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sábado, 5 de dezembro de 2009

As estranhas experiências de Robert Monroe (2)




SH e ele ...


(por Robert A. Monroe)


Com a publicação de Viagens Fora do Corpo, começamos a receber surpreendentes perguntas, informações e cooperação de muitas origens inesperadas. Um livro dedicado ao público geral estava atraindo o interesse de círculos científicos e acadêmicos. O nosso laboratório, a oeste de Charlottesville, Virgínia, foi inaugurado em uma base totalmente voluntária. Seu nome original era Laboratórios de Pesquisa Whistlefield, mas mudamos para Instituto Monroe de Ciências Aplicadas. O nome Monroe não significa uma expressão do meu ego, mas apenas uma maneira de tornar o título mais claro para o público. "Ciências Aplicadas" já era bastante específico. Sentimos que a compreensão das EFC poderia ser atingida em um nível compatível com as nossas ciências ocidentais, e que o melhor que poderíamos fazer seria pôr em prática quaisquer descobertas ou informações que encontrássemos.

O laboratório consistia de um prédio de um andar especialmente projetado, incluindo dois escritórios, uma sala de espera e uma ala destinada a pesquisas. Na ala havia uma sala de instrumentos ou controle, três cabines de isolamento e uma sala de instruções. Todas as três cabines eram ligadas separadamente à sala de controle para o controle fisiológico e o envio de vários tipos de sinais audíveis e eletromagnéticos para estimular alguma resposta de um voluntário dentro da cabine.

Cada cabine continha uma cama com colchão de água aquecida, proporcionando assim uma posição confortável em um ambiente totalmente escuro. Além disso, havia um controle do ar, temperatura e acústica da cabine. Uma pessoa que estivesse lá poderia ter fios colados nela e transmitir para a sala de controle um grande número de sinais fisiológicos. Isso incluía um EEG (eletroencefalograma) com oito canais, EMG (tônus muscular), pulsação e voltagem corporal. Aos poucos, fomos capazes de descobrir a maioria daquilo que queríamos saber apenas através da leitura das mudanças na voltagem corporal.

Com exceção dos participantes vindos de outras cidades, tínhamos um grupo de voluntários locais que consistia de vários médicos, um físico um engenheiro eletrônico, vários psiquiatras e assistentes sociais e ainda alguns amigos e familiares "convocados". A maioria das pesquisas e das experiências acontecia à noite ou nos finais de semana, já que todos nós tínhamos outras ocupações. Revendo o passado, a imensa contribuição que esse grupo deu espontaneamente foi um fator crucial para dar início ao processo sob essas novas circunstâncias, e eu lhes serei eternamente grato. Muita paciência e dedicação foi necessária para colar os elétrodos e depois passar horas e horas em uma cabine escura, anotando resultados subjetivos de vários testes - resultados esses que poderiam ser correlacionados com leituras feitas por aparelhos na sala de controle até o momento em que um consenso fosse alcançado.

Nossos primeiros estudos foram uma continuação da pesquisa sobre o sono iniciada em Nova York. A necessidade de uma solução para um problema trouxe um dos nossos primeiros resultados significativos. Uma vez que grande parte do que foi registrado dos estados extracorporais, incluindo muitas das minhas experiências pessoais, relacionava-se com estado de sono, ainda achávamos que algumas respostas seriam encontradas nessa área. Entretanto, a maioria dos nossos "pacientes" chegava após o jantar e, depois de longos e cansativos períodos em que eram ligados a elétrodos, ficavam cansados demais para permanecerem acordados na cabine, ou impacientes demais para conseguirem relaxar o suficiente para que registrássemos qualquer reação sutil ou subjetiva. Já que ia contra os nossos propósitos usar qualquer tipo de remédio ou droga para controlar esses estados, procuramos uma maneira que se adaptasse ao nosso sistema de coordenadas.

Há um ditado que diz: A necessidade é a mãe da invenção. Foi por causa dessa necessidade de ajudar nossos voluntários a ficarem acordados a entrarem em um estado de pré-sono, que começamos a tentar utilizar o som. Isso resultou na descoberta da FFR, que nos permitiu manter a pessoa em um determinado estado de consciência entre a vigília e o sono por longos períodos. Introduzindo certos tipos de sons no seu ouvido, descobrimos que havia uma resposta elétrica semelhante nas suas ondas cerebrais. Controlando essa freqüência de ondas cerebrais, conseguíamos ajudar a pessoa a relaxar, mantê-la acordada, ou fazê-la dormir. Um dos engenheiros do grupo sugenu que patenteássemos esse processo singular, e tiramos uma patente do método e da técnica em 1975.

Através de uma remissão recíproca das várias freqüências entre pacientes, começamos lentamente a desenvolver combinações de freqüências sonoras que criavam FFR que levariam a EFC e outros estágios de consciência fora do comum. Entre elas estava uma maneira bastante efetiva de passar para o estado comumente chamado de meditativo.

Tudo isso não aconteceu de um momento para outro. Apenas algumas palavras foram obtidas após centenas de horas de combinações de diferentes tipos de sons e testes para respostas, com os voluntários pacientemente deitados em uma cabine, ouvindo sons com lentas alterações na intensidade, enquanto o técnico ficava atento a mudanças nos monitores da sala de controle.

Durante essas sessões, nossos participantes voluntários aprenderam a relatar verbalmente quaisquer mudanças na sua condição física ou mental. Falar e perceber, quando o normal seria perder a consciência ou "dormir", tornou-se uma habilidade muito importante.




Um dos primeiros marcos de identificação foi um estado que começamos a chamar de Foco 10. Não havia nenhuma significação especial no n. 10, e nem sei bem de onde ele surgiu. Além disso, queríamos nos certificar de que ele não se confundiria com outras formas de consciência. Então, ficou simplesmente DEZ. Conseguimos identificar esse estado muito especificamente e voltar a ele várias vezes com os nossos voluntários. Em poucas palavras, o Foco 10 é um estado em que a mente está desperta e o corpo dormindo. Todas as reações fisiológicas são características do sono leve ou profundo. Entretanto, os modelos de ondas cerebrais são diferentes. Os EEGs mostram uma mistura de ondas comumente associadas ao sono, seja ele leve ou profundo, e que se sobrepõem aos sinais beta (vigília).

Pouco a pouco, foi-se formando um grupo muito especial, um total de uns oito voluntários completamente familiarizados com o estado Foco 10. A comunicação verbal no Foco 10 através do sistema de microfone/fone de ouvido se tornou tão normal que é como se estivéssemos sentados um de frente para o outro em uma sala de conferências. Poderíamos saber facilmente, com a ajuda da leitora, quando eles estavam e quando não estavam em Foco 10. Isso não podia ser imaginação ou algo simulado, mesmo que se quisesse. É lógico que muitas vez;es eles não conseguiram entrar no estado do Foco 10 por causa de pressões externas e da tensão do dia-a-dia que não lhes era fácil esqueçer. Nesses casos, eles simplesmente diziam que não poderiam "fazer" aquilo naquela noite, ou então cancelavam o encontro. Assim não se desperdiçava tempo nem esforços.

Com o fluxo constante de visitantes, começamos a estabelecer que outras pessoas, sem qualquer treinamento, poderiam ser assistidas no Foco 10 sem muito problema. O processo de aprendizagem de comunicação verbal levaria muito tempo. Para ver até onde isso iria, mandamos uma fita do sinal composto para um amigo psiquiatra em Kansas. Ele a testou, a título de experiência, em quatro voluntários completamente ingênuos e sem lhes dizer nada. Ele contou que uma das quatro pessoas abandonou o teste porque descobriu que estava indo de encontro ao teto da sala olhando para o seu próprio corpo.

Nossa etapa seguinte surgiu como uma proposta interessante. Com o corpo em estado de sono - ou seja, com os sentidos "desligados" ou reduzidos - por que não desenvolver freqüências que intensificariam a percepção por meio de outros sentidos diferentes dos cinco sentidos físicos? Com a inserção de sinais beta da mais alta freqüência, nossos voluntários começaram a descobrir muito mais do que a habitual escuridão. Primeiro vinham a luz e as cores vistas na cabine escura, com os olhos fechados ou abertos. Depois vinham sons; não os sons sintetizados, mas vozes, música, e às vezes grandes explosões que assustavam a pessoa a ponto de retirá-la do Foco 10 - algo que ainda tem de ser explicado.

Esses fenômenos foram gradativamente percebidos como formando um padrão, algo do tipo de uma faixa precedendo uma mudança na experiência extracorporal. Houve também noções fisiológicas preliminares - queda da pressão arterial e de pulsação, uma ligeira queda de temperatura (0,3°) e perda de tônus muscular. Foram relatados casos particulares de peso no corpo, às vezes catalepsia, e uma forte sensação de calor seguida de frio. À medida que analisávamos melhor a entrada ao estado EFC, um elemento principal se repetiu persistentemente. As pessoas começaram a localizar dentro da sua percepção não-física um ponto de luz. Quando elas aprenderam a "andar" na direção da luz até ela se expandir cada vez mais, e depois passar através dela, o estado EFC foi alcançado. Em câmara lenta, "era como se você estivesse passando por um túnel para chegar à luz", uma descrição clássica que tem sido feita por muitos que tiveram EFC sem querer ou em uma situação próxima da morte.

Uma nova descoberta foi a chave que abriu muitas coisas novas para nós. Agora o chamamos de processo SH.

Há muito tempo a ciência sabe de que o cérebro humano é dividido em duas metades, ou hemisférios. Mas só recentemente foi descoberto que essas duas metades são totalmente diferentes com relação às suas funções. Ainda há controvérsia sobre a teoria quando se tenta entrar em detalhes. Na maior parte das vezes, pensamos apenas com o nosso "cérebro esquerdo". Quando usamos o "cérebro direito" é para sustentar a ação do esquerdo. Do contrário, fazemos o possível para ignorá-la. Os sinais nervosos dessas metades cerebrais atuam em um cruzamento em forma de X. O cérebro esquerdo controla o lado direito do corpo, e o cérebro direito controla o lado esquerdo. Nós somos, a princípio, uma civilização destra dominada por nossos cérebros esquerdos. Apenas nos últimos cinqüenta anos os canhotos foram aceitos como "iguais" . Mas ainda discriminamos os canhotos de muitas maneiras. Voce sabia que uma tesoura é um instrumento de mão direita?

Usamos o cérebro esquerdo para falar e ler, fazer contas, raciocinar dedutivamente, lembrar de detalhes, medir o tempo, entre muitas outras coisas - e a fonte do pensamento lógico, racional. Ele não "sabe" de mais nada.

O nosso cérebro direito é o criador das idéias, do senso espacial, da intuição, da musica, da emoção, e provavelmente de muito mais do que pensamos. Ele é atemporal e possui aparentemente uma linguagem própria.

Uma das melhores descrições para ilustrar a diferença é a bobina de um filme. Para determmar o seu conteúdo, o cérebro esquerdo o colocara em um projetor, passará o filme na tela e então saberá do que se trata. O cérebro direito pegará o rolo do fiime, o segurará por instantes e então o deixará de lado dizendo: "Ah, já entendi."

Ridículo! Essa é a reação do seu cérebro esquerdo quando você o usa para ler essas palavras, isso simplesmente não faz sentido - pelos padrões do cérebro esquerdo.

Basicamente, somos uma sociedade de cérebro esquerdo. Praticamente tudo o que consideramos válido é operado ou controlado pelo lado esquerdo dominante do nosso cérebro. Mesmo que se origine do lado direito, como uma idéia ou música, o lado esquerdo toma conta e põe em pratica.
Como chegamos até esse ponto? Ninguém tem certeza absoluta mas uma das hipóteses mais plausíveis é que o domínio do cérebro esquerdo surgiu devido a uma necessidade básica de sobreviver em um mundo físico. Por milhares de anos, nossos antepassados se juntaram à teoria da dominância do cerebro esquerdo porque essa era a maneira de conseguir as coisas. O nosso sistema inteiro - livros, escolas faculdades e universidades, indústrias, estruturas políticas, igrejas - utiliza fundamentalmente o cérebro esquerdo na aprendizagem, aplicação e operação. Nós sempre encaramos o pensar de cérebro direito com uma tolerância gozadora, com suspeita, aversão, irritação, descrédito - e admiração.

