: Pinnacle of Yoga, Vedanta and Tantra



Yoga Nidra e Mandukya Upanishad


O pináculo da sabedoria dos antigos sábios está contido nos sintetizados doze versos do Mandukya Upanishad, com a essência da filosofia e práticas do mantra OM. É dito que a essência dos Vedas estão nas Upanishads e que a essência das Upanishads estão no Mandukya Upanishad.


O Terceiro Nível se Refere ao Yoga Nidra: O terceiro dos quatros níveis de consciência mapeados no Mandukya Upanishad, é chamado Prajna, que é o nível do Sono Profundo. Este é o domínio do Yoga Nidra, que é o Sono Profundo consciente.


Leia também estes artigos sobre os níveis de consciência: OM and the Seven Levels of Consciousness , 4 Levels and 3 Domains of Consciousness, Mandukya Upanishad.



Os versos 1 e 2 descrevem o Ser e o Absoluto.

Os versos 3 a 7 explicam os quatro níveis de consciência.

Os versos 8 a 12 delineiam os quatro aspectos do AUM.



O Ser e o Absoluto (1-2)


Tudo é OM: Hari Om. O Universo inteiro é a sílaba Om. A seguir está a explicação do Om. Tudo que foi, é ou será, é, em verdade, Om. Tudo o mais que transcenda o tempo, espaço e causa também é Om.

O Atman possui Quatro Aspectos: Tudo, por toda a parte, é em verdade Brahman, a Realidade Absoluta. Este Eu absoluto, Atman, é também Brahman, a Realidade Absoluta. O Atman, ou Eu, possui quatros aspectos através dos quais atua.

Os Quatros Níveis de Consciência (3-7)


O primeiro é Desperto / Denso: O primeiro aspecto de Atman é o Eu no estado Desperto, Vaishvanara. Neste primeiro estado, a consciência está voltada para fora, para o mundo exterior. Através de seus sete instrumentos e dezenove canais, ela experimenta os objetos densos do mundo dos fenômenos.

O segundo é o Sonho / Sutil: O segundo aspecto de Atman é o Eu no estado Sonho, Taijasa. Neste segundo estado, a consciência está voltada para o mundo interior. Também opera através de sete instrumentos e dezenove canais, que empregam os objetos sutis do mundo mental.

O terceiro é o Sono Profundo / Causal: O terceiro aspecto de Atman é o Eu agindo no estado Sono Profundo, Prajna. Neste estado, não há desejo de nenhuma espécie, seja por objetos densos ou sutis, nem qualquer seqüência de sonhos. No Sono Profundo, estas experiências recuaram ou submergiram para a área da consciência indiferenciada. Neste local, somos preenchidos com a experiência de felicidade e também podemos conhecer com mais clareza os dois estágios anteriores. Este é o domínio do Yoga Nidra, Sono Profundo consciente.




Yoga Nidra - Sono Profundo Consciente




Encontre aquele que vive a experiência: Aquele que experimenta estes estados de consciência é a fonte original e onisciente que reside no interior e é o diretor de todos. É o ventre do qual os outros emergem. Todas as coisas se originam desta fonte e se dissolvem nela.

O quarto aspecto é Turiya: O quarto aspecto de Atman ou Eu é Turiya, que significa literalmente quarto. Neste estado, a consciência não está voltada para fora ou para dentro e nem está fora e dentro ao mesmo tempo. A consciência está além tanto da cognição quanto da ausência de cognição. Turiya não pode ser experimentada através dos sentidos ou conhecida por comparação, raciocínio dedutivo ou suposição. Não pode ser descrita, não pode ser compreendida e não pode ser pensada com a mente. É Consciência Pura em si. Este é o Eu real, está na cessação de todos os fenômenos, é sereno, tranqüilo, pleno de felicidade e é único. Este é o Eu real e verdadeiro para ser percebido.

Quatro Aspectos do Ohm (8-12)


Estes quatro estados estão relacionados com o 'A-U-M' seguido de silêncio: O Om, mesmo sendo descrito como tendo quatro estados, é indivisível, é Consciência pura. Consciência é Om. Os três sons A-U-M e as três letras A, U, M são identificados com os três estados, o Desperto, Sonho e Sono, e estes três estados são identificados com os três sons e as três letras. O quarto estado, Turiya, somente pode ser percebido no silêncio que está atrás, ou além, dos outros três.

O Som 'A' é Desperto / Denso: Vaishvanara é a consciência vivida no estado Desperto e é a letra A, a primeira letra do Om. O som do A é o primeiro e permeia os outros dois sons. Aquele que é ciente deste primeiro nível de realidade consegue a concretização de todos os desejos intensos e é bem sucedido.

O Som 'U' é Sonho / Sutil: Taijasa é a consciência vivida no estado Sonho e é a letra U, a segunda letra do Om. Este estado intermediário funciona entre os estados Desperto e Sono, refletindo algumas qualidades dos dois. Aquele que conhece este estado sutil é superior aos outros. Para aqueles que conhecem-no, conhecedores de Brahman, a Realidade Absoluta, nascerão nesta família.

O Som 'M' é Sono Profundo / Causal: Prajna é a consciência vivida no estado sem sonho, o Sono Profundo, e é a letra M, a terceira letra do Om. Prajna contém os outros dois estados e é dele que eles emergem, e é para ele que eles recuam ou submergem. Aquele que conhece este estado mais sutil pode entender tudo de si mesmo. Este é o domínio do Yoga Nidra, Sono Profundo consciente.




Yoga Nidra - Sono Profundo Consciente




O Silêncio após 'A-U-M' é o Eu Verdadeiro: O quarto aspecto é o aspecto sem som do Om. Não é possível de ser expressado e de ser compreendido através dos sentidos ou pela mente. Com a cessação de todos os fenômenos, até mesmo a felicidade, este aspecto sem som é conhecido. É o estado não dual (advaita) da realidade, único. Este quarto estado, Turiya, é o Eu real ou Ser real. Aquele que tem esta experiência direta se expande para a Consciência Universal.





Sabedoria para viver e compartilhar com outros:


Há somente uma mais alta realidade e muitos professores.

Todos os humanos e demais formas de vida se originam da mesma fonte.

Todas os países, religiões e instituições surgem desta fonte.

Existem muitos livros de sabedoria de muitas eras.

Pensar que há somente um caminho provém da ignorância.

Conversão coercitiva é violência contra outras pessoas.

O objetivo da vida é encontrado dentro de si e não em instituições.

Sabedoria, alegria e liberdade advém do silêncio interior.

Ame a todos, já que somos ondas do mesmo oceano.







Título original deste texto:

"Yoga Nidra: Yogic Conscious Deep Sleep", disponível em http://www.swamij.com/.


Traduzido pelo yogi

Rogério Maniezi, de Florianópolis.

Texto original em:

http://www.swamij.com/yoga-nidra.htm


Extraído de:

http://www.yoga.pro.br/artigos/830/2/yoga-nidra-sono-profundo-consciente-do-yoga