Então para que tanta preocupação? Por que não continuar de cérebro esquerdo e ir em frente? Quem precisa do cérebro direito?

Nós precisamos.

Estudos recentes mostram que usamos o nosso cérebro direito nas nossas vidas diárias de muitas maneiras sutis. Por exemplo, o cérebro esquerdo se lembra do nome, mas o direito se lembra do rosto. (Quantas vezes você já reconheceu um rosto, mas não conseguiu lembrar o nome? Cérebro esquerdo, fique atento!) Estudos sobre líderes mundiais de toda a história indicam que eles pensavam com muito mais do que suas mentes intelectuais, analíticas. Todas as grandes decisões da humanidade têm sido tomadas pelo cérebro esquerdo mais alguma coisa. Mais o cérebro direito? Há provas de que sim, com base no que sabemos hoje, Além disso, é uma boa hipótese dizer que o cérebro direito puxa a alavanca da cabine de votação em eleições presidenciais. Uma teoria atual gira em torno da idéia de que trocamos a dominância do hemisfério cerebral várias vezes durante nossas atividades diárias. Essa troca ocorre instantaneamente, dependendo da necessidade física ou mental do momento. Isso parece limitar ainda mais o pouco uso que já fazemos do nosso potencial cerebral/mental. O fato de nos termos tornado inteligentes o suficiente pelo tempo necessário para descermos da árvore e sobrevivermos como uma espécie foi uma sorte incrível ou um milagre. Ou então algo mais.

Então como fazemos para usar mais do nosso poder mental? Já houve muitas tentativas no curso da evolução humana. Quase todas têm tido obstáculos ou limitações em uma forma ou outra. O processo SH oferece esperanças e potencial nessa área. Pode ser utilizado com relativa facilidade, não requer anos de treinamento intensivo, e não está limitado a uma estreita faixa de aplicação.

A SH (abreviação de sincronização hemisférica) usa padrões de sons para ajudar a criar simultaneamente uma onda cerebral idêntica em cada hemisfério. Isso significa que quando o seu ouvido capta um determinado tipo de sinal sonoro, o cérebro tende a responder ou "ressoar" com sinais elétricos semelhantes. Sabendo que várias ondas cerebrais elétricas são indicadoras de estados de consciência (como a vigília ou o sono), você pode então ouvir um tipo de som semelhante e isso o ajudará a ficar no esperado estado de consciência.

A SH leva o processo a uma nova etapa importante. Cada ouvido manda o seu sinal nervoso dominante para o hemisfério cerebral oposto, seguindo o modelo de cruzamento em X. Quando vibrações sonoras separadas são enviadas a cada ouvido (usando fones especiais, para separar um ouvido do outro), as metades do cerebro devem agir em uníssono para "ouvir" um terceiro sinal, que é a diferença entre os dois sinais de cada ouvido. Por exemplo, se você ouve um som medindo 100 em um ouvido e um sinal de 125 no outro, o sinal que o seu cérebro inteiro vai "produzir" será de 25. Nunca chega a ser um som de verdade, mas é um sinal elétrico que só pode ser criado pelos dois hemisférios agindo e trabalhando em conjunto. O sinal criado será então de faixa estreita de freqüência e terá quase sempre o dobro da amplitude ou força de uma típica onda cerebral de um EEG.

Se o sinal 25 produz certo tipo de consciência então o cérebro inteiro - os dois hemisférios - está voltado para 'um estado de consciência idêntico ao mosmo tempo. O que é mais importante: a condição pode ser voluntariamente trocada mudando-se o padrão de som. Também pode ser aprendida e recriada pela memória diante das necessidades.

Uma vez que o pesquisador ou clínico descobre algumas das potenclahdades do processo SH, o seu primeiro pensamento é aplicá-lo em áreas. do seu própno mteresse, como ilustra um exemplo no campo da psiquiatria. O uso de SH na análise aparentemente leva o paciente a níveis de memória que podem demorar anos para serem atingidos usando-se os métodos tradicionais de perguntas sobre o passado. Outro uso experimental está relacionado à redução da tensão emocional nos pacientes. Algumas vezes a mudança é tão sutil que o paciente nem chega a percebe-la. Um dos nossos psiquiatras associados estava tratando problemas relacionados à tensão de um coronel da Força Aérea. Depois de duas semanas de tratamento com SH e com o psiquiatra o paciente, zangado, quis desistir.

- Isso não está resolvendo droga nenhuma - disse ele. Está tudo na mesma. Não sinto nada de diferente, nada. Ele hesitou. - Bem, levei mmha mulher para jantar na outra noite pela primeira vez em seis meses. E ... ah, é, finalmente levei meu filho para pescar no fim de semana, como eu tinha prometido há muito tempo. Mas foi só isso. Mais nada.

O nosso amigo psiquiatra apenas balançou a cabeça positivamente.

Tem-se falado muito sobre o uso de SH em pacientes terminais No entanto, apesar do grande interesse e dos inúmeros pedidos, bem poucos tem utilizado realmente o sistema com pacientes específicos. Um exemplo ocorreu com outro psiquiatra associado, que estava com um caso que poderia ser chamado de terminal resistente. O seu paciente era um psicólogo que ficara doente por dois anos e se tornara viciado em drogas para tirar a dor que a doença lhe infligia. Assim, o prob!ema era duplo - o paciente provavelmente sabia de sua real condição e ira automaticamenente resistir a qualquer tratamento normal, agravado pela dependêncla às drogas. O nosso psiquiatra começou a trabalhar diariamente com ele, utilizando o processo SH. Na quarta-feira da segunda semana aconteceu algo simples, mas muito significativo. O paclente conseguiu dormir à noite pela primeira vez em dois anos sem sentir dor, e sem tomar qualquer remédio.

No final de duas semanas, o paciente voltou para casa. Ele morreu vários meses depois, e o último relatório veio de sua esposa. O paciente psicólogo passara de uma forma bastante tranqüila a última semana da sua vida, completamente livre da dor, sem qualquer remedio, e os últimos dias em família foram agradáveis e tranqüilos. O psiquiatra que tratou dele acredita que a sua exposição à SH durante o tratamento tornou isso possível.

Outro amigo psiquiatra, um pesquisador da esquizofrenia, descobriu que, colocado sob certos padrões SH, um paciente perdia muitos dos sintomas da doença. Ao ser privado do som SH, ele voltava a sua condição psicótica típica. Isso ocorreu com um paciente específico. Entretanto, é um fato que requer uma investigação mais cautelosa, para determinar se o paciente pode ser treinado para reproduzir as condições criadas por SH, além de alguma forma de codificação ou de início de processo que o levaria a lembrar-se e a fazer uso disso em sua vida cotidiana.

Certamente um dos mais bem-sucedidos usos do SH é uma serie de treinamentos que chamamos de Tratamento de Emergência. Ele se destina a ajudar um indivíduo no decorrer de uma doença seria, um ferimento causado por acidente ou uma cirurgia. Lembro-me agora de um caso.

Um psiquiatra de apoio visitou nosso laboratório, após ter ouvido falar de alguns dos nossos trabalhos. Durante a conversa que tivemos, descobrimos que ele era, na época, a segunda pessoa mais velha que vivia com um rim transplantado. Ele passara por umas quinze operações sucessivas através dos anos para corngir os efeitos dos medicamentos que teve de tomar para evitar rejeição do rim transplantado. Ele iria ser operado pela sexta vez na qumta-feira seguinte. Sugerimos que tentasse essa série de Tratamento de Emergência, no que ele concordou prontamente.

Seu caso foi importante porque, devido às inúmeras operações anteriores o médico tinha um histórico preciso do seu estado fisiológico durante uma cirurgia, quanto ele necessitava de anestesia, o que era necessário para controlar sua dor, e o seu grau de recuperação, entre outros itens. Sendo assim, o médico concordou que ele usasse a serie de fitas, que envolviam exercícios preliminares, e uma fita de SH para ser ouvida na sala de cirurgia durante a operação, ao sair dela, e ainda no pós-operatório.

No dia marcado, ele foi para a mesa de operações às onze horas.

Segundo o seu relato, o cirurgião quase cancelou a operação por causa da sua pressão baixa. Mas, como ela se mantinha estavel, ele decidiu que não chegava a representar um sério risco. As quatro da tarde, o paciente me telefonou do seu quarto do hospital. Estava sentado na cama.

- Achei que devia dizer a você como foi - sua voz parecia firme. - Eles me deraam uma injeção analgésica antes que eu pudesse evitar, mas não precisel de mais nada desde então. O único problema que tive é que tentei levantar para ir ao banheiro e desmaiei. O médico disse que a minha pressão ainda está muito baixa. Isso é normal?

- Tente contar de dez a um - respondi - e depois veja como está sua pressão. Parece que a fita do pós-operatório não o recuperou por completo. Telefone-me novamente depois que o médico tirar a sua pressão.

Ele fez o que sugeri, e disse que a sua pressão arterial voltara ao normal. O seu tempo de recuperação tinha sido reduzido à metade do das operações anteriores. E, o que é mais importante, ele foi capaz de controlar totalmente o problema de dor crônica, que o havia atormen¬tado nos meses e anos anteriores.

Depois que saiu do hospital, ele começou a desenvolver o uso de SH para controle da dor. Entrou para o Departamento Federal de Reabilitação, já que um dos maiores problemas em reabilitação é o controle da dor, que impede muitas pessoas de viver e trabalhar normalmente. Lá, ficaram tão interessados em nosso método que fomos convidados a fazer uma demonstração no Departamento Federal de Reabilitação em Hot Springs, Arkansas. Como resultado recebemos um pedido para que enviássemos o custo do treinamento de pessoal para nosso processo em centros de reabilitação de todos os estados. Nós o enviamos, mas não recebemos mais nenhum pedido. Evidentemente, ele estava muito em desacordo com as regras para se ajustar a um orçamento federal.

O uso do Tratamento de Emergência durante operações tem atingido graus variáveis de sucesso, mas nenhum fracasso, sempre que usado corretamente. Um cirurgião vascular o utilizou com mais de trinta pacientes e ainda tem dificuldades em enumerar a quantidade de colegas que o utilizam. O presidente de uma grande empresa o usou durante uma cirurgia, e não teve dores nem tomou qualquer remédio para dormir no pós-operatóno. Evidentemente, ficou tão aborrecido com os procedimentos do hospital que ele próprio se deu alta três dias após a operação. Uma jovem senhora sofreu uma cirurgia abdominal e uma semana depois, já estava saltando de pára-quedas. A história do tratamento de Emergência tem sido notável. O maior problema reside em se obter consentimento do cirurgião e dos funcionários do hospital para a sua utilização naquele ambiente altamente organizado.

Para uma boa noite de sono, SH é tão eficiente quanto fortes calmantes. Os executivos o utilizam em longas viagens aéreas para superar o mal-estar decorrente do vôo. Outros acham que ajuda a reduzir a tensão ou mesmo a jogar golfe melhor.

Utilizado como instrumento de aprendizagem, ele tem grande capacidade de atrair e prender a atençào. Em um determinado aviso de uma escola de treinamento do governo, ele aumentou as capacidades psicomotoras dos participantes em 75 por cento. Em outro teste, estudantes do código Morse aumentaram as suas habilidades em 30 por cento. No outro extremo da escala alunos primários em Tacoma aprenderam em quatro semanas o que normalmente levariam um semestre inteiro.

Estes e outros resultados nos conduziram ao início das definições de o que estávamos fazendo e por que o fazíamos. Parece ser algo muito diferente de achar maneiras para ativar estados de EFC.

Isso nos trouxe a seguinte premissa formal:

Em poucas palavras, o Instituto segue o conceito de que: 1) a consciência e o seu enfoque contêm todas e quaisquer soluções para os processos da vida que o homem procura ou acha; 2) podem-se alcançar uma grande compreensão e percepção dessa consciência apenas com coordenação e abordagens interdisciplinares; e 3) os resultados de esforços de pesquisas relativas ao assunto são significativos apenas se reduzidos à aplicação prática, a "algo de valor" dentro do contexto da cultura ou da era contemporânea.

Isso nos levou ao fundamento de que a consciência é uma forma de energia em funcionamento. O primeiro passo, então, deve ser o de captar a própria energia - não há nenhum truque quando você está se usando para uma auto-avaliação. Uma vez que percebe a sua forma "bruta", uma pessoa pode começar a compreender como ela é naturalmente usada. Tal percepção irá permitir um controle maior e mais deliberado de tais campos de energia. Partindo do controle, é uma etapa lógica aplicá-lo em formas novas e ampliadas. Essa é uma maneira bastante perifrástica de dizer que, se puder encontrar o material responsável por seus pensamentos e ações, você pode usá-lo de formas que desconhece atualmente.


(Extraído do livro "Viagens Além do Universo", de Robert Monroe)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

As estranhas experiências de Robert Monroe



O Velho Tráfego Local


Se há um fato primordial e óbvio a ser mencionado é o de que ainda estou vivo após 25 anos de experiências pessoais com atividades fora do corpo. É certo que estou um pouco velho, porém ainda me sinto mais ou menos em forma.

Houve vários momentos em que não me senti tão seguro disso.

Entretanto, algumas das maiores autoridades em medicina me garantiram que os problemas de saúde que venho sofrendo têm sido simples conseqüências de viver no meio da civilização e da cultura americana da metade do século XX. Outros têm uma opinião diferente. É a de que o fato de eu ainda estar vivo é o resultado dessa atividade de experiências fora do corpo (EFC). Que explicação você prefere?

Assim, isso significaria que uma pessoa pode "sair do corpo" com certa freqüência, e sobreviver. Além disso, após ter sido periodicamente testado por especialistas, ainda posso afirmar que sou uma pessoa razoavelmente sã vivendo em um mundo nem tão razoavelmente são. Muitas pessoas fazem coisas estranhas e não são recriminadas. Há um século, poderia ter sido algo como descer as Cataratas do Niágara em um barril.

O que é a experiência fora do corpo? Para aqueles que ainda não conhecem o assunto, tal experiência é uma condição na qual você se encontra fora do seu corpo, totalmente consciente e capaz de sentir e agir como se estivesse funcionando fisicamente - com algumas exceções. Você pode se locomover no espaço (e tempo?) lentamente ou aparentemente, além da velocidade da luz. Você pode observar, participar de acontecimentos, tomar decisões baseadas no que percebe e faz. Você pode atravessar a matéria, como paredes, chapas de aço, concreto, terra, oceanos, ar e até radiação atômica sem qualquer esforço ou conseqüência.

Você pode entrar em uma sala adjacente sem precisar abrir a porta. Pode visitar um amigo que mora a cinco mil quilômetros de distância. Pode explorar a lua, o sistema solar e a galáxia, se lhe interessar. Ou pode penetrar outras realidades apenas obscuramente percebidas e teorizadas pela nossa consciência temporal/espacial.

Não se trata de um fenômeno novo. Pesquisas recentes indicam que 25 por cento da nossa população se lembram de ter tido ao menos uma experiência do gênero. A história do homem está cheia de relatos de tais acontecimentos. Na literatura mais antiga, isso era comumente chamado "projeção astral". De início recusei-me a usar esse termo, pois ele continha uma conotação oculta e certamente não era científico segundo os nossos padrões. Charles Tart, um amigo psicólogo, popularizou a expressão "fora do corpo" quando trabalhávamos juntos, por volta de 1960. Nos últimos vinte anos, tornou-se o termo genérico ocidental adotado para esse estado específico.

Sem qualquer motivo evidente, comecei a "sair" do meu corpo no outono de 1958: Sob a luz dos últimos acontecimentos históricos, é importante esclarecer que não tive qualquer contato com drogas ou álcool. Não fazia uso das primeiras e raramente bebia.

Há vários anos, assisti a uma conferência em um lugar não muito distante de nossa antiga residência em Westchester County, Nova York - o lugar de minhas primeiras experiências fora do corpo. Enquanto nos dirigíamos para casa, comentei que ainda considerava obscuro o porquê dessas experiências.

Um amigo psicólogo que viajava comigo deu uma olhada na casa, virou-se e sorriu.

- A resposta é simples: é a casa. Olhe bem para ela.

Nesse momento parei o carro. A casa parecia a mesma, de pedra e telhado verde. O novo proprietário a tinha bem conservada. Virei-me para o meu amigo e disse:

- Não vejo nada de diferente.

- O telhado - replicou ele, apontando para cima. - É uma pirâmide perfeita. Além do mais, é igual ao topo das pirâmides do Egito antes da chegada dos saqueadores.

Olhei estupefato.

- É o poder das pirâmides, Robert - continuou. - Você já leu sobre isso. Tudo aconteceu porque você morava em uma pirâmide, foi isso!

Poder das pirâmides? É, pode ser. Existem relatórios e livros que falam de estranhas energias nas pirâmides.

Dizer que a experiência fora do corpo me amedrontava na época é uma espécie de eufemismo. Cada vez que se repetia, eu tinha visões alucinantes de tumores cerebrais e de loucura próxima. Isso me levou a submeter-me a exames médicos completos, todos com resultado negativo, seguidos de recomendações de psicoterapia para uma "leve disfunção alucinatória".

Imediatamente descartei esse diagnóstico. Alguns dos meus melhores amigos na época eram psiquiatras e psicólogos com seus próprios problemas, embora fossem certamente mais ortodoxos.

Em vez disso, comecei, por instinto de autopreservação, a procurar e pesquisar teimosamente o fenômeno e, à medida que o medo e o pânico se acalmavam, por curiosidade cada vez maior. O caminho me levou para longe dos círculos científicos convencionais (rejeição total), das religiões ("É obra do demônio"), da parapsicologia ("Interessante. Desculpe, mas não há informações disponíveis"), e de disciplinas orientais ("venha estudar em nosso ashram, no norte da índia, por dez anos"). Isso tudo foi relatado no meu livro anterior, Viagens Fora do Corpo.

Uma coisa é certa. O objetivo do livro anterior foi plenamente atingido. Graças a ele recebi milhares de cartas de todas as partes do mundo e, entre elas, centenas de pessoas agradeciam por haver-lhes garantido que elas não eram mentalmente perturbadas, que, depois de tudo, não se achavam tão sozinhas com suas experiências secretas e "escondidas" que não podiam explicar e, o que é mais importante, que não eram necessariamente candidatas ao divã do analista ou ao hospital psiquiátrico. Esse foi o claro propósito do livro original: ajudar ao menos uma pessoa a evitar tal encarceramento desnecessário.

Estou perplexo com as mudanças ocorridas nesses 25 anos. Na maioria dos meios acadêmicos e intelectuais, já é bastante aceitável falar em experiências fora do corpo (EFC). No entanto, estou certo de que a maioria das pessoas em nossa cultura ainda não está consciente desse aspecto de suas vidas. Em 1959 ou 1960, eu certamente teria ridicularizado a idéia de dar uma possível palestra sobre EFC na Smithsonian Institution. Ou de que estudos sobre o assunto seriam apresentados à Associação Psiquiátrica Americana. Mas isso aconteceu.

Uma das perguntas mais freqüentes que ouço me faz lembrar da velha rotina de show-business, quando um apresentador entrevista um artista que procura emprego. O que ele está ouvindo não é novidade: que o artista estreou em The Great One em 1922, brilhou em Who Goes There em 1938, ganhou o Prêmio da Crítica pelo seu desempenho em Nose to Nose, onde foi o protagonista principal, e em 1949 fez o papel de Willie em What Makes WiIlie Weep.

O apresentador o interrompe e faz a simples pergunta: - Isso é ótimo, mas o que você fez ontem?
É assim mesmo. O que tenho feito (fora do corpo) desde a publi¬cação de Viagens Fora do Corpo? Minha resposta é geralmente esta:

lá pelos anos 70, comecei a experimentar uma frustração, uma limitação nas minhas experiências extracorporais. Acho que é difícil acreditar, mas tais viagens começaram a se tornar aborrecidas. O entusiasmo inicial já se acabara há muito. Fazia um esforço para participar de testes controlados, e por causa disso comecei a perceber que a forma específica do teste não fazia parte do meu modo de operar. Além do mais, quando me libertei das limitações dos testes, não percebia haver nada de excitante para fazer.



Minha introdução deliberada ao segundo estado tornou-se monótona porque encontrei maneira mais fácil de alcançá-lo. Eu acordava depois de dois ou talvez três ciclos de sono, ou aproximadamente após três ou quatro horas, e já me encontrava fisicamente relaxado, descansado, e completamente acordado. Naquele estado, eu achava ridiculamente fácil me "soltar" e voar livremente para fora do corpo. Isso é claro, me colocou diante do problema de o que fazer naquele mo mento. Todas as outras pessoas estavam dormindo às três ou quatro e meia da manhã. Não valia a pena sair e encontrar com pessoas enquanto elas estavam dormindo, e nem sequer havia uma simples perspectiva de validaçao por causa da hora. Assim, sem qualquer objetivo especlfico, eu geralmente vagueava um pouco, depois voltava acendia a luz, lia até ficar com sono novamente, e pronto.

Isso aumentava a frustração, já que ainda havia a compulsão. Todo o esforço para atuar extracorporalmentc tinha que ter algum significado ou importância além do que a minha mente consciente (ou a dos outros) considerava importante.

Na primavera de 1972, uma decisão trouxe a resposta. O fator limiltante era a mmha mente. Então, se as decisões de EFC fossem deixadas para aquela parte de mim, como acontecera, eu continuaria exatamente como era. Eu tinha completo controle de tudo - o "eu" do hemisfério cerebral esquerdo. O que aconteceria se eu deixasse esse processo de tomar decisões para o meu "eu" inteiro (a alma?), que estava supostamente familiarizado com tais atividades?

Acreditando nisso, pus logo em prática. Na noite seguinte, ao dormir, passei por dois ciclos de sono (mais ou menos três horas), acordei, e me lembrei da decisão. Separei-me do corpo e flutuei livremente. Disse à minha mente consciente que as decisões deveriam ser tomadas pelo meu eu inteiro. Depois de esperar o que me pareceu apenas alguns segundos, houve como que uma oscilação tremenda, um movimento, uma energia naquela total escuridão espacial, e então começou para mim. uma nova era nas minhas atividades extracorporais. Desde aquela noite, as minhas experiências fora do corpo têm sido quase todas através desse procedimento.

Os resultados têm sido de uma natureza tão diferente de qualquer coisa que minha mente pudesse conceber que isso provocou um novo prolema. Embora a minha consciência do concreto "aqui e agora" esteja sempre participando, mais de noventa por cento de tais acontecimentos não poderiam ser traduzidos na perspectiva de espaço e tempo. É como se alguém tentasse descrever música como uma orquestra sinfônica com coro, fazendo-o através de palavras sem usar descrições tecmcas como notas, instrumentos, intervalos, tonalidades etc. Uma pessoa pode usar palavras como "lindo", "poderoso" "assustador" "atemorizante", "cálido", "adorável", "belo" - e ficar muito lon ge da verdadeira descrição.

Faz-se o melhor que se pode. O que, suponho, é o que vai acontecer à medida que se tenta. Tenho certeza de que seria mais fácil relatar a viagem de barril pelas Cataratas de Niágara.

Minhas atividades "aqui e agora" trouxeram outro problema. Nenhum dos exercícios e técnicas que eu planejara e preparara para os outros funcionava para mim. Alguns amigos psicólogos levantaram várias razões por que eles não eram eficazes no meu caso. A mais simples é a de que não consigo livrar-me do meu cérebro esquerdo. Tenho estado tão envolvido no processo de produção que a minha capacidade crítica e analítica simplesmente não abandonará o material que prende a atenção ao "aqui e agora". Além disso, para produzir esses exercícios em áudio, tive de ouvir com intensa concentração a gravação e mixagem dos vários sons que usamos. Evidentemente, precisei cortar o efeito. Mesmo um simples tom de uma freqüência me faz analisá-la e tentar determinar se é estável.

Talvez exista um efeito do qual não tenho consciência. Mas é estranho ficar olhando sobre a cerca de um jardim que você plantou e fertilizou, vendo as outras pessoas se divertirem.

As partes "aqui e agora" dos acontecimentos recentes são relativamente precisas. Por exemplo, eu me tornara dolorosamente consciente de que meu corpo começou a rejeitar substâncias químicas, inclusive álcool, remédios fortes, cafeína e, evidentemente, qualquer outra coisa que meu corpo rejeita como antinatural. A rejeição ou reação alérgica toma a forma de suor intenso, vômitos e/ou fortes cólicas abdominais. Por um lado isso pode ser bom, mas também tem as suas desvantagens. Nunca fui de beber muito, mas até mesmo um copo de vmho desencadeia o processo de rejeição.

Durante uma cirurgia é uma situação difícil. Começo a rejeitar a anestesia e acordo na mesa de operação, sentindo o cirurgião me costurar (para surpresa do anestesista). No pós-operatório, ao sentir dor intensa, uma injeção de Demerol me causa apenas muitos vômitos. Você pode imaginar minha frustração quando outros estão usando um sistema que desenvolvemos e que permite um excelente controle da dor sem o uso de drogas no período pós-operatório. Nas minhas visitas a hospitais, durante os últimos dez anos, o sistema só funcionou comigo uma vez. Fiquei extremamente desapontado quando não fez efeito algum na última vez. Foi um fato quase insuportável. Mas não sabia que, se saísse conscientemente do meu corpo, não teria coragem de voltar para aquele mar de dor escaldante.

Um amigo psicólogo mostrou-se a princípio cético com relação a essa alergia aos remédios. Além disso, estava interessado em saber que efeitos as chamadas drogas de divertimento teriam sobre o meu tipo de constituição pessoal e física. Tentamos mescalina de laboratório e LSD no meu organismo. Nada aconteceu.

Outro fato: perguntei a um amigo não-físico se eu existira não¬fisicamente em passado recente.

Foi uma das poucas respostas verbais claras que recebi:

- Você passou a sua última vida em um mosteiro em Coshocton, Pensilvânia.

Procurei no mapa da Pensilvânia e não achei esse Coshocton. Sabia que existia um lugar com esse nome em Ohio, porque eu já morara nesse estado. Então, perguntei novamente, para me certificar de que o estado estava certo. Era realmente Pensilvânia. Não dei muita atenção a isso porque não estou tão interessado em saber quem eu era, se é que era. Mencionei o fato a um monsenhor católico amigo meu, e ele se ofereceu para procurar nos seus registros. Algumas semanas mais tarde, ele me telefonou para dizer que havia realmente um mosteiro em um lugar chamado Coshocton, Pensilvânia. Ele achou que seria interessante ir até lá num final de semana e ver se eu reagia a quaisquer recordações. Talvez, um dia.

Fato 3: O bolso da calça de dinheiro. Durante anos, mantive isso em segredo porque ninguém acredita. Mostrei à minha esposa, Nancy, e ela ainda se mantém cética. Parece que quando deixo uma certa calça pendurada no guarda-roupa do quarto, ela cria dinheiro. Dinheiro verdadeiro, nem novo nem amassado, geralmente um pouco usado. Nunca é uma grande quantia; o máximo que já achei até hoje no bolso foram onze dólares. Geralmente só encontro dois, três ou quatro dólares. O tempo não parece influenciar. Posso esquecer isso por uma semana, e lá estarão talvez três dólares. Posso não chegar perto por três meses, e pode haver apenas seis dólares. Não parece haver qualquer padrão específico para o surgimento do dinheiro. Posso levar minha calça para a lavanderia e trazê-la de volta dentro do saco plástico. Não faz qualquer diferença. Pensamos na possibilidade de eu ter andado durante o sono e colocado dinheiro dentro do bolso da calça, mas o fato de o saco plástico ficar fechado descartou tal idéia. Uma razão lógica é que isso é um resultado decorrente de uma necessidade urgente de alguns dólares em minha adolescência (aconteceu uma coisa estranha naquela época que pode ter relação com isso).

Alguma parte de mim ainda recorda aquela extrema necessidade e tenta supri-la. É uma pena que quando você atinge outra etapa da sua vida, cinco, seis ou onze dólares não representam muita coisa. Muito poucas pessoas acreditam nisso, e elas têm razão. Eu também não acreditaria se não tivesse acontecido comigo.

Fato 4: Em nossa casa em Whistlefield Farm, havia uma varanda coberta dando para a sala de estar. Para chegar à varanda, uma pessoa tinha de passar por duas portas e descer uma série de degraus de pedra que levavam à varanda em um nível inferior. Esses degraus eram muito altos, sendo a diferença de altura aproximadamente de um metro e vinte.

Certa manhã, carregando nos braços livros e papéis, andei até a entrada para a varanda e tropecei. Meu pé esquerdo cruzou o direito e mergulhei de cabeça na direção do chão de pedra. Durante a queda, não consegui por os braços na frente para me apoiar. Lembro-me de haver pensado: "Bem, certamente vou terminar com a cabeça e o pescoço quebrados."

Mais ou menos a quinze centímetros do chão, minha queda foi repentinamente interrompida e caí suavemente sobre a cabeça e os ombros. O resto do meu corpo dobrou-se gradualmente, deslizando tão leve como uma pena. Fiquei quieto por um momento, tentando imaginar o que teria acontecido. Senti a cabeça e os ombros, e não havia dor, marca, contusão, nada. Levantei-me, apanhei os livros e os papéis, olhei para o lugar de onde eu caíra e tentei achar uma explicação para o fato. Alguma coisa amortecera minha queda, mas eu não tinha absoluta consciência de quê.

Alguns meses mais tarde, no meio do inverno, aconteceu uma coisa parecida. Eu estava descendo os degraus da frente, que haviam sido aparentemente limpos depois da neve, quando escorreguei e comecei a cair. Dessa vez não fiquei tão surpreso quando, de novo, caí muito levemente. Isso só aconteceu duas vezes, e não pretendo tentar cair deliberadamente para experimentar mais uma vez. Esse é apenas mais um dos momentos "até agora" inexplicados.

Fato 5: Um dos acontecimentos mais inexplicáveis ocorreu como resultado de uma comunicação direta. Em uma madrugada nos meados dos anos 70, para ser preciso por volta de três horas, na minha habitual maneira preguiçosa fui me desvencilhando do meu corpo. Quase instantaneamente, fui abordado por um indivíduo de forma indistinta, que me deu essa instrução bem específica:

- Sr. Monroe, esteja em Eaglehill às sete da manhã do dia 4 de julho. - Surpreso, pedi que repetisse a instrução, e ele o fez de maneira idêntica:

- Sr. Monroe, esteja em Eaglehill às sete da manhã do dia 4 de julho.

Antes de ter uma chance para perguntar por que e do que se tratava, a imagem foi diminuindo e desapareceu. Então, voltei para o meu corpo, me levantei e escrevi a mensagem cuidadosamente.

Na noite seguinte, quando repeti o ato, a imagem voltou quase imediatamente com a mesma mensagem. Ela era bem definida - quase uma ordem - e novamente a figura desapareceu antes de eu ter a chance de perguntar mais alguma coisa. Na terceira noite, tentei ver se ela se repetia mais uma vez, mas não houve qualquer manifestação. O mais impressionante é que a ordem era bem clara. E repetiu-se de maneira idêntica na segunda noite. E mais importante: "eles" realmente me chamavam pelo nome.

Aquela ordem despertou grande curiosidade em mim e nas pessoas da família e amigos a quem contei a experiência. Especulamos sobre isso de várias formas, mas a questão era: "Onde fica Eaglehill?" A ordem fora dada lá pelo mês de abril, e parecia haver tempo suficiente para descobrir o que significava a mensagem. Porém, por mais que tentássemos, não conseguimos encontrar nenhum lugar chamado Eaglehill. Passadas algumas semanas, eu quase nem me lembrava mais daquilo.

Um fato mudou tudo. Visitando uns amigos a centenas de quilômetros de casa, jantávamos no quintal da casa deles. Meu anfitrião tinha um radiorreceptor que captava automaticamente várias freqüências, como polícia, bombeiros etc. Estávamos sentados conversando, quando repentinamente alguém no rádio falou "Eaglehill".

Imediatamente, aquilo despertou a minha atenção. Excitado, perguntei ao meu amigo em que estação o rádio estava ligado, e ele me respondeu que era a freqüência da F AA * para instruções entre uma aeronave e outra. Esperei ansioso que o rádio transmitisse algo mais. Curioso, meu amigo perguntou o que era tão importante. É desnecessário dizer que achei que não podia contar-lhe. Após alguns minutos o rádio disse claramente e alto: "Aqui é a Unidade 351 sobre Eaglehill a doze mil pés."

No dia seguinte, após exaustiva viagem para casa, fui à seção da F AA em nosso aeroporto local e perguntei ao funcionário onde era EaglehilI. Ele respondeu logo que ficava em um estado vizinho, e que era um radiofarol. Mostrou-me o lugar no mapa regional de radiocomunicação e lá estava Eaglehill. Evidentemente, havia algum tipo de vilarejo com esse nome, embora não aparecesse em nenhum dos mapas rodoviários que possuímos.

Isso deu uma perspectiva totalmente nova à mensagem. Assim, na tarde do dia 3 de julho, sai de casa para a longa viagem até EaglehilI. Fui até a cidadezinha mais próxima do suposto local, procurei um hotel, jantei e fui para a cama cedo.

Exatamente às sete horas da manhã seguinte, encaminhei-me para um cruzamento que se chamava Eaglehill. Consistia de duas ou três casas, uma garagem e um armazém, todos situados perto de um cruzamento de estradas rurais. Não era um lugar muito impressionante, para não dizer o contrário. Parecia que não mudara nos últimos trinta ou quarenta anos. Parei o carro no acostamento. Vários habitantes sentados do lado de fora da garagem me olhavam curiosamente enquanto, sentado, eu esperava.

Esperei mais de uma hora e nada aconteceu. Ninguém se aproximou de mim. Não senti nada além da ansiedade inicial e do desapontamento que se seguiu a ela. Finalmente, pouco depois das oito horas, sob olhares curiosos, liguei o carro e atravessei Eaglehill. Continuei ainda uns três quilômetros pela região, nada encontrando além das fazendas. Voltei para o cruzamento e percorri vários quilômetros na direção oeste. Outra vez, nada havia de diferente, ninguém me fez sinal, nada vi além de campo e fazendas. Tentei o leste. Era tudo a mesma coisa. Voltei para o lugar onde havia parado o carro e esperei. Por volta do meio-dia, decidi que tudo fora ilusão, voltei para o hotel, paguei a conta e almocei. Ou eu estava no Eaglehill errado, ou entendi mal, ou foi tudo uma brincadeira ou um sonho.

Depois de muita reflexão, finalmente encontrei o meu erro. O convite, ou o pedido, não era de que eu fosse a Eaglehill fisicamente, e sim extracorporalmente. O que o convite não levou em consideração foi a minha dificuldade em ir diretamente para um lugar, em vez de ir ao encontro de uma pessoa.

Pondo lenha na fogueira: anos mais tarde, ao encontrar-me com um funcionário do governo, perguntei-lhe sobre aquele lugar específico, sem explicar o motivo do meu interesse. Ele me contou que ali era o local de um projeto especial de pesquisas do governo. Estava sendo construído na época em que estive lá. Evidentemente, isso ainda não é de conhecimento geral, ou pelo menos não quero me arriscar a falar a respeito. Assim, o lugar mencionado no meu relato não corresponde à verdade. Ainda gosto de especular sobre o que poderia ter acontecido se eu tivesse mantido o meu compromisso - no estado não-corporal.



Fato 5: A minha companhia recebera o direito de instalar um sistema de televisão por cabo em Charlottesville, Virgínia, e precisávamos de um lugar para uma antena receptora no alto de um morro bem na saída da cidade. O dono do morro era Roy, um homenzinho vigoroso, baixo, quase careca, de olhos azuis brilhantes, e com um senso de humor seco e sutil. O seu rosto era enrugado e bronzeado, devido a muitos anos supervisionando o trabalho no cultivo de vinte mil macieiras no topo do morro. Sendo ele um escocês típico, a negociação foi planejadamente casual, mas chegou a um fim bastante razoável e justo. E ficamos amigos.

Uma sexta-feira depois do almoço, ele olhou para mim, piscou e disse:

- Você gosta de jogar cartas?

Tive uma daquelas velhas motivações repentinas. - Que tipo de jogo?

- Bem - disse ele - algumas pessoas não gostam de chamar de pôquer porque jogamos muitos jogos malucos; mas você pode se divertir muito com ele. São partidas valendo apenas dez e vinte centavos, por isso você não pode esperar ganhar muito dinheiro. Nós jogamos cada sexta-feira à noite na casa de um amigo diferente, e a única coisa é que nós não bebemos nada. É o jogo de pôquer mais antigo em Charlottesville. Deve ter começado há uns setenta anos, e continua firme desde então ... e olha que é bastante tempo. Se quiser aparecer esta noite, vou apanhá-lo onde você estiver, por volta das sete e meia. Você vai gostar da prática grupal.

Olhei para ele, perplexo. - Prática grupal?

Ele sorriu:

- É assim que chamamos isso aqui na Virgínia. Alguns colegas dizem que não têm certeza se é legal ou não, e já ouvimos falar de outros jogos que foram proibidos por causa de apostas. Lógico que nós não estam os fazendo nada desse tipo.

Sorri.

- Não, é claro que não. Costumamos nos encontrar às sete e meia para a prática grupal.

Tornei-me um freqüentador regular da prática grupal. Eu não ia toda sexta-feira, mas aparecia pelo menos duas vezes por mês. Era uma mudança bem-vinda na minha rotina de trabalho com televisão por cabo, e os participantes eram comerciantes locais que, em sua maioria, passaram toda a vida em Charlottesville.

Eles também desconheciam completamente qualquer pesquisa estranha ou outras atividades em que eu pudesse estar envolvido. Mesmo quando o meu primeiro livro foi publicado, eles não tomaram conhecimento e eu também nem toquei no assunto. Hoje em dia, talvez um ou dois saibam mais ou menos o que eu faço.

A primeira indicação de que havia fatores estranhos envolvidos na prática grupal do jogo de cartas surgiu uns dois anos mais tarde, quando seis de nós disputávamos um jogo de pôquer a sete cartas com carta aberta. As cartas começaram a ser dadas normalmente. As minhas duas cartas fechadas eram um três e um quatro de paus. Entre as cartas viradas para cima que recebi estavam um cinco e um sete de paus. A banca era muito forte; havia pares espalhados pela mesa, incluindo um par de ases nas cartas abertas de Roy.

Depois de ter ficado na banca, o que eu não tinha direito algum de fazer, tentando comprar uma seqüência ou um flush , a sétima e última carta foi dada a cada um de nós virada para baixo. Não olhei para a minha. De repente, sem qualquer dúvida, eu soube que a minha carta era um seis de paus. Era estranho, eu simplesmente "sabia".

- Roy - disse eu, mostrando a carta em que nem havia tocado - é um seis de paus, e isso irá me fazer um straight flush. E ele vai bater o seu full de ases.

Roy olhou para a carta e depois me encarou com um sorriso malicioso. Ele já olhara para sua última carta e sabia que tinha um full de ases.

- Aposto cinco como você não tem. Não é o seis de paus. Alcancei a pilha de fichas e disse:

- É sim, Roy.

Ele sorriu e colocou sua pilha junto da minha. - Tá bem, então me mostre.

Virei a carta e era o seis de paus.

Roy sorriu.

- Isso aí não bate meu full house. - Ele virou o seu full de ases, que batia as outras mãos da mesa. - Eu tenho o outro cinco, que prova que você não tem o três e o quatro de paus fechados.

Sorri.

- Não quero o seu dinheiro, Roy.

- Um straight flush vai bater o meu full de ases. - Ele empurrou outra pilha de fichas. - Não acho que você o tenha. De alguma forma, você sabia que aí tinha um seis de paus, e você tem que soltá-lo enquanto está ganhando.

Sorri novamente e disse:

- Eu não quero o outro cinco, Roy. - Então, virei o três e o quatro fechados, fazendo o straight flush de paus.

Ele simplesmente olhou para a carta e disse: - E o que é isso?

Na jogada seguinte, com Roy dando as cartas, aquela sensação que tive ainda estava lá, era forte; mais uma vez, eu "sabia". Nem olhei para as minhas cartas fechadas. Nas quatro cartas que recebi, viradas para cima, havia um cinco e um sete de copas. Eu sabia. É só o que posso dizer; eu sabia.

Roy - falei - está vendo o cinco e o sete de copas? - Roy fez que sim com a cabeça. Dessa vez ele não tinha os ases. - Bem, essa última carta que você vai dar é um seis de copas, e ele vai me fazer um straight flush de copas. Tá vendo? Eu ainda não vi as minhas cartas de baixo. - Ele concordou, fazendo um gesto positivo com a cabeça e observando. Roy tinha dado as cartas. Os outros jogadores olhavam atentamente, esperando que eu perdesse. Roy era um jogador excepcional.

Recebi a última carta virada para baixo e, antes que pudesse levantá-la, Roy disse:

- Aposto mais cinco como não é o seis de copas. Não, pensando bem, passo para dez. - Ele empurrou um monte de fichas.

- Não quero o seu dinheiro, Roy - disse eu, sorrindo.

- Você não vai tirá-lo de mim, nem vou dá-lo a você - disse ele

- Ponha a carta na mesa. Fiz como Roy pediu.

- Agora vire a carta - disse ele. Obedeci e era o seis de copas.

Roy me encarou com total espanto. Ele estava dando as cartas. Não podia haver trapaça diante das circunstâncias.

- E além disso - falei - essas duas cartas fechadas que ainda não vi são o três e o quatro de copas.

Roy olhou para mim.

- Aposto vinte como não são. Com extrema naturalidade, eu disse:

- Não quero o seu dinheiro, Roy. - E virei as duas cartas fechadas. Eram o três e o quatro de copas.

Roy olhou para o straight flush, o mesmo de antes, só que dessa vez era de copas.

- Às vezes você é o cara mais sortudo que já conheci. Os outros concordaram.

Aquele período específico de "sorte" foi comentado durante vários meses. As probabilidades de acontecerem dois straight flush sucessivos do mesmo tipo e com a mesma pessoa em um jogo com seis participantes são por volta de 5.780.000 por uma. Como isso aconteceu? Não sei. Como eu sabia das cartas? Muito simples, era apenas uma certeza. Acho que inúmeros grandes apostadores têm feito muito dinheiro nesse negócio. E também têm perdido, porque a "certeza" estava errada.



(Trecho extraído do livro " Viagens Além do Universo, de Robert Monroe)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A experiência fora do corpo (EFC)



PROVA DA VIDA APÓS A MORTE


Por Scott Rogo

O capitão Burton, inglês, morreu de um ataque do coração. Pelo menos foi o que pensaram os médicos. Mas ele sobreviveu ao ataque e viveu ainda muitos anos depois de sua "morte", sobre a qual contava uma história estranha: "Encontrei-me de pé ao lado de minha cama, olhando para mim mesmo e para o médico, sentindo-me muito bem, ainda que surpreso. De súbito fui violentamente puxado para a cama, por cima da qual flutuei; a seguir veio um violento impacto. Então ouvi o médico dizendo: 'Ele está voltando a si'. Ele me havia considerado morto por algum tempo".

A experiência do capitão Burton é igual à de todos que conseguiram enganar a morte. Essa experiência enigmática, contudo, não se restringe apenas aos que passaram pela morte, mas estende-se a centenas de pessoas de todas as culturas. Os parapsicólogos chamam a isso experiência fora do corpo, expressão que substitui uma outra mais antiga, "projeção astral".

Houve tempo em que as pessoas que passaram por essa experiência mantinham-se reticentes sobre o assunto, temerosas do ridículo ou de serem acusadas de loucura. Mesmo assim os parapsicólogos conseguiram reunir centenas de casos relatados por indivíduos absolutamente normais e tentaram estudar o fenômeno também no laboratório.

Com o passar do tempo, centenas de pessoas comuns, homens de negócios, donas-de-casa, artistas que passaram por essa experiência, mencionaram uma série de observações semelhantes entre si. Sir Aukland Geddes, muito conhecido e respeitado médico inglês, relatou estranha experiência desse tipo para a Royal Medical Society, de Edimburgo: "Eu estava muito doente... Mas de repente compreendi que minha consciência se separava de outra consciência que também era eu. O ego-consciência que agora eu era parecia fora do corpo que eu via na cama e que era meu".

Geddes viu-se num corpo de aparição. Viu o médico tentar reanimá-lo com uma injeção de cânfora. Sua consciência se obscureceu e de novo ele estava em seu corpo. Mais tarde verificou que tudo que notara enquanto estava supostamente inconsciente realmente acontecera. A sra. Carlina Larsen, uma dona-de-casa de Vermont, nunca tinha ouvido falar na experiência fora do corpo até uma noite em que se deitou e adormeceu ao som da música de câmara que seu marido e amigos tocavam numa sala próxima. "Um sentimento de profunda depressão e apreensão me tomou, e forte torpor paralisou todos os meus músculos. A seguir me vi de pé ao lado de minha cama, olhando atentamente para 'meu corpo físico ali deitado.

"A sra. Larsen desceu a escada em seu novo corpo, que descreveu corno mais radioso do que o corpo físico, e espiou o ensaio. Mais tarde, quando voltou para seu corpo, confirmou com o marido tudo que tinha observado... Coisas que não sabia antes. Durante anos, experiências desse gênero foram relatadas, mas nunca houve um esforço organizado para estudá-las, até que pesquisadores psíquicos começaram a se interessar. Alguns puseram tais casos de lado, considerando-os como sonhos ou alucinações.

Mas outros, principalmente os que tinham a mente alerta para a crescente ciência da parapsicologia, acharam que as perguntas precisavam ser respondidas, e uma delas era se a experiência fora do corpo era ou não imaginária. Por que aquelas pessoas podiam descrever fatos ocorridos durante sua inconsciência e dos quais não podiam ter conhecimento? O caso da sra. Larsen era um deles. E, se a experiência fosse simples alucinação, por que tanta gente dizia ter visto um fio de prata unindo o corpo físico ao seu "duplo"?

ENTRE O CORPO E SEU ASTRAL, "UM FIO DE TEIA DE ARANHA"

Esse fio é freqüentemente mencionado por pessoas que passaram pela experiência. A. S. Wiltse, físico de Kansas, depois de sarar de grave doença, contou como havia flutuado para cima e para baixo, até que se libertou do corpo e caiu levemente no chão. Dirigiu-se para a porta do quarto e, olhando para trás, viu "um fio, como uma teia de aranha", unindo seu corpo físico ao superfísico.

A sra. H. D. Williams, uma dona-de-casa inglesa, teve idêntica experiência, que relatou a Robert Crookall, cientista inglês que passou vários anos estudando a experiência fora do corpo. Ela contou que olhou à sua volta durante a experiência e viu um fio brilhante, com 2 ou 3 polegadas de largura, preso a cabeça de seu corpo físico. É claro que esses relatos estranhos nos impelem a ir mais adiante, não apenas a rotulá-los como ocorrências imaginárias.

Tanta gente conta que saiu de seu corpo, e os parapsicólogos há muito tempo sabem que certos indivíduos conseguem abandonar o corpo quase que na medida de sua vontade. Em 1919 o livro de Hereward Carrington "Modern Psychical Phenomena" foi ter às mãos de um jovem fraco e doentio que ainda não tinha vinte anos, Muldoon, e que desde a infância tinha experiências fora do corpo. Lendo-o, Muldoon resolveu escrever ao pesquisador contando que ele próprio podia escrever um livro sobre coisas que as "autoridades" não conheciam. Logo se estabeleceu correspondência entre ambos. Em 1929 foi publicada a biografia de Muldoon em co-autoria com Carrington. O livro, "A Projeção do Corpo Astral", tornou-se um clássico do assunto. Muldoon tinha doze anos quando teve a primeira experiência. Acordou no meio da noite e sentiu pânico ao ver que estava paralisado. Depois a catalepsia mudou para a sensação de flutuar.

Quando, afinal, conseguiu ver, encontrou-se planando sobre seu corpo. Como estava de pé, o menino virou-se e viu um fio prateado unindo seus dois corpos. Com o passar dos anos, Muldoon teve centenas dessas experiências, que podia controlar perfeitamente. Certa noite adormeceu sentindo sede; encontrou-se desperto no estado fora do corpo tentando abrir uma torneira no quarto pegado. Em outra ocasião tocou casualmente num fio elétrico e imediatamente foi atirado para fora do corpo e calmamente contemplou seu corpo se contorcendo. Muldoon notou que, quando sonhava estar voando, passava para o estado fora do corpo. Essa circunstância levou muita gente a indagar se sonhar que está voando, um sonho muito comum, teria algo a ver com o estado fora do corpo. Muldoon descreveu não só suas experiências mas também o método de forçá-las, os fatores que as afetavam e o que pensava sobre o assunto. Muldoon e Carrington mais tarde reuniram casos dessas experiências e juntos publicaram o livro "O Fenômeno da Projeção Astral": Muldoon publicou ainda "The Case for Astral Projection".

À medida que a saúde de Muldoon melhorava, sua extraordinária capacidade começou a enfraquecer e praticamente desapareceu. Apesar de seu nome ter se tornado célebre na pesquisa psíquica, Muldoon perdeu o interesse por ela e ficou dirigindo um salão de beleza até seu falecimento, há alguns anos.

PODE SER COMUNICAÇÃO TELEPÁTICA. MAS NEM SEMPRE

Enquanto Muldoon passava por suas estranhas aventuras nos Estados Unidos, um inglês descobria que possuía poder semelhante. Oliver Fox (um pseudônimo) descobriu que tinha um "duplo" que podia abandonar seu corpo. Contou suas experiências em vários artigos, depois transformou-os no livro "Projeção Astral". Descobriu que, muitas vezes, quando estava sonhando, compreendia que estava sonhando e, controlando seus sonhos, podia forçar o estado fora do corpo. (Método semelhante foi descoberto por uni experimentador holandês, Frederick van Eeden.)

Oliver Fox




Certa vez Fox acordou em estado de semitranse. Compreendendo que estava passando por uma experiência fora do corpo, apenas desejou sair da cama. "Simultaneamente me sentia deitado na cama e de pé a meu lado. Andei devagar pelo quarto, até a porta; a sensação de dualidade diminuía à medida que me afastava do corpo; mas, quando ia sair do quarto, meu corpo foi puxado para trás Como Muldoon, Fox tinha uma infinidade de dados sobre a experiência. Gabando-se de seu poder diante de uma amiga, ela disse que ia projetar-se no quarto dele naquela noite para mostrar que também tinha o mesmo poder. Quando estava na cama nessa noite, Fox percebeu o vulto de Elsie no quarto.

No dia seguinte Elsie descreveu com exatidão o quarto de Fox, onde nunca tinha estado. Seria possível que, estando invisível no estado fora do corpo, ocasionalmente uma pessoa podia ser vista por outra? Uma série de casos indica essa possibilidade. Várias dessas experiências foram realizadas por S. H. Beard, amigo de Edmund Gurney, um pioneiro na pesquisa psíquica em Londres. Gurney ficou tão impressionado com essas experiências que as publicou, em co-autoria com Beard, em dois volumes clássicos: "Fantasmas dos Vivos". A primeira experiência foi em novembro de 1881. Beard desejou projetar-se para sua noiva e a menina irmã dela. Na noite do experimento, a noiva acordou e viu o vulto de Beard de pé à sua frente. Ficou tão assustada que deu um grito. A irmã acordou e também viu o vulto. Depois disso Beard mandava cartões-postais para Gurney comunicando que planejava alguma experiência e muitas vezes a noiva de Beard lhe mandava cartas datadas comprovando ter visto sua aparição. Uma vez a aparição chegou a acariciar seus cabelos.

TODOS CONCORDAM: O CORPO ASTRAL SAI PELA CABEÇA

Poderiam esses casos ser, na realidade, ao invés de experiências fora do corpo, alucinações telepaticamente motivadas pelo pensamento intenso do experimentador? Essa teoria foi aceita por muitos parapsicólogos. Mas explicará todos os casos desse tipo? Provavelmente não, como no caso a seguir, que se tornou um dos mais célebres de "aparição de vivos". Uma noite a sra. Wilmot dormia muito inquieta porque o marido estava num vapor que atravessava o Atlântico com tempo tempestuoso. Dormindo segura em sua casa em Connecticut, ela se viu deixando o corpo, viajando pelo mar e descendo num navio. Encontrou o caminho para a cabine do marido e, vendo-o, tentou se aproximar. Viu outro homem num beliche por cima do dele. Ela hesitou, mas continuou a andar, beijou o marido e partiu. No dia seguinte Wilmot contou que tivera uma visão de sua mulher, que viera a ele e o beijara.

O que há de novo neste caso é que o companheiro de cabine de Wilmot também viu a aparição e a tomou por uma pessoa real; gracejou com Wilmot dizendo que ele havia recebido durante a noite a visita de uma mulher. A sra. Wilmot anotou toda a experiência, especialmente a posição do beliche do companheiro de seu marido. Quando as anotações foram conferidas, tudo foi confirmado. A prova dos testemunhos foi tão forte que Eleanor Sidgwick, outra pioneira na pesquisa psíquica, incluiu-a no seu artigo "Sobre a Prova da Clarividência", publicado em "Proccedings", da Society for Psychical Research. Até há algum tempo, a maior parte dos dados sobre a experiência fora do corpo resultava do relato de casos pessoais reunidos aqui e ali, com pouca análise científica. Só em 1960 a experiência fora do corpo começou a ser estudada cientificamente, e os dois cientistas interessados obtiveram importantes progressos para a compreensão do fenômeno.

Um dos cientistas era o pesquisador inglês Robert Crookall, que fez brilhante carreira como cientista. Possuidor de dois doutorados, esteve primeiro na faculdade da Universidade de Aberdeen e mais tarde foi diretor de geologia no H. M. Geological Survey. Deixou esse lugar a fim de se dedicar exclusivamente ao estudo e à análise dos casos de experiência fora do corpo. O dr. Crookall ficou surpreso com as semelhanças encontradas entre as experiências e, como Carrington e Muldoon, começou a reunir o maior número possível de casos. Mas, ao contrário de seus predecessores, Crookall estava interessado na análise crítica, esperando que, através da investigação de grande número de casos, chegasse a alguma definição sobre a experiência fora do corpo. Reuniu perto de mil casos tirados da literatura sobre pesquisa psíquica e de relatos obtidos em primeira mão. Esses casos foram publicados em três volumes: "The Study and Practice of Astral Projection"," More Astral Projection", "Case Book of Astral Projection". Até agora Crookall apresentou quatro tipos diferentes de análise de seus dados. Todos revelaram particularidades desconhecidas. A primeira análise foi baseada no que é conhecido como "lei de comprovação de Whateley", que diz, se um número suficiente de testemunhas independentes comprova as características de uma observação — testemunhas que comprovadamente não poderiam estar em conluio —, então há muita probabilidade de que a observação seja genuína.

Ao analisar perto de trezentos casos, Crookall encontrou total concordância entre os casos. As mesmas particularidades foram encontradas em centenas de casos, contudo seis características principais sobressaíram de sua análise:

1) o perceptivo sente que está saindo do corpo físico pela cabeça;

2) ocorre um escurecimento no momento da separação entre a consciência e o corpo;

3) o corpo-aparição flutua sobre o corpo físico;

4) o corpo-aparição volta ao corpo físico antes do término da experiência;

5) ocorre novo escurecimento no momento da reintegração;

6) a rápida reentrada causa choque ao corpo físico.

Os casos estudados por Crookall também mostraram que muitas vezes a pessoa que passa pelo estado fora do corpo vê outras aparições; possui percepção extrasensorial; encontra-se num ambiente obscuro, nevoento ou num mundo "paradisíaco"; e, por fim, um fio de prata muitas vezes é visto durante a experiência.

DIFERENÇAS ENTRE AS VIAGENS ESPONTÂNEAS E AS INDUZIDAS

A segunda análise de Crookall é ainda mais interessante. Apesar de todas as experiências fora do corpo seguirem um padrão geral, parecia haver diferenças qualitativas entre os casos. Para melhor avaliar este aspecto, o dr. Crookall dividiu os casos em dois grandes grupos. Um grupo era de projeções ocorridas naturalmente, pouco antes de adormecer, ou causadas por doença ou exaustão.

O outro consistia de experiências forçadas pelo uso de anestésicos, choque, sufocação, hipnose ou projeção voluntária. Comparando os dois grupos de dados, descobriu que a experiência fora do corpo natural era muito mais vivida e tinha características gerais diferentes das experiências forçadas. Por exemplo, perto de l0% dos casos naturais mencionavam o abandono do corpo pela cabeça, enquanto na projeção forçada nem metade dessa porcentagem referiu-se a essa ocorrência. A terceira análise de Crookall consistiu na comparação dos relatórios feitos por psíquicos com os de pessoas comuns que passaram pela experiência. Descobriu que de modo geral os psíquicos contam experiências muito parecidas com projeções compelidas, ao passo que as pessoas não psíquicas tiveram experiências que eram como projeções naturais. Na quarta análise Crookall revela que muitas experiências fora do corpo ocorrem em dois estágios. Ao analisar relatos de primeira mão, Crookall verificou que grande número de pessoas fala num estágio inicial de confusão durante o princípio da experiência; a consciência se torna mais clara; e no término da experiência volta certa imprecisão.

Outro grande grupo de casos parece revelar a liberação numa só etapa. A meticulosa pesquisa de Crookall provavelmente fez mais do que qualquer outra para ajudar a parapsicologia a compreender a experiência fora do corpo. Baseado nessas pesquisas, Crookall criou teorias esmeradas e cuidadosamente elaboradas sobre essa experiência, e sua opinião básica é que esse experimento mostra que o homem possui um corpo ultrafísico que tem a capacidade de sobreviver à morte. O trabalho de Crookall mostra ainda que todos os relatos sobre a experiência fora do corpo podem ser avaliados cientificamente.

PROVAS, EXISTEM MUITAS. ATÉ AS DE LABORATÓRIO

Outro pioneiro no estudo dessa experiência foi o dr. Charles T. Tart, psicólogo experimental. Era sua intenção descobrir se as pessoas que afirmam passar freqüentemente por essa experiência podem produzi-la em laboratório, onde pudesse ser controlada, da mesma forma que se controlam os sonhos, seguindo o desenho das ondas cerebrais, o movimento rápido dos olhos etc. Antes de Charles Tart outros pesquisadores já haviam tentado estudar a experiência fora do corpo em laboratório. O pesquisador francês H. Durville afirmou haver fotografado o "duplo" da médium mme. Lambert. Outro francês, Charles Lancelin, pretendia haver obtido as impressões digitais do corpo astral. Esses experimentos, contudo, são bastante antigos, e os métodos exatos empregados pelos investigadores são um tanto misteriosos.

Tart pode ser considerado como realizador do primeiro trabalho experimental importante sobre a experiência fora do corpo. O primeiro médium do dr. Tart foi Robert Monroe, que autorizou a publicação de sua biografia "Journey out of the Body". Os primeiros experimentos foram levados a efeito na Universidade de Virginia em 1965 e 1966. Após uma semana de tentativas, Monroe conseguiu a experiência fora do corpo. Esperava-se que Monroe saísse da sala de experiências no estado fora do corpo, fosse a uma sala próxima e contasse o que tinha visto. Durante todo o tempo foi controlado por um aparelho encefalográfico e por outros. Esperava-se também que lesse um número de seis algarismos colocado numa prateleira a 2,5 metros acima do solo.

O experimento obteve êxito parcial. Monroe contou que o técnico estava no corredor com um homem, o que era correto. Os aparelhos de controle revelaram que Monroe permaneceu numa espécie de estado de sonho durante a experiência fora do corpo. Quando os experimentos foram repetidos em Davis, Califórnia, a leitura registrada foi semelhante, além de assinalar queda de pressão sangüínea. Miss Z. foi a segunda médium talentosa de Tart. Na segunda noite dos experimentos, também em Davis, ela teve a experiência fora do corpo. A leitura de seu eletroencefalograma não pôde identificar se estava dormindo ou acordada. Tart esperava que ela pudesse ler um numero escrito numa prateleira mais alta do que ela, à qual não teria acesso fácil. Na quarta noite ele conseguiu.

O número só podia ser lido se alguém "flutuasse" sobre a prateleira. Infelizmente o dr. Tart descobriu que o número podia refletir-se num relógio do quarto, se fosse iluminado por luz brilhante. É pouco provável que a médium o tivesse lido por esse meio. Aqui também foram registrados estranhos desenhos no eletroencefalograma. Testes semelhantes aos descritos também foram levados a efeito pela American Society of Psychical Research, com o médium Ingo Swann.

REVELA-SE ENTÃO UM NOVO CONCEITO DE CONSCIENCIA

Finalmente a experiência fora do corpo está emergindo da esfera da anedota para o campo experimental. Todavia, para onde nos levam esses estudos, tanto os anedóticos como os experimentais? Três áreas da pesquisa psíquica são drasticamente afetadas pela pesquisa da experiência fora do corpo. A primeira é a do estudo das aparições.

O pesquisador Hornell Hart acredita que a experiência fora do corpo poderia ser a chave para compreender as aparições, já que muitas "aparições de vivos", tanto quanto "aparições de mortos", foram registradas. Em estudo magistral, Hart analisou as características desses diferentes casos de aparições e viu que ambos possuíam as mesmas peculiaridades. Deduziu que os dois tipos tinham a mesma natureza e muito provavelmente revelavam um mecanismo semelhante ao da experiência fora do corpo. A segunda área afetada pelo estudo da experiência fora do corpo é a da sobrevivência à morte. Tanto Tart como Robert Crookall afirmaram achar que a experiência fora do corpo demonstra ser possível a vida consciente espacialmente distante e separada do corpo físico. A consciência não depende do corpo e poderia, assim, sobreviver à morte. Em terceiro lugar a experiência fora do corpo substancialmente altera nosso conceito sobre o que é "consciência".

Durante a experiência fora do corpo o perceptivo é muitas vezes atirado para novas experiências sensoriais e novos níveis de consciência. Por exemplo, algumas leituras dos encefalogramas tomados durante as experiências fora do corpo feitas por Charles Tart são semelhantes às leituras obtidas com praticantes do zen em meditação. Assim como a experiência mística traz consigo uma expansão da consciência, a experiência fora do corpo pode muito bem ser uma avenida aberta para um novo mundo da mente. Como escreveu um perceptivo: "Era uma noite de outubro, mais ou menos às 11 horas da noite. De repente me senti fora do corpo flutuando sobre um pântano no Highland, num corpo tão leve ou mais leve do que o ar. Havia um bosque, e o vento era leve e fresco. Vi que o vento não me incomodava, como aconteceria se estivesse no meu corpo físico; eu era parte do vento. A vida no vento, as nuvens, as árvores, tudo era parte de mim, fluindo dentro e através de mim, e eu não oferecia resistência. Estava repleto de vida gloriosa. Durante todo o tempo, à margem da minha consciência, eu sabia onde estava meu corpo terrestre, ao qual poderia retornar se surgisse algum perigo. Tudo deve ter durado alguns minutos ou segundos, não sei dizer — porque eu estava fora do tempo..."


Fonte: Portal da Reencarnação

terça-feira, 9 de junho de 2009

Experiências Fora-do-Corpo (EFC) e Sonhos Lúcidos



Por: Rick Stack


TRABALHO COM SONHOS

As técnicas mais fáceis que conheço para induzir EFCs envolvem projeção enquanto o corpo está adormecido ou num estado "próximo" do sono. Focalizaremos em breve métodos simples para conseguir isso. Existe, porém, algum trabalho preliminar com sonhos que, para muitos, será um requisito prévio para se tirar o máximo proveito das técnicas que serão apresentadas. Para aqueles leitores que já trabalham com sonhos, boa parte deste capítulo será uma revisão.

Os sonhos são, muito simplesmente, uma porta natural para as dimensões interiores do nosso ser. No estado onírico, viajamos todas as noites para níveis fundos onde bebemos da fonte "da energia e do conhecimento, a qual sustenta permanentemente a nossa identidade eterna e em constante crescimento. Recordamos usualmente pouco dessas excursões mais profundas porque elas alcançam dimensões da experiência que são muito diferentes do mundo físico que conhecemos tão bem. Por vezes, os sonhos que recordamos são as nossas próprias tentativas para traduzir essa sabedoria mais profunda para um plano físico que possamos compreender.

Acredito que, no mundo onírico, visitamos com freqüência o passado e o futuro. Comunicamo-nos com outras partes dos nossos seres. Comunicamo-nos com os "eus" reencarnacionais, comparando impressões, trocando informações e deslocando-nos através do tempo com a mesma facilidade com que os nossos corpos físicos respiram. Recebemos instrução dos nossos "eus" interiores, os maiores "eus" dos quais somos uma parte. E na medida em que temos acesso a tal informação, podemos facilitar a transferência e a incorporação desse saber às nossas vidas físicas.

Os sonhos podem ser usados para muitos fins, incluindo a solução de problemas, o exame de crenças, a aquisição de entendimento sobre situações da vida corrente, promovendo a saúde e a cura, entrando em contato com emoções reprimidas, e muito mais. Entretanto, para auferir todas as vantagens desse recurso, é importante dar aos nossos sonhos a atenção que eles merecem.

Acredito que os nossos eus oníricos são exatamente tão válidos quanto os nossos eus físicos. Eles são uma parcela de nós próprios. O eu sonhante e o eu fisicamente orientado são partes da nossa identidade maior - uma identidade que habita em muitas dimensões. O eu sonhante e o eu vígil estão intimamente relacionados. Fazem parte de um continuum do ser e não estão realmente separados. São o mesmo Eu, duas faces da mesma moeda mas existindo em dimensões diferentes.

Segue-se a descrição de uma experiência fora-do¬corpo que eu tive, na qual parecia como se eu me fundisse com alguma das outras parte do meu ser:

Vi-me sentado a uma mesa numa sala que não reconheci. Na mesa havia muitas pessoas, inclusive eu próprio. Eu estava completamente acordado e sabia estar fora do meu corpo físico. Estava fascinado por ver como tudo parecia totalmente real. Essa sala era percebida como tão real quanto qualquer outra onde eu tivesse até hoje estado. Eu era eu mesmo e sabia que era eu mesmo; e, no entanto, eu era algo mais, de um certo modo. Senti-me como se estivesse fundido com um outro e mais vasto aspecto do meu eu. Comecei discutindo com as pessoas da mesa sobre a parcela de mim mesmo que habitava a realidade física normal. A discussão gravitou em tomo do comportamento e características do meu eu físico. O eu com que me fundira nesse estado parecia ter acesso a uma perspectiva mais esclarecida e sagaz do que aquele que eu normalmente possuía. Parecia saber uma grande quantidade de coisas que eu ignorava; mas agora, que estávamos juntos, alguns dos seus conhecimentos pareciam-me acessíveis. Eu não estava separado desse eu. Esse eu era eu. Era deveras estranho estar sentado a uma mesa não-física que eu sentia ser tão física e sólida quanto qualquer outra na Terra e ouvir-me descrevendo e analisando calmamente o meu eu físico normal com um nível de discernimento que parecia exceder facilmente aquele a que eu estava habituado.

Acredito que na experiência acima fundi-me com o meu eu onírico; que esse eu está bem vivo e alerta, vivendo em dimensões válidas da experiência que todos visitamos noite após noite; que a sua existência e experiência continuam, mesmo quando estam os despertos no mundo físico normal. Com um pouco de prática, podemos aprender a levar a nossa consciência vígil conosco para o estado de sono e assim fundi-la com o nosso "eu onírico", aumentando o fluxo de informação entre os mundos interior e exterior.

O mundo dos nossos sonhos é freqüentemente considerado uma criação de nossa imaginação. Mas, muito pelo contrário, é um caminho de superlativa importância - um caminho que se destina a ser por nós usado para descobrir as dimensões plenas de nossas próprias identidades. É uma estrada que leva às incontáveis dimensões da realidade que algum dia será o nosso permanente campo de atividade lúdica.

Os sonhos fornecem ao eu desperto inestimáveis informações que utilizamos com freqüência, quer recordemos ou não o que sonhamos. A informação pode aparecer em qualquer ponto do dia como uma intuição ou insight. Além disso, o estado onírico faz parte do mecanismo pelo qual criamos as nossas vidas. É aí que as tremendas interconexões e logísticas são elaboradas, o que nos habilita a inserir eventos específicos em nossas vidas de acordo com as nossas crenças e em harmonia com as muitas outras pessoas cujas realidades possuem fronteiras comuns.

Se o nosso foco do dia-a-dia é pusilânime ou negativo, o mais provável é que os nossos sonhos reflitam esse tema. Os indivíduos que se vêem nessa situação podem beneficiar-se imenso se reestruturarem seus padrões de pensamento a fim de mudar a tônica de seus dias físicos, assim como de seus sonhos.

Os sonhos podem ajudar-nos às vezes a sair de depressões comunicando-nos conhecimentos oriundos de um nível emocional profundo. Eis um exemplo, extraído dos meus diários, de um sonho que tive há uns 12 anos, quando estava sentindo-me deprimido:

No sonho, eu sentia-me deprimido a respeito de minha vida e trabalho. Estava assistindo a uma representação teatral. O enredo pretendia expressar duas atitudes ou modos diferentes de conduta. A primeira atitude expressada envolvia um homem que se queixava a respeito de tudo. Achava que sua vida e seu trabalho eram um pesado fardo. A segunda atitude, ou modo, de atuação era expressa por um homem cantando uma canção extremamente exuberante. A canção era sobre um homem que amava totalmente a vida. Amava o trabalho. A canção continuava para dizer que todo o novo ofício ou aprendizado era uma grande e jubilosa experiência. E então o cantor começou interatuando com o gigantesco público que assistia à representação. Ele entoou as palavras "E Deus teve o Seu dia" , e o público todo repetiu "E Deus teve o Seu dia". Depois de duas ou três vezes, ele cantou "E eu tive o meu". A canção era de uma beleza e de uma força extraordinárias. O último verso dizia "Trate-se a si mesmo com o respeito que merece" . Eu chorava de emoção.

Quando acordei, o meu estado de espírito tinha mudado por completo. O sonho comunicara-me efetivamente, num nível intuitivo, que cada dia da vida de toda e qualquer pessoa é único, precioso e magnífico. Ter muitos sonhos como esse pode mudar literalmente o rumo de nossas vidas. Entretanto, se não se lembra nem registra esses sonhos, a pessoa diminui sua capacidade para extrair deles o máximo proveito.

O fluxo de informação entre os eus interno e externo pode ser consideravelmente intensificado por uma tentativa deliberada de trabalhar com sonhos. Além disso, trabalhar com sonhos leva diretamente a habilidades que facilitam a indução de experiências fora-do-corpo. Eis, em linhas gerais, como proceder. Em primeiro lugar, desenvolver o hábito de recordar e interpretar os seus sonhos. Depois, experimentar alguma forma de controle dos seus sonhos. Isso prepara o cenário para o sonho lúcido (a atividade onírica. em que a pessoa percebe estar num sonho) e para o uso efetivo das técnicas de indução de EFDCs. Não existem regras estritas, de modo que cada um deve optar pela técnica que melhor lhe convenha e de acordo com o seu próprio ritmo. Começará com o programa para trabalhar com sonhos.


(...)




O ESPECTRO DA CONSCIÊNCIA:
EXPERIÊNCIAS FORA-DO-CORPO E SONHOS LÚCIDOS

Há uma forte conexão entre sonhos e EFCs. Para se entender essa conexão, é útil pensar nos vários estados de consciência que os seres humanos experimentam como sendo uma espécie de contínuo.

Numa extremidade do contínuo estão sonhos como aqueles que você pode surpreender-se criando rapidamente, instantes antes de acordar. Como foi mencionado há pouco, acredito que nesse tipo de sonho tentamos traduzir conhecimentos adquiridos na realidade não-física em termos físicos, de modo que possamos trazê-las de volta à nossa consciência vígil normal. Essa espécie de sonho é, em certos aspectos, semelhante ao que poderíamos usualmente designar como imaginação. Isso não significa, porém, que tal experiência não tem realidade.

Repito ser minha convicção de que o mundo onírico é uma porta natural para os mundos desconhecidos donde viemos e para os quais estaremos voltando em breve. Podemos, às vezes, encontrar-nos em paisagens oníricas com muitos elementos imaginários. Em outros sonhos, entretanto acredito viajarmos para dimensões da existência tão reais quanto mundo físico, que usualmente temos por ponto pacífico ser único mundo. Isso tampouco significa que os sonhos com elementos imaginários ou que variam constantemente não tenham qualquer validade, pois têm.

Poderíamos afirmar que diferentes tipos de sonhos possuem graus variáveis de realidade - literalmente diferentes gradações de matéria e energia.

Podemos considerar um sonho lúcido um "grau superior" de um sonho típico, um passo mais adiante no contínuo. Um sonho lúcido é aquele em que o sonhante percebe estar sonhando. Esse tipo de sonho é, com freqüência muito intenso e vívido. Uma diferença interessante entre 'sonhos normais e sonhos lúcidos é que, nestes últimos, a paisagem onírica parece tornar-se mais coerente e menos irreal assim que o sonhante atinge a lucidez.

A medida que nos deslocamos ao longo do nosso contínuo hipotético, chegamos às experiências fora-do-corpo. Esse estado de consciência pode ser dividido, grosso modo, em EFCs que têm lugar no mundo físico e as que ocorrem em mundos não-físicos. As EFCs que ocorrem em mundos não-físicos podem ser consideradas um grau superior dos sonhos lúcidos.

Para fins de definição, a principal diferença entre uma EFC em mundos não-físicos e um sonho lúcido, de um modo geral, parece residir na percepção subjetiva do indivíduo. O sonhante lúcido pensa que está num sonho e que o que está vivenciando é imaginário. Não está cônscio ou não se preocupa no que diz respeito ao paradeiro de seu corpo físico. Entretanto, o indivíduo que passa por uma experiência fora-do-corpo está profundamente cônscio de que se encontra fora de seu corpo físico, sabe onde seu corpo físico está e pensa que o que está experimentando é real.

Acredito que, na grande maioria dos casos, o sonhante lúcido já está baseado fora do corpo e simplesmente não se apercebe disso. Por outras palavras, a maior parte dos sonhos lúcidos são uma forma de EFC. A bem dizer, acredito que deixamos os nossos corpos todas as noites durante o sono, quer recordemos ou não qualquer tipo de sonho.

O sonho lúcido tem sido, historicamente, um caminho efetivo para a viagem astral. Muitos que aprenderam como deixar seus corpos começaram por aprender como induzir sonhos lúcidos. Converter um sonho lúcido numa EFC parecer ser, basicamente, uma questão de perceber que o seu corpo físico está dormindo em algum outro lugar e que você está separado dele.

Penso que, na realidade, é sobre os graus variáveis de percepção dos diferentes estados de consciência que estamos falando. Como sugerimos no Capítulo 1, a própria EFC pode flutuar em seu grau de exteriorização. Alguns sonhos lúcidos podem começar com sua base de conscientização parcialmente no corpo e parcialmente fora dele, e o grau de exteriorização pode recrudescer à medida que a experiência prossegue e você se concentra mais intensamente no meio ambiente interno. Quando você percebe que está sonhando e também se dá conta de que está fora do seu corpo, esta úlima percepção eleva ainda mais o seu estado de conscienti.zação de todo o processo em que está envolvido. Isso será mais ou menos equivalente a outras formas da EFC, como flutuar para fora do seu corpo físico no seu quarto de dormir e testemunhar conscientemente a separação. De fato, podese utilizar o sonho lúcido como um ponto de lançamento do qual regressar ao corpo físico e depois flutuar fora dele no seu quarto de dormir, se estiver propenso a isso. Essa técnica é descrita no Capítulo 10. Não que você queira necessariamente ir correndo de volta para o físico, de qualquer modo. Na maioria dos sonhos lúcidos, sua consciência já transferiu sua base de operações para os mundos interiores. Algumas das mais excitantes e educativas excursões fora do corpo têm lugar na realidade não-física.

De um modo geral, as EFCs são mais coerentes do que os sonhos lúcidos. Em certos aspectos, as EFCs que ocorrem na realidade física podem parecer francamente "ordinárias". Uma vez fora do seu corpo, você poderá explorar seu lar ou seu bairro, observar que tudo realmente é muito parecido - a não ser pelo fato de que você pode estar voando ou caminhando através de paredes. Mesmo as EFCs nos mundos interiores parecem, em geral, mais coerentes e menos irreais do que os sonhos lúcidos. Acredito que isso se deve ao estado especial de conhecimento alcançado na experiência fora-do-corpo. Considera-se que os mundos interiores são receptivos. Portanto, quando você percebe que está fora do seu corpo e vivenciando uma realidade válida , essa percepção consente-lhe, em si mesma, compreender (e criar) com maior clareza.

Em seu livro Journeys Qut ofthe Body, Robert Monroe chama Locale II a essas dimensões interiores. Postulou ele que Locale II é um "meio ambiente não-material com leis de movimento e de matéria só remotamente relacionadas com o mundo físico' . E prossegue dizendo que esses locais são habitados por seres inteligentes, e que Locale II é "o ambiente natural do Segundo Corpo" (em outras palavras a forma não-física usada em EFCs). Uma vez que Locale II é para onde o segundo corpo quer "naturalmente" ir, ele para al será conduzldo, ou do contrário aí permanecerá uma boa parte do tempo. Em minha experiência pessoal observei uma tendência análoga. Mesmo que começasse por alçar-me do meu corpo no meu quarto e explorasse o meu ambiente físico imediato, era freqüente terminar em mundos não-físicos antes do final da experiência.

Penso ser basicamente irrelevante se você se levanta ou não do seu corpo no seu quarto e depois viaja para Locale lI, ou se, em vez disso, torna-se simplesmente lúcido no estado onírico e depois se apercebe de que está fora do seu corpo. Ambas as experiências são edificantes e, portanto, merecem ser vividas. Praticaremos técnicas que abrangem ambasessas formas de EFC no Capítulo 10. Aqueles que têm dificuldade em admitir o conceito de outros mundos, poderão querer começar por concentrar-se em EFCs nas quais se mantêm apegados à realidade física e tentam obter alguma espécie de evidência de que estão fora do corpo.

Neste ponto, o que algumas pessoas parecem perder de vista é o poderoso efeito de sistemas de crenças fundamentais sobre as experiências na realidade não-física. Se você tem uma forte orientação no sentido de acreditar que o mundo físico é o único que deve ser seriamente considerado ou pensado como "real" , essa crença impregnará a sua experiência num sonho lúcido ou numa EFC. A realidade não-física é extremamente receptiva ao pensamento. Rígidos pressupostos podem literalmente bloquear um indivíduo para as experiências intuitivas, de conhecimento direto, acerca da validade dessas dimensões não-físicas.

Algumas pessoas afirmam que a EFC é, simplesmente, uma forma de sonho lúcido. E o sonho lúcido é, em geral, considerado justamente isso - um sonho - ou seja, uma experiência que não tem realidade objetiva e existe apenas na mente do sonhante. Rejeitar as EFCs como sendo apenas uma outra forma de sonho é um modo simples e confortável de permanecer dentro dos limites dos pressupostos materialistas que ainda predominam em nossa cultura. É muito mais aceitável dizer aos amigos e colegas que sonhou certa vez ter voado para o apartamento de alguém do que declarar que deixou realmente seu corpo (ainda que possa corroborar sua experiência com o fato de que, durante a sua excursão, viu algo que pôde mais tarde verificarl). A realidade da experiência fora-do-corpo é um conceito capaz de abalar os próprios alicerces de crenças há muito acalentadas. É muitíssimo mais fácil dizer que as EFCs são irreais e apenas uma outra forma de sonho. Não obstante, as EFCs são reais e já vimos algum apoio científico para esse conceito (no Capítulo 1).

Não há muita concordância quanto ao modo como definir precisamente uma experiência fora-do-corpo. Algumas pessoas consideram uma EFC uma experiência em que uma pessoa percebe o mundo físico desde um ponto de vista fora do corpo físico. Isso incluiria as EFCs em que o indivíduo testemunha a separação do corpo e é capaz de ver seu corpo físico do ponto de vista de seu corpo "astral". Outros definem a EFC como qualquer experiência em que o indivíduo sente que sua mente ou ponto de consciência está fora do seu corpo físico, quer ele esteja percebendo o mundo físico ou alguma outra dimensão da experiência. Isso incluiria as EFCs que são iniciadas a partir do estado onírico e nas quais o indivíduo pode viajar para mundos interiores (' 'oníricos' ') válidos.

Para esclarecer, podemos identificar diversas formas de experiências fora-do-corpo:

1. Ver-se conscientemente flutuando fora do seu corpo físico e permanecendo no universo físico.

2. Ver-se conscientemente flutuando fora do seu corpo físico e viajando em seguida para outras dimensões da experiência.

3. Encontrar-se fora-do-corpo sem ter presenciado a separação do seu corpo físico.

4. Perceber que está num sonho e depois dar-se conta de que está fora do seu corpo.

5. Perceber simplesmente que está num sonho (neste caso, o mais provável é que já se encontre fora do seu corpo, embora não o saiba).


Eis uma interessante questão a considerar aqui: Onde se situa a consciência vígil normal no nosso hipotético contínuo? Na realidade, esse é um ponto discutível mas, em todo o caso, gostaria de mencionar que, de certa maneira, aEFC pode oferecer um quadro mais completo da nossa verdadeira identidade do que a consciência vígil normal. Embora a nossa consciência cotidiana pareça bastante coerente, ela está freqüentem ente associada a um entendimento limitado do contexto maior em que existimos. A realidade física que percebemos durante o nosso estado vígil normal poderia, pois, ser até concebida como um sonho em que nos concentramos com excessiva intensidade.

Pode-se argumentar que a EFC inclui freqüentemente uma compreensão intuitiva de que a existência não é dependente do corpo físico e poderia, por conseguinte, ser considerada um grau superior do nosso estado vígil normal. É claro, esse conhecimento - e alguns outros que, aparentemente, são mais acessíveis durante uma EFC - também pode ser obtido durante a consciência vígil normal, pelo que seria inexato dizer que é intrínseco nas EFCs apenas. Além disso, como foi mencionado antes, algumas pessoas sufocam o potencial do estado EFDC com pressuposições rígidas. Finalmente, todos os vários estados de conscientização que consideramos são divisões artificiais efetuadas apenas a bem da clareza. O eu sonhante, o eu vígil, o eu EFC, o eu interior e a alma são todos uma só coisa, e todas as tentativas para encaixá-los em categorias estritas acabarão fracassando. Digamos apenas que a posição relativa da consciência vígil normal em nosso contínuo hipotético depende do ponto de vista de cada um.

Nada disso significa que as pessoas, por vezes, não tenham alucinações enquanto fora-do-corpo; elas têm. Muitas pessoas têm visto objetos, cenários e mesmo os seus próprios corpos enquanto têm EFCs, só mais tarde descobrindo que suas visões continham poucos ou muitos elementos imaginários. Por outro lado, numerosas pessoas têm relatado EFCs em que puderam descrever com exatidão cenas e eventos físicos que não tinham a menor possibilidade de ser percebidos desde o ponto onde seus corpos físicos se encontravam, com o uso exclusivo de seus sentidos físicos. Pode-se influenciar o grau de elementos alucinatórios que são encontrados enquanto fora-de-corpo solicitando ou ordenando que todas as alucinações desapareçam. É evidente que esse tipo de aptidão, assim como outros que requerem um delicado ajuste, só pode ser aperfeiçoado através da prática.

Em nossa cultura, temos sido treinados para considerar o intelecto a nossa única voz idônea. Bloqueamos o conhecimento intuitivo que é nosso direito inato. Aprendemos a questionar sempre intelectualmente a sabedoria que já possuímos em níveis mais profundos. Aprender a confiar em nosso próprio conhecimento interior e a escutar a nossa intuição é um importante passo em nosso crescimento espiritual. Se confiarmos realmente em nossa intuição e em nossos sentimentos, acabaremos por "saber", pura e simplesmente, que na grande maioria dos nossos sonhos lúcidos já estamos fora do corpo físico. Usando esta teoria como hipótese de trabalho, o leitor estará apto a induzir mais facilmente EFCs a partir do estado onírico e a abrir-se para experiências e conhecimentos que, caso contrário, poderão ser bloqueados.

A verdadeira arte de sair do seu corpo envolve a aprendizagem de como operar efetivamente onde quer que vá, seja flutuando em redor de sua cama ou viajando na realidade interior. Há toda uma série de diferentes graus de consciência que você pode experimentar enquanto fora do seu corpo. De um modo geral, poderá melhorar o seu grau de clareza cons¬ciente através da prática.


(Trechos dos capítulos 8 e 9 do livro de Rick Stack, "Viagem Astral - As Aventuras Fora do Corpo